Odontologia Preventiva/Dentista - Odontologia e Células Tronco
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Odontologia Preventiva/Dentista

Odontologia e Células Tronco

25/06/2005
 

O Prof. Dr. Paulo Augusto de Lima Pontes, da EPM/UNIFESP, é um dos principais responsáveis pela área de pesquisa com células - tronco em sua instituição, aonde os colegas da área odontológica -  Drs Silvio e Mônica Dualibi - desenvolvem seus estudos visando a futura utilização desse recurso para a substituição de dentes perdidos. O Prof. Dr. Paulo Pontes é o titular do Departamento de Otorrinolaringologia e de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da UNIFESP, além de coordenador do programa de pós-graduação em otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço da UNIFESP. O renomado colega gentilmente nos cedeu essa entrevista, conforme o transcrito a seguir.

O PERIODONTO: O que são células-tronco?

Dr. Paulo Pontes - São células com capacidade de se diferenciar em variados tecidos. Podem ser adquiridas em fase embrionária ou adulta,sendo as últimas as de menor capacidade de diferenciação. Utilizam-se as células - tronco adultas para composição de um tecido desejado.

Como podem ser utilizadas em odontologia?

Nos estudos que estão sendo desenvolvidos por inúmeros colegas de todo o mundo foram utilizadas somente as células que eram capazes de se diferenciar em tecidos mineralizados (dentes, osso e cartilagem). Ainda não existe uma metodologia para a manipulação e para a utilização desses elementos em nível de ambulatório. Assim, elas ainda não podem ser utilizadas diretamente na prática da odontologia. Os estudos iniciais foram, inicialmente, realizados em porcos, na Universidade de Harvard em conjunto com o Forsythe Institute/EUA. Por fim os experimentos foram praticados em cobaias de ratos, como aqui na UNIFESP aonde devemos destacar o empenho dos colegas Drs. Silvio e Monica Duailib na área das pesquisas odontológicas associadas ao tema.

O intuito das primeiras experimentações foi o de manipular modelos de animais que pudessem apresentar  semelhanças genéticas com os seres humanos, levando em conta suas condições de respostas fisiológicas e imunológicas.

Atualmente, qual o estágio da utilização das células tronco em odontologia ?

Já conseguimos a formação de elementos dentais através do desenvolvimento de células-tronco adultas colhidas da polpa dentária. Foram feitas culturas de células e colocadas em um modelo biológico. Em seguida, essas células foram implantadas em mandíbula e mento de ratos esperando o desenvolvimento dos elementos dentários. Não vai demorar para termos a aplicação em humanos.

Primeiro utilizaremos células humanas e aplicaremos em animais, de maior compatibilidade biológica com a nossa espécie, afim de se acompanhar o desenvolvimento desse experimento.Esta parte já esta sendo realizada no Brasil.Em seguida, esta implantação seria realizada em humanos nos quais se pretende que sejam selecionados dentes inclusos que apresentem indicação de extração para serem colhidas estas células-tronco a serem destinadas para a confecção de elementos em regiões bucais que necessitem da reposição de um elemento ausente.

Qual a previsibilidade na obtenção de elementos dentais perfeitos que contenham esmalte, cemento, ligamento periodontal e uma perfeita adaptação
aos tecidos periodontais?

Em sete a dez anos esperamos uma aplicação prática e efetiva nesse sentido. Na Inglaterra e na Alemanha já se trabalha com células-tronco de origem embrionária. Tanto as pesquisas brasileiras, como as realizadas na Europa, foram recentemente publicadas no Journal of Dental Research. O tempo médio para a formatação do dente completo seria de aproximadamente quatro meses.

Os dentes geneticamente desenvolvidos poderiam ser implantados, colocados na intimidade do tecido ósseo para o posterior tracionamento ou poderiam erupcionar normalmente?

Pelo que estamos observando até aqui, após a colocação das células-tronco em um modelo para desenvolvimento,a estrutura decorrente (geneticamente desenvolvida) seria implantada no local desejado. A partir desse estágio o órgão dentário poderia se desenvolver como um elemento jovem até sua aparição (erupção) junto do sítio desejado. Assim, ele  seria implantado na forma de um germe dentário, se desenvolvendo até uma estruturação final que disponha de cemento, esmalte e de ligamento periodontal bem semelhante a estrutura original.

Como poderemos nos assegurar de que determinado tipo de dente irá se formar? Seja um molar,um incisivo ou um canino, por exemplo?

O próprio organismo reacionaria, através de um mecanismo de interativo, com a matriz originária das células- tronco, afim de que ocorra a formação de um elemento o mais próximo do normal.

Isto significaria o fim dos implantes de titânio ?

Ainda não. Mas, a sua indicação será diminuída, uma vez que conseguiremos
reabilitar pacientes com estruturas dentais completas. Todavia, devemos ter pacientes com um organismo saudável e uma estrutura de base suficiente para o desenvolvimento desse trabalho. Nessa fase preliminar, a mais importante constatação dos estudos é a possibilidade de integração médico-odontológica, já que utilizando a engenharia genética notamos que a mesma técnica que vem sendo desenvolvida para a formação de novas estruturas dentárias,esta servindo para a obtenção de tecidos de outras áreas do corpo - como a laringe e a traquéia - por exemplo.Podemos considerar esse tema das células-tronco uma grande inovação que irá marcar a história das ciências da saúde ao longo do século XXI.

 

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