Meio Ambiente/Ecologia - As águas minerais de minas gerais
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Meio Ambiente/Ecologia

As águas minerais de minas gerais

14/06/2003


As águas mineiras têm fama de milagrosas. E é certo que operaram um milagre: o da multiplicação das cidades. Quantas delas não cresceram em torno das nascentes e prosperaram ao redor dos hotéis e cassinos nos áureos tempos do jogo. Nos anos 40 a jogatina foi proibida, mas as águas seguraram a onda na base da saúde. Gasosas, sulfurosas, magnesianas, radioativas, ferrosas ou simplesmente quentes, as águas minerais tratam de colites a dermatites. Nem os sisudos resistem às cócegas das bolhas produzidas nos banhos perolados, e quá, quá, quá, quá, riem à toa. Há ainda banhos espumantes, saunas e massagens. Das duas uma: ou você ri ou você ronca.

Araxá


Terra de dona Beja, sua mais famosa dama da corte, Araxá deita e rola na lama negra vulcânica cheia de propriedades medicinais. E esbanja águas minerais. A fonte de Beja, com água radioativa, é a mais procurada. Dizem que é afrodisíaca. A água sulfurosa da Andrade Júnior é indicada para doenças de pele e para o fígado. Nas termas do parque, os banhos de lama negra quentinha são concorridos. Embelezam a pele e aliviam artrites e reumatismos. Compre sabonete de lama e entre nas banheiras. Passe pelo Alto de Santa Rita, onde a árvore dos Enforcados geme quando venta. Dizem que são os gemidos dos escravos sacrificados no local. E não deixe de ver o Museu D. Beja, na casa do início do século passado onde ela morou.

A 374 km de Belo Horizonte, pela BR-262.

Poços de Caldas


Suas fontes estão espalhadas pela cidade, e numa delas jorra água sulfurosa a 45ºC. No imponente prédio das Thermas Antônio Carlos, águas sulfurosas muito procuradas pelo presidente Juscelino Kubitschek. No Palace Hotel, uma piscina à la Hollywood, com colunas de mármore de Carrara e água quente. A suíte 525 é conservada como Getúlio Vargas a deixou em sua última visita. Ao lado do cassino, que agora aposta em festas e congressos, sai o teleférico que leva ao morro do Cristo. Imigrantes italianos trouxeram pra cá a técnica do cristal de Murano. Um deles, Mario Seguso, na 

Cad'Oro da av. João Pinheiro, é pupilo de uma família que molda vidro a sopro há 700 anos. Contrastando com a arquitetura dos anos 20 e o chacoalhar das charretes, a cidade se rende ao admirável mundo novo: um monotrilho corre suspenso ao longo da avenida principal. 
A 451 km de Belo Horizonte, pela BR-459.

Os mistérios de São Tomé: é ver para crer


No alto da montanha, rodeada de mistérios. "Núcleo cósmico do planeta", para os místicos, São Tomé das Letras ergueu suas casas de pedras empilhadas ao lado de uma gruta com inscrições rupestres. Segundo a lenda, foi aqui que um certo barão de Alfenas encontrou uma imagem do apóstolo e onde, em 1770, foi construída uma capela para Tomé. Desde então é procurada por suas energias especiais. Sinta as vibrações da gruta do Triângulo, considerada por quem entende como a mais energética. Descubra a secretíssima passagem para Machu Picchu, no Peru, na gruta do Carimbado. Não achou? Calma, refresque-se. Os banhos de cachoeira lavam a alma de qualquer incrédulo. É só escolher: 

Véu da Noiva, da Eubiose, da Lua, Shangri-Lá ou a corredeira das Ninfas. Passe também pelo vale das Borboletas, onde elas fazem um espetáculo de cores no ar. Contrate guias. Não vá se perder 
no centro da Terra!
A 324 km de Belo Horizonte, pela estrada (de terra) Três Corações-São Tomé.

São Lourenço


O lado visível é que a cidade cresceu, ganhou um monte de prédios e conservou o mais exuberante Parque das Águas das estâncias hidrominerais, fama que remonta às constantes visitas do presidente Getúlio Vargas: suas nove fontes se esparramam por jardins impecáveis e densa mata verde. Mas o lado místico só uns poucos vêem, entre eles os eubiotas, que fincaram sede em São Lourenço para facilitar o diálogo com extraterrestres, que, aqui, pululam em seus discos voadores. 

O naturalista Elias Cima prefere cultivar ervas medicinais e tocar sua fundação (av. Damião Junqueira de Sousa, 740, tel. (035)331.2000), com um acervo de mais de 300 fotos do pintor catalão Salvador Dali, além de litogravuras e aquarelas originais. A 51 km está Lambari, com fontes jorrando num pequeno parque. Na margem do lago Guanabara, ergue-se imponente o antigo cassino. Por causa de brigas políticas, o prédio neoclássico de 1911 funcionou apenas um dia. Vale 
visitá-lo: é um belo exemplar do desperdício. 

A 401 km de Belo Horizonte, pela BR-267.

Caxambu


As 12 fontes medicinais do Parque das Águas são verdadeiras obras de arte. Cobertas por estruturas trazidas da Europa no início do século, são decorados por rendilhados, mármores e dourados. Até a família real passou por aqui, deixando uma enorme coroa entre as nascentes. Conta-se que em 1868 a princesa Isabel veio atrás de um suposto tratamento de fertilidade e virou nome de fonte -indicada para anemia. No balneário, seis tipos de banho e um gêiser que jorra água quente três vezes ao dia.

A 58 km, entre as montanhas, fica a pacata Cambuquira. Ladeiras e casarões centenários se espalham em volta do Parque das Águas, com cinco fontes. Visite as fazendas do roteiro rural e a reserva biológica de Santa Clara onde estão as nascentes das fontes. Na volta, pôr-do-sol no pico do Piripau.
BR-267, a 370 km de Belo Horizonte

Os verdes montes da Mantiqueira 


Monte Verde nasceu num vale da Mantiqueira entre pinheiros, mata atlântica e picos com mais de 2.100m de altitude. Fundada por um imigrante da Letônia, Werner Grinberg, na década de 30, recebeu alemães, húngaros, suíços, italianos. E o lugar foi ficando com a cara dos Alpes. No inverno, as margens dos rios e as gotas de orvalho nos pinheiros até congelam. O clima é romântico. Os hotéis são aconchegantes, todos de madeira, camas "king-size", lareira, cortinas rendadas. Para enfrentar o frio, vinhos, chocolates, "fondues", "raclettes" ou café colonial, à luz de velas. Piscinas de água quente, saunas e caminhadas por trilhas até os picos da Pedra Redonda, Chapéu do Bispo, Mirante e Selado. O vírus do shopping atacou o lugar, mas não lhe alterou a fisionomia. Procure pelas cerâmicas de faiança, na loja Tirol, reproduzindo desenhos do século 12. E se alguém se despedir com um "sveiki", responda tchau e até breve como um entendido na língua falada na Letônia.

A 484 km de Belo Horizonte, pela BR-381.


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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