Ching-Hon Pui, Cheng Cheng, Wing Leung, et al
Contexto: crianças que sobrevivem a leucemia linfóide aguda têm risco de complicações relacionadas à leucemia ou ao tratamento da mesma, as quais podem afetar adversamente a sobrevida e o status socioeconômico. Determinamos a sobrevida prolongada e as taxas de cobertura de seguro-saúde, casamento, e emprego entre pacientes que tinham no mínimo 10 anos de sobrevida livre de eventos.
Métodos: um total de 856 pacientes elegíveis foram tratados entre 1962 e 1992 em 13 ensaios clínicos consecutivos. Taxas de sobrevida, de risco cumulativo de uma segunda neoplasia, e indicadores selecionados de status socioeconômico foram analisados para o grupo todo e para pacientes que receberam ou não radioterapia craniana ou cranioespinal durante tratamento inicial.
Resultados: cinqüenta e seis pacientes apresentaram eventos adversos maiores, incluindo 8 mortes durante remissão, 4 recidivas, e 44 neoplasias secundárias (41 delas relacionadas à radiação); a maioria das neoplasias secundárias foi benigna ou de baixo grau de potencial maligno. O risco de uma segunda neoplasia foi significativamente maior nos 597 pacientes que receberam radioterapia (grupo irradiado) do que nos 259 pacientes que não receberam radioterapia (grupo não irradiado) (P=0,04; risco cumulativo estimado aos 20 anos [+EP], 20,9+3,9 por cento vs. 0,95+0,9 por cento).
A taxa de morte no grupo irradiado excedeu levemente a taxa esperada na população geral norte-americana (taxa de mortalidade padronizada 1,90; intervalo de confiança 95%: 1,12 a 3,00), enquanto a taxa de morte no grupo não irradiado não diferiu da população geral (taxa de mortalidade padronizada 1,75; intervalo de confiança 95%: 0,34 a 5,00). As taxas de cobertura de seguro-saúde, de casamento e de emprego no grupo não irradiado foram similares às médias nacionais em segmentos ajustados para sexo e idade.
Apesar de terem taxa similar de cobertura de seguro-saúde em relação à população geral, homens e mulheres do grupo irradiado tiveram taxas de desemprego acima da média da população geral (15,1 por cento vs. 5,4 por cento e 35,4 por cento vs. 5,2 por cento, respectivamente), e mulheres do grupo irradiado tinham menor chance de serem casadas (35,2 por cento vs. 48,8 por cento).
Conclusões: crianças com leucemia linfóide aguda que não receberam radioterapia e que alcançaram 10 ou mais anos de sobrevida livre de eventos podem esperar uma sobrevida a longo prazo normal. Irradiação está associada com neoplasias secundárias, um pequeno aumento na mortalidade e uma taxa um pouco maior de desemprego.
NEJM 2003; 349: 640-649
ESPAÇO REAL MÉDICO