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Todos os animais possuem a denominada energia vital ou, em palavra extremamente eloqüente, possuem a vida. Logo, são passíveis de medicação através da Homeopatia.
Sejam quais forem as classificações zoológicas das espécies animais, todos são passíveis de tratamento com medicamentos homeopáticos.A prática tem demonstrado a eficácia desse tratamento em cães, gatos, aves de quaisquer espécies , ovinos, caprinos, eqüinos, bovinos, silvestres de todas as espécies, rãs, peixes, abelhas, dentre outros.
Os métodos para sua utilização são os mesmos empregados na medicina humana. No entanto, por desconhecimento, recebemos comentários de médicos homeopatas, veterinários e mesmo de leigos, do tipo:
- "A Homeopatia é muito nobre para ser utilizada na Medicina Veterinária; na melhor das hipóteses, pode ser utilizada na forma de alguns medicamentos locais".
- "Como a experimentação foi realizada no "homem são", conseqüentemente somente o Homem pode utilizá-la".
- "É impossível realizar a verdadeira Homeopatia, a determinação do medicamento único, objetivando o ‘simillimum' na Medicina Veterinária, pois sintomas nobres como 'sensações, ilusões e sonhos' não podem ser utilizados".
Aqueles que se referem à limitação do uso da Homeopatia nos animais domésticos atestam sua própria ignorância, pois se medicamentos experimentados em animais são eficazes no homem, o que impede que a recíproca seja verdadeira?
Deveriam aprofundar seus conhecimentos na história da Homeopatia, em relato do próprio Samuel Hahnemann, em Leipzig (Alemanha), 1815, no qual afirma:
- "Quanto mais estreita é a relação entre os sintomas mórbidos do remédio escolhido e os sintomas do animal doente, mais exata e também mais rápida e permanente será a cura da doença desse animal, com uma certeza que muito se aproxima da certeza matemática".
Por certo, somente um observador inexperiente e obtuso desejaria denegar que os animais mostram sintomas de suas doenças tanto e tão claramente quanto os homens.
Eles não têm fala, mas as muitas alterações que podem ser notadas em sua aparência, sua conduta e suas funções naturais e vitais servem como substituto perfeito à palavra.
Um animal nada sabe de fingimento, nem como o homem exagera sua expressão de dor, ou esconde seus sentimentos e inventa sintomas que não existem.
O homem oscila muitas vezes de um lado para outro nesse particular, refreado pela sua educação, corrompido em sua moral, ou levado pelas suas paixões.
É óbvio, de imediato, que tudo que o animal revela de sua doença pelos sintomas é a expressão verdadeira de seu estado interno, e é a imagem pura e autêntica da doença. Em uma palavra, os animais, assim como os homens, podem ser curados do mesmo modo seguro e digno de confiança pelo método homeopático.
Talvez possa eu ter a honra, em outra ocasião, de falar a esta distinta assembléia sobre o equipamento e manutenção de estábulos para animais doentes.
Então por hoje é o suficiente, com pelo menos um sinal de alerta para um meio eficiente de livrar nossos animais domésticos, que tanto significam para nós, de suas doenças.
"Essas pobres criaturas, incapazes de julgar seus atormentadores, também merecem a compaixão do cidadão humanitário".
No Brasil, a Homeopatia foi reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária através da Resolução nº 625 do dia 16 de março de 1996.
O reconhecimento pelo Ministério da Agricultura teve início em 19 de maio de 1999, com a Instrução Normativa no 7, que versa sobre a utilização da homeopatia em animais em regime de produção orgânica. Pela primeira vez o Ministério da Agricultura se refere à ciência homeopática.
A concretização da utilização de medicamentos homeopáticos se realiza quando, em 21 de dezembro de 1999, o primeiro laboratório veterinário homeopático (Fauna&Flora Arenales) tem sua liberação de funcionamento através de documento expedido por aquele órgão.
Os medicamentos homeopáticos encontravam-se sem registro; porém, em 9 de setembro de 2002, o medicamento denominado Fator C&MC®, utilizado para o controle de carrapatos, mosca do chifre, bernes, vermes e moscas domésticas, e o Fator M&P®, utilizado para o controle de mastite, foram registrados. Desta forma, abriram-se precedentes para que outros medicamentos homeopáticos possam ser utilizados na pecuária nacional.
Cronologia de Eventos Relevantes da Homeopatia na Veterinária 1796 Samuel Hahnemann. afirma: os animais podem ser curados pelo método homeopático com tanta segurança e certeza quanto os seres humanos (Alemanha). 1833 Guillaume Lux edita em Leipzig o periódico "Zooiasis" - usa quatro medicamentos (Nux vomica, Camphora, Opium e Aconitum) para tratar cólicas em eqüinos e pneumonias em bezerros (Alemanha). 1835 Schmager publica um pequeno folheto de 76 páginas para os agricultores tratarem seus animais (Alemanha). 1836 Gunther edita as doenças dos cavalos (Die Krankheiten des Pferdes), descrevendo 188 medicamentos (Alemanha). 1892 Le Mouveau Manual de Médicina Vetérinaire Homéopathique - Gunter e Prost Lacuzon (Paris - França). 1896 Hurndal - tratado de Homeopatia consagrado ao cavalo (Londres - Inglaterra) 1910 The Hand Book to Veterinary Homeopathy - John Rush - New Delhi (Índia). 1921 The Pocket Manual of Homeopathy - Ruddock - Delhi. 1926 Willmar Scheabe publica "Grande Guia Ilustrado de Medicina Veterinária" (Grosser Illustriert Hanstierarzt) (Alemanha). 1939 Charles Faré - Eléments de mariére médicale Homéopathique (França). 1948 Vittoz demonstra a ação de Thuya 3H na verruga do bovino (França). 1949 Bardoulat et Charbonnier publica o "Précis d'urologie" (França). 1950 Bardoulat e Germaine Monteil - "Ersai de traitement homéopatique des diarrhées (França). 1952 Arnaud: Contribution à l'étude du traitement des vermes par l'homéopathic chiz les é talons (Paris - França). 1952 Belalbre - Pyrogenium et ses indications (França). 1957 Constantin Sollogonb - Les hépatits chroniques du chien (França). 1958 Belloir - Contribution à l'étude du traitement des ostéstus non suppuréis, primitives du cheval par les micro dores de calcium (França). 1959 Gérard David - Arnica en Médecine Vetérinaire (França). 1963 Plaignard - Contribution à l'étude des boiteries et troubles locomateures du chien (França). 1965 Loiseau - colchicum automnale (Toulouse). 1966 Gamer - Homéopathie Vetérinaire: Apis mellifica et ses indications (Toulouse). 1971 Schneider - Ipeca en Médicine Vetérinaire (Toulouse). 1972 Sacal - Homéopathie Vetérinaire - Isothérapie en Médicine Vetérinaire (Toulose). Na atualidade, a Homeopatia Veterinária tem obtido poucos avanços em países europeus e demais países das Américas. O volume de animais homeopatizados e de congressos específicos da área são discretos.
Brasil 1920 Guia Prático em Veterinária, de Nilo Cairo (médico) 1920 Cláudio Real, médico veterinário (Campo Grande- MS) 1920 Guiza Vasconcelos (Rio de Janeiro- RJ) 1920 Rubens Picego (Rio de Janeiro- RJ) 1982 I Simpósio Brasileiro de Homeopatia em Veterinária (Niterói - RJ) 1983 II Simpósio Brasileiro de Homeopatia em Veterinária (Rural - RJ) 1984 III Simpósio Brasileiro de Homeopatia em Veterinária (Jaboticabal - SP)
Depois desta data, a homeopatia veterinária recebe um grande incremento no Brasil, com a abertura de diversos cursos de especialização em Homeopatia Veterinária. Podemos citar o Instituto Françoise Lamasson (Ribeirão Preto - SP); Instituto Jacqueline Pecker (Campinas - São Paulo); Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos (IBEHE - São Paulo - SP); Associação Paulista de Homeopatia (APH- São Paulo - SP); Instituto Hanemaniano do Brasil (IHB- Rio de Janeiro - RJ); Associação Paranaense de Homeopatia (Curitiba - PR), dentre outros cursos que se difundiram pela região Sudeste e Sul do Brasil. Restou então um grande hiato nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Trata-se de um grande avanço, pois os médicos veterinários que procuraram estudar a ciência homeopática em meados de 1990 eram marginalizados. No entanto, ao ser considerada Especialidade da Classe Veterinária, este constrangimento foi debelado.
Em 1990, foi fundada a Associação Médica Veterinária Homeopata Brasileira, tendo como primeiro presidente o médico veterinário Célio Morooka. Em 1996, foi fundada a Associação Médica Veterinária Homeopata do Estado de São Paulo, tendo como primeira presidente a médica veterinária homeopata pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, Maria do Carmo Arenales.
Congressos, Simpósios e demais eventos específicos da área: Na atualidade, no Brasil, ocorre um incontável número de eventos específicos, dada a importância desta ciência para a classe. Não compete a citação dos eventos, por serem muitos e pela limitação de espaço.
No entanto, estão voltados mais para animais de companhia, como o cão e gato. No entanto, em 1996, com o apoio da Universidade Federal de Viçosa - MG, através do agrônomo Vicente Casali, organizou-se o Simpósio Brasileiro de Homeopatia na Produção Orgânica.
Este trabalho, aliado ao incremento de gado tratado com homeopatia nos últimos anos, promove a conscientização da ciência homeopática para a criação de animais de produção de alimentos. Hoje, graças ao contato com a mídia no Brasil, a homeopatia é reconhecida como uma ferramenta na produção animal. Tal avanço é importante para a produção convencional em todas as espécies, como também na produção orgânica de alimentos de origem animal e vegetal.
Iniciam-se, a partir de 1996, no Brasil, diversas divulgações científicas da Homeopatia Agronômica, em teses de doutoramento e mestrado.
Conclusão
Após verificação em diversos países da Europa , da América do Norte, da América Central, concluiu-se que o Brasil é o país que mais avança no estudo, na pesquisa, regulamentação e divulgação da ciência homeopática no mundo. Temos hoje, apontando apenas o rebanho bovino tratado com medicamentos homeopáticos, aproximadamente 1,6 milhão de animais. Porém estima-se, entre aves, ovinos, suínos e caprinos, mais 1 milhão de animais tratados. Deve-se ao espaço limitado deste veículo qualquer omissão a nomes de médicos veterinários, eventos, associações de classe ou cursos.
Maria do Carmo Arenales é especialista em homeopatia pelo CRMV, Bióloga e graduanda em Agronomia arenales@homeopatianimal.ind.br
por Maria do Carmo Arenales
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