Genética/Clonagem/Terapia gênica - Vacina de DNA: uma nova geração de imunobiológico
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Genética/Clonagem/Terapia gênica

Vacina de DNA: uma nova geração de imunobiológico

11/07/2005

 

Quando nossos netos e bisnetos forem vacinados com DNA, certamente estarão sendo tratados melhores do que nós vacinados com as vacinas tradicionais

Eloi S. Garcia é pesquisador e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, membro da Academia Brasileira de Ciências. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":

Vacinas são antígenos produzidos por microorganismos mortos ou "atenuados" ou por subunidades vacinais, antes de serem inoculados nas pessoas para protegê-las da infecção.

As subunidades vacinais são produzidas por componentes estruturais dos agentes (vírus ou bactéria) infecciosos.

Essas subunidades são proteínas ou polissacarídeos obtidos dos microorganismos causadores das doenças e "reconhecidas" pelo sistema imune produzindo anticorpos.

Por exemplo, pode-se usar como subunidade vacinal um antígeno protéico encontrado na superfície do vírus da hepatite B.

Ou seja, o sistema imune "responde" a esta proteína vacinal de maneira semelhante a que "responderia" ao vírus completo da hepatite B.

As vacinas "mortas" ou as subunidades vacinais têm a vantagem de evitar a reversão da "atenuação" do microorganismo, o que pode tornar o agente vacinal em causador da doença.

As subunidades vacinais ainda têm a vantagem de causar menor efeito colateral se comparadas às duas outras formas de vacinas.

A reação do sistema imune a uma infecção depende de resposta humoral e celular. A primeira envolve a produção de anticorpos, que como mísseis biológicos, atacam o agente infeccioso.

Quando o sistema imune "reconhece" o microororganismo morto ou alguma molécula do agente infeccioso, a resposta humoral é desencadeada.

As doenças virais ativam a resposta celular e esta, como a infantaria, age e envolve o microorganismo para combatê-lo.

As vacinas virais "atenuadas" induzem a resposta celular porque os vírus chegam a infectar células, e estas passam a produzir proteínas virais que ativando a produção de anticorpos.

O que são vacinas de DNA? São moléculas de DNA, que combinam o que há de melhor nos imunobiológicos tradicionais.

Ou seja, são vacinas menos complexas em termos estruturais e que produzem melhor imunidade nos indivíduos.

As vacinas de DNA agem como subunidades vacinais, e desde que codifiquem somente proteínas imunizantes específicas, são mais seguras e possui efeito colateral mínimo.

Entretanto, diferentemente das subunidades vacinais, a vacina age como uma vacina "atenuada" devido o DNA penetrar nas células e produzir proteína imunizante específica.

A vacina de DNA mimetiza uma infecção viral, sendo que a proteína viral imunizante é induzida pelo DNA vacinal.

Além de serem mais efetivas do que as vacinas "mortas" e subunidades vacinais e mais seguras do que as vacinas "atenuadas", as vacinas de DNA são baratas, rápidas de produzir e estáveis.

Em um país tropical como o nosso, as vacinas tradicionais são transportadas para mais de 5.000 municípios e mantidas em recipientes refrigerados dispendiosos.

As vacinas de DNA são resistentes à temperatura ambiente, e podem ser transportadas para qualquer canto do país de modo mais prático e mais barato.

A vacina de DNA é produzida em laboratório básico de biologia molecular, onde é desenvolvida em cultura de bactéria.

Posteriormente, extrai-se e purifica-se o DNA infectante da bactéria, podendo assim o DNA ser inoculado no paciente.

Devido à complexidade estrutural dos microorganismos torna-se difícil o desenvolvimento de vacinas tradicionais.

Utilizando-se a tecnologia do DNA podem tornar-se mais fácil conseguir vacinas contra malária, doença de Chagas, esquistossomose, Leishmaniose e dengue.

A utilização comercial das vacinas de DNA para combater as nossas endemias deve demorar de cinco a dez anos.

No entanto, quando nossos netos e bisnetos forem vacinados com DNA, certamente estarão sendo tratados melhores do que nós vacinados com as vacinas tradicionais.

artigo de Eloi S. Garcia

 

Jornal da Ciência- SBPC


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