Antienvelhecimento/Longevidade - Humanidade vive processo de envelhecimento
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Antienvelhecimento/Longevidade

Humanidade vive processo de envelhecimento

23/07/2005

Especialistas apontam que população é menos fecunda e vive mais

A população do planeta deveria estabilizar-se em torno de 9 bilhões de indivíduos em 2050, longe dos 15 bilhões que haviam sido anunciados há cinqüenta anos. A Índia vai ter uma população maior que a da China, cujos habitantes vão envelhecer rapidamente. A Aids não impedirá a África de duplicar seu número de habitantes...

Reunidos de 18 a 23 de julho em Tours (280 km ao sudoeste de Paris) para o 25º Congresso internacional da População, dois mil pesquisadores lançam um alerta contra o envelhecimento generalizado da população.

O envelhecimento não diz respeito apenas aos países desenvolvidos, uma vez que ele já está ameaçando a Ásia. Em contrapartida, a explosão demográfica do planeta não vai acontecer: a população mundial deverá alcançar 9 bilhões em 2050, longe dos 15 bilhões que haviam sido anunciados cinqüenta anos atrás.

A população indiana deverá superar a da China. A proporção entre homens e mulheres vem decrescendo perigosamente, uma vez que os indianos querem ter meninos. A epidemia de Aids não deverá impedir a África de ver sua população duplicar daqui até 2050. Os russos são vítimas do abuso de álcool. A França conserva uma natalidade dinâmica em relação aos seus vizinhos europeus.

"A diminuição da fecundidade e o alongamento da duração da vida estão provocando um envelhecimento demográfico generalizado do planeta". Esta é a advertência que foi lançada por cerca de dois mil pesquisadores --demógrafos, economistas, sociólogos, geógrafos, urbanistas, especialistas em saúde pública-- reunidos de 18 a 23 de julho em Tours, para o 25º Congresso Internacional da População.

As suas projeções desenham, para as próximas décadas, o rosto de uma população mundial de crescimento bem mais lento, cuja esperança de vida terá aumentado e um planeta no qual as desigualdades entre o Norte e o Sul continuarão bastante pronunciados.

Neste mesmo relatório, estes congressistas contrariam dissipam uma boa quantidade de idéias prontas.

Como será a humanidade de amanhã e quais serão as suas principais características. Haverá de dois a quatro bilhões de terráqueos a mais. Há pouco tempo ainda, os demógrafos pintavam uma Terra povoada, em meados do século 21, por 15 bilhões de indivíduos.

As suas previsões foram revistas para baixo. Em 2050, a população mundial, atualmente de 6,5 bilhões de pessoas, deverá situar-se entre 7,6 bilhões (variável reduzida das projeções das Nações Unidas) e 10,6 bilhões (variável elevada). No curto e no médio prazo, a subsistência destes 2 a 4 bilhões de seres humanos suplementares constitui o principal desafio ao qual estão e serão confrontados os governos.

Crescimento desigual

Tanto mais que este crescimento será distribuído de maneira muito desigual. Globalmente, ele se dará, sobretudo, nos países do Sul. Singularmente, ele será mais importante na África, que --ao contrário do que muitos costumam pensar, considerando-se a devastação causada pela Aids-- deverá ver a sua população quase duplicar, para alcançar 1,5 bilhão de habitantes.

Muito atingida pela pandemia, a África do Sul corre o risco de ver a sua população diminuir, passando de 44 para 31 milhões, enquanto a do Níger, relativamente poupada pela pandemia, deveria quadruplicar para alcançar 47 milhões.

"Oito a dez bilhões de humanos, é muito, mas dá para gerenciar tais quantidades", estima Catherine Rollet, a presidenta do comitê de organização do congresso. "É preciso analisar em profundidade a maneira como os recursos são distribuídos pelo mundo".

No longo prazo, é a desaceleração do crescimento demográfico que preocupa os especialistas. A taxa anual de crescimento da população mundial, após ter culminado a mais de 2% no final dos anos 60, desde então não parou de diminuir, até acabar caindo para 1,2% durante o período que vai de 2000 a 2005. Até meados deste século, a curva demográfica deverá se inverter e a população mundial começar a diminuir, como resultado de uma fecundidade reduzida.

Mais da metade da humanidade vive num país onde a fecundidade é inferior a 2,1 filhos por mulher, ou seja, um nível que garante a substituição das populações, conforme sublinham os especialistas em estatísticas.

Este fenômeno não está mais limitado aos países desenvolvidos, mesmo se é neles que ele se dá de maneira mais marcante, assim como ocorre no Japão (1,3 filho por mulher) e na União Européia (1,4). Ele também atinge os países em desenvolvimento, em particular a China (1,6).

Enquanto a Índia resiste melhor, com um índice nacional de 3, a renovação das gerações não está mais garantida em vários dos seus Estados. Em contrapartida, a fecundidade permanece elevada em muitos países africanos, entre os quais o recorde pertence ao Níger (8 filhos por mulher).

Tratar-se-á de uma tendência passageira?

As Nações Unidas consideram, ao contrário, que a "fecundidade muito baixa poderia perdurar". Assim, elas passaram a trabalhar, nas suas projeções para o meio-século que está por vir, com a hipótese de uma taxa mundial provável de 1,8 filho por mulher.

A esperança de vida continuará a crescer, mas de maneira desigual. A duração de vida aumenta em todos os continentes e as diferenças entre eles diminuem. Ao longo dos últimos cinco anos, ela progrediu, chegando a um aumento de quase dois anos no sul da Ásia, ou seja, duas vezes mais do que na Europa ocidental. Mas, os contrastes muito pronunciados persistem.

Envelhecimento mais rápido

Enquanto os japoneses, que são os campeões do mundo da longevidade, têm uma esperança de vida ao nascerem de 82 anos, muitos habitantes do continente africano nem sequer alcançam a metade desta idade. Nos países os mais atingidos pela Aids, a esperança de vida vem regredindo severamente (queda de 14 anos na África do Sul e de 20 anos no Zimbábue).

A Zâmbia detém o recorde da esperança de vida a mais curta: 37 anos. A Rússia e a Ucrânia permanecem alheias ao progresso, com resultados medíocres de 65 e 68 anos.

Será que num futuro próximo, ser centenário ou super-centenário (mais de 110 anos) se tornará a norma? Nem os demógrafos nem os médicos conseguem responder a esta pergunta.

Contudo, estamos assistindo a uma transformação do quadro das mortes. Nos países os mais avançados, a mortalidade por causas cardiovasculares vem recuando, enquanto as diferentes formas de câncer estão a ponto de se tornarem a principal causa de mortes.

Na maioria dos países em desenvolvimento, as doenças cardiovasculares e os cânceres estão prestes a se tornar as causas de morte dominantes, superando as doenças infecciosas agudas.

Por fim, está havendo um envelhecimento marcado da população. Segundo as Nações Unidas, a proporção de pessoas que têm mais de 60 anos na população mundial, atualmente de 10%, aumentará para 21 % em 2040.

A idade mediana aumentará, neste mesmo período de tempo, de 26 para 37 anos. Inelutável, o envelhecimento não poupará nenhuma região do globo.

Enquanto na França, foi preciso de um século para que a proporção das pessoas que têm mais de 65 anos passe de 8% para 15 %, a China viverá esta brutal transformação no período de vinte anos apenas, entre 2010 e 2030. Conforme insistem os demógrafos reunidos em Tours, esta será "uma das mudanças sociais entre as mais importantes do século 21".

"Os sistemas de aposentadoria dos países do Norte precisam evoluir para garantir condições de vida tão favoráveis quanto as de hoje para os idosos de amanhã. Mas o verdadeiro desafio se situa nos países do Sul", avisam os especialistas.

"O envelhecimento demográfico nestes países vai ser muito mais rápido do que no Norte, enquanto a solidariedade familiar vem sendo solapada sem que uma solidariedade coletiva venha substituí-la. Esta última precisa ser reinventada, para evitar que os adultos de hoje terminem sua vida na miséria".

Le Mond, 22/07/05


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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