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Ginecologia/Mulher

Histerectomia e indicações

25/07/2005

Sumário do guideline:

Clinical Practice Guideline for Hysterectomy - Gynaecology Committee of Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada. December, 1995

Responsável pelo sumário:

Dr. Rodolfo Milani Jr, médico assistente-doutor do Serviço de Clínica Médica Geral. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Destaques
1. Histerectomia é raramente indicada em pacientes assintomáticas com leiomiomas.
2. Tratamento clínico é a primeira opção na hemorragia uterina disfuncional. Histerectomia é indicada quando existe falha no tratamento clínico.
3. Histerectomia por via vaginal é preferida nos casos de doenças benignas.

Doenças benignas

Leiomiomas: tumor ginecológico mais freqüente (30% do total de mulheres em idade reprodutiva). Histerectomia raramente indicada para pacientes assintomáticas. Leiomioma raramente causa dor pélvica e outras causas devem ser pesquisadas. Histerectomia não oferece alívio para sintomas de incontinência urinária na presença de miomas. Histerectomia indicada em caso de falha no tratamento clínico, crescimento rápido, sangramento com anemia ou dor, particularmente em pacientes que não desejam ter mais filhos. Análogos do GnRH podem reduzir volume do mioma; custo e efeito hipo-estrogênico são inconvenientes do medicamento.

Hemorragia uterina disfuncional: sangramento endometrial sem causa anatômica. Avaliar etiologia não-ginecológica (disfunção da tiróide, coagulopatia), gravidez e outras patologias ginecológicas. Avaliar possibilidade de biópsia ou curetagem de endométrio para exclusão de hiperplasia ou carcinoma de endométrio em pacientes na peri-menopausa.

Tratamento clínico é a primeira alternativa para a hemorragia uterina disfuncional. Opções incluem inibidores da síntese de prostaglandinas, contraceptivos orais, progestágenos, danazol e análogos GnRH. Histerectomia é indicada após insucesso com a utilização de uma ou mais opções clínicas.

Endometriose: histerectomia deve ser considerada quando:

  • sintomas significativos, particularmente dor intratável.
  • insucesso do tratamento clínico.
  • fertilidade não é mais desejadada.

Dor pélvica crônica: existem poucas evidências para a utilização da histerectomia nos casos dor pélvica idiopática.


Doenças pré-invasivas

Histerplasia endometrial com atipias: a maioria das pacientes com hiperplasia endometrial e sem atipias respondem a manipulação hormonal com progestágenos. Entretanto, 25% das pacientes com hiperplasia endometrial com atipias desenvolvem câncer endometrial após 4 anos de acompanhamento. Histerectomia, portanto, é indicada nessa condição.

Neoplasia intra-epitelial cervical: não é indicação, por si só, de histerectomia. Outros procedimentos ablativos são primariamente indicados.

Adenocarcinoma cervical in situ: histerectomia simples é uma opção de tratamento quando doença invasiva foi excluída.


Doenças invasivas

Histerectomia é incluída no tratamento ou estadiamento do carcinoma uterino, cervical, de ovário e tubário.


Condições agudas

Hemorragia pós-parto: histerectomia é indicada quando tratamento clínico não tem sucesso em controlar o sangramento.

Abcesso tubo-ovariano: histerectomia pode ser incluída no tratamento dessa condição quando não há resposta clínica aos antibióticos.

Hemorragia uterina aguda: histerectomia pode ser indicada quando existe refratariedade ao tratamento clínico.

Nota: considerar histerectomia por via vaginal como primeira escolha para patologia benigna.

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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