A glicose-6-fosfato formada no início da glicólise pode ser desviada para a via das pentoses ou shunt da hexose-monofosfato (10% da glicose). Nesta via, a glicose-6-P sofre ação da G6Pdesidrogenase, formando a 6-fosfo-gluconato. Com isso há restauração do NADPH.
O NADPH tem por função:
- É coenzima da glutation-redutase , que assegura regeneração do glutation reduzido GSH . O GSH ( reduzido) é usado pela glutation peroxidase na eliminação do peróxido de hidrogênio ( oxidante potente) na hemácia evidanto a oxidação da membrana plasmática da hemácia, das globinas e proteínas estruturais ( que causaria grave instabilidade para a célula).
- É coenzima da metaemoglobina redutase acessória, que serve para manter o heme com ferro na forma reduzida Fe++. Na def. da G6PD, a metemoglobina (não reduzida), persiste e precipita formando os corpúsculos de Heinz ( lembre-se que estes predispõem a hemólise, pois é facilmente fagocitável).
É uma doença ligada ao cromossoma X. Portanto, só mulheres podem transmitir a doença.
Um a cada 100.000 pessoas na Europa. 10% dos negros americanos tem a variante africana (classe III).
Corpúsculos de Heinz observados no período precoce do quadro ( após um dia do quadro, o baço já removeu as hemácias que tem o corpúsculo) , pelo corante crital violeta.
VARIANTES:
CLASSE I
Exclusivo da raça branca. Hemólise freq. motivadas por ingestão de drogas ou mesmo infecções. A infeção é um processo oxidante para a hemácia. A G6PD é 5 % mais baixa que o normal.
CLASSE II
Ocorre em gregos, italianos, judeus , turcos. 50% da pop. masculina são severamente sensíveis à FAVA e drogas oxidantes. Alcança 1 a cada 1000 europeus.
A G6PD é 10 % mais baixa que o normal.
CLASSE III
Acomete raça negra, 10% da pop. negra norte-americana.
A G6PD é 10 a 60 % mais baixa que o normal.
Manifestações clínicas
Crise hemolítica aguda quando exposto a agentes oxidantes, como drogas, surgindo 24 a 48 hrs após ingerir. Queda rápida do hematócrito, com elevação da bilirrubina indireta e queda da haptoglobina e elevação da hemoglobinemia.
Mal estar precordial, calafrios, cefaléia, náuseas e vômitos, confusão mental, dor lombar, hematúria, alteração da dinâmica cardiorrespiratória.
Algumas pessoas possuem hemólise crônica mesmo na ausência de agentes oxidantes, mas costumam ser fulminantes após a exposição a drogas.
Drogas que podem levar a crise:
- Antimaláricos
- Naftalina
- Sulfametoxazol (Bactrim)
- Sulfonas
- Sulfanilamina
- Nitrofurantoína
- Nitratos e nitritos
- Fenilhidralazina
- Azul de toluidina ( corante no estudo radiológico das vias linfáticas).
- Analgésicos ( acetanilida)
- Vitamina K forma hidrossolúvel, ácido nalidíxico
| TABLE 469–1. Agents Precipitating Hemolysis in Glucose-6-Phosphate Dehydrogenase Deficiency |
Medications
Antibacterials
Sulfonamides
Trimethoprim-sulfamethoxazole
Nalidixic acid
Chloramphenicol
Nitrofurantoin
Antimalarials
Primaquine
Pamaquine
Chloroquine
Quinacrine
Others
Phenacetin
Vitamin K analogs
Methylene blue
Probenecid
Acetylsalicylic acid
Phenazopyridine |
Chemicals
Phenylhydrazine
Benzene
Naphthalene
Illness
Diabetic acidosis
Hepatitis |
Tratamento: hemotransfusão na crise. Previnir as drogas citadas acima. Esplenectomia só em casos especiais.
Defeitos na via de Embden-Meyhof ( ou glocólise)
Mais comum é a def. de piruvatoquinase ( PK), que produz ATP no catabolismo do fosfoenolpiruvato, formando piruvato.
O ATP assegura o funcionamento da bomba de sódio ( mantém gradiente osmótico). E também é importante para manutenção dos lipídios da membrana. Mantém o func. da bomba Ca/Mg evitando calcificação da MP.
O déficit de ATP provocará alterações na membrana do eritrócito, com tendência a hiperhidratação, com formação de esferócitos e destruição da célula ( anemia crônica (hemograma típico) semelhante a esferocitose).
Transmissão hereditária autossômica recessiva. A hemólise crônica atrapalha o desenvolvimento da criança, por isso esta indicado aqui a esplenectomia.