Hudson de Lima
A Fitoterapia, é a forma mais antiga de tratamento da HPB, havendo relatos do seu uso em papiros egípcios datados do século 15 A.C.. Seu uso é amplamente difundido na Europa há vários séculos, sendo que na Alemanha cerca de 90% dos pacientes com HPB são tratados com drogas fitoterápicas. Embora nos Estados Unidos esta prática não seja comum, dados demonstram um aumento do uso destas drogas em virtude da popularização das lojas naturalistas (Natural health food). No Brasil, infelizmente não dispomos de dados estatísticos que indiquem o percentual de indivíduos com HP tratados com estas drogas.
O principal atrativo para o seu uso recai no fato de serem naturais e de não apresentarem efeitos colaterais adversos. Existe uma grande variedade de extratos de plantas que são utilizados para o tratamento da HPB. Na tabela abaixo são mostrados as principais drogas fitoterápicas utilizadas.
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Principais agentes fitoterápicos |
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Nome científico |
Nome da planta |
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Pygeum africanum Populus tremula Urtica dioica Serenoa repens Echinacea purpuracea Cucurbita pepo Secale cereale Hipoxis rooper |
Ameixa africana Aspen Urtiga Palmas de sago Flor da pinha púrpura Sementes de abóbora Centeio Grama da estrela sul-africana |
É descrito que a maioria destas drogas contém triterpenos, ácidos graxos livres e alcóois graxos livres. Os triterpenos são os mais comuns de onde se destacam o sitosterol, o tocoferol, o lupinol, e o lupoxin.
Os principais mecanismos de ação propostos para as drogas fitoterápicas são:
1. Efeito antiandrogênico;
2. Efeito antiestrogênico;
3. Diminuição da SHBG (Globulina transportadora de hormônios sexuais);
4. Inibição da linhagem de células derivadas da próstata;
5. Inibição do fator de crescimento básico de fibroblasto (BFGF);
6. Inibição do fator de crescimento epidermal (-EGF);
7. Interferência no metabolismo das prostaglandinas e leucotrienos com efeito descongestionante e antiinflamatório local;
8. Inibição da 5 redutase;
9. Inibição da 3 e 3-OH esteróide oxidoredutase;
10. Inibição da 3H-metol-trielenona;
11. Aumento da complacência vesical.
Inúmeros trabalhos são encontrados na literatura referindo melhora da sintomatologia em até 60 a 80% dos pacientes, porém uma análise crítica destes deve ser feita.
A maioria destes estudos foram realizados com um pequeno número de pacientes não controlados por grupo controle, e sabemos através da literatura que o efeito placebo pode levar a uma melhora da sintomatologia em até 40 a 60% dos casos. Pouco se conhece a respeito da farmacocinética destas drogas, pois em sua maioria não sabemos quais substâncias existem nelas. Desta forma é impossível fazer qualquer comparação entre estes agentes e drogas conhecidas quimicamente. A dosagem utilizada nestes estudos foram extremamente altas, e consequentemente deveriam estar em níveis suprafisiológicos, o que não tem relevância clínica. E finalmente, a maioria destes estudos não apresentou critérios para analisar ou avaliar de forma objetiva a melhora destes pacientes tratados com estas drogas, seja através de IPSS, fluxo urinário ou volume prostático, limitando-se a avaliar apenas a melhora subjetiva dos pacientes.
Conclui-se que a fitoterapia na HP carece de estudos multicêntricos controlados com grupo placebo para avaliar sua real eficácia, não sendo possível colocar este grupo de medicamentos ao mesmo nível de importância dos -bloqueadores e da finasterida, pois estes últimos são drogas com comprovada eficácia descrita através de inúmeros trabalhos multicêntricos controlados de uma forma imparcial.
BIBLIOGRAFIA
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