O uso da yohimbina como estimulante sexual iniciou-se há bastante tempo, ainda nos anos de 1980. Porém, a partir de 1997, houve uma redescoberta da substância por parte dos cientistas. Essa descoberta gerou uma série de publicações nas principais revistas médicas americanas e européias e a evidência de seus efeitos benéficos recolocam a droga entre as alternativas existentes para tratamento da disfunção erétil.
I - Origem:
Quimicamente a Yoimbina é um alcalóide extraído da árvore Corynanthe yohimbi e suas preparações constam de importantes farmacopéias (França, Espanha, Áustria e Tchecoslováquia). Durante os anos 80 importantes trabalhos foram publicados com esse fitoterápico em revistas médicas conceituadas ("A review of the use of yohimbine in impotence - Lancet, 1986, 2, 1194) e contribuíram para despertar o interesse na planta.
II - Farmacologia:
A yohimbina funciona como um bloqueador adrenérgico (receptores alfa-2) e todas as suas ações farmacológicas derivam dessa propriedade. Considerando que o efeito adrenérgico sobre os corpos cavernosos é o de contração (esvaziamento do pênis), os bloqueadores adrenérgicos, desde que apresentem seletividade, podem, de fato, auxiliar no tratamento da impotência psicogênica.
III - Atualização:
Entre 57 publicações relacionando yohimbina com disfunção erétil, pelo menos 8 são relevantes e mostram que a droga é eficiente para o tratamento desses casos.
1. "A possível interação da yohimbina com o sistema dopaminérgico na mediação do comportamento sexual em ratos machos sexualmente exauridos foi cientificamente investigada. Os efeitos sobre o comportamento sexual dos animais foi avaliado com injeções simultâneas de yohimbina contra apomorfina, ambos neutralizados posteriormente por haloperidol, um bloqueador dopaminérgico não específico... RESULTADOS: o tratamento combinado com doses alternadas de yohimbina e apomorfina reverteu a inibição característica da exaustão sexual nos ratos machos em estudo. Os dados sugerem que o sistema dopaminérgico pode ser a via final para a expressão do comportamento sexual induzido por yohimbina em ratos saciados sexualmente."
"Yohimbine interacts with the dopaminergic system to sexual satiation: further evidence for a role of sexual motivation in sexual exaustion" - Rodriguez, M.G.; Depto. Farmacol. Y Toxicologia, CINVESTAV, México, DF. México - European Journal of Pharmacol., 1999, may.
2. "Disfunção erétil é um problema comum, particularmente em diabéticos. Ela está associada com uma considerável carga de sofrimento - não existe um tratamentocom drogas de forma amplamente aceita. Nós revisamos sistematicamente todos os testes randomizados e placebo controlados com yohimbina em monoterapia, na disfunção erétil, para determinar a eficácia. Por outro lado, avaliamos a segurança da yohimbina. RESULTADOS: 7 testes preencheram nossos critérios de inclusão e sob todos os aspectos esses estudos foram satisfatórios. Nossa análise demonstrou que a yohimbina é superior ao placebo no tratamento da disfunção erétil. Os efeitos adversos foram pouco freqüentes e reversíveis. O benefício da medicação com yohimbina na disfunção erétil mostra ser superior aos riscos. Portanto, yohimbina tem a credibilidade de ser uma adequada opção terapêutica pra a disfunção erétil e poderia ser considerada como uma intervenção farmacológica inicial".
"Yohimbine for erectile dysfunction: asystematic review and meta-analysis of randomized clinical trials" Ernst E & cols; J. Urol. 1998, Feb. 433.
3. "Foram avaliados homens com disfunção erétil, tratados com placebo e doses elevadas de cloridrato de yohimbina. Foram selecionados 22 pacientes com media de idade em torno de 58 anos para tratamento na clínica de andrologia. Os pacientes sofreram uma avaliação neurológica, vascular, hormonal e psicológica e foram tratados com placebo e um dose única oral de 100mg de yohimbina, durante 30 dias... Os efeitos colaterais mais comuns foram ansiedade, aumento na freqüência cardíaca, aumento na diurese e dores de cabeça - porém nenhum tratamento foi descontinuado. RESULTADOS: 15 dos 22 pacientes relataram total ou parcial melhora com o tratamento. Entretanto, a análise estatística não apontou diferenças significativas entre placebo e yohimbina 100mg/dia via oral".
"Therapeutic effects of high dose yohimbine hydrochloride on organic erectile dysfunction" - Teloken, C & cols. - J. Urol. 1998, jan; 159.
4. "A casca da árvore da yohimbina há muito é usada como afrodisíaco. Estudos recentes mostraram que a yohimbina é efetiva no tratamento sintomático da disfunção erétil. Ela é superior a placebo e apresenta poucos efeitos colaterais, se compararmos aos tratamentos invasivos da disfunção erétil. Pode-se concluir que yohimbina é uma atrativa opção para tratamento sintomático da disfunção erétil"
"Yohimbine in therapy of erectile dysfunction" - Pitler M.H., Dept. Of Complementary Medicine, Postgraduate Medical School, University of Exeter, United Kingdom - Fortschr Med. 1998, jan.
IV - TOXICIDADE e TOLERÂNCIA:
A dose mais presente na literatura médica com a yohimbina é de 5,4mg (16,2mg/dia) por via oral. Em um teste(2) 100mg/dia não apresentaram efeitos graves, em outros (1) doses injetáveis elevadas (0,5mg/kg de peso) em animais de laboratório foram bem toleradas. Recomenda-se a dose máxima por vez de 18mg.
V - EFEITOS COLATERAIS:
Sendo um bloqueador alfa-2 adrenérgico os principais efeitos da superdosagem são: taquicardia, diurese e sudorese aumentadas, dores-de-cabeça. Com 36mg/dia em humanos apenas 7% apresentaram efeitos adversos.