O neuroblastoma é o segundo tipo de tumor mais comum da infância. Não se sabe se o screening para neuroblastoma na idade de um ano reduz incidência de doença metastática ou mortalidade associadas com neuroblastoma.
Métodos: nós oferecemos screening urinário para neuroblastoma na idade aproximada de um ano a 2.581.188 crianças em seis dos dezesseis estados da Alemanha de 1995 a 2000. Um total de 2.117.600 crianças elegíveis no restante dos estados serviram como controle. Comparamos os dois grupos em termos de incidência de doença disseminada e mortalidade devido a neuroblastoma.
Resultados: um total de 1.475.773 crianças (61,2% daquelas nascidas entre 01 de julho de 1994 e 31 de outubro de 1999) fizeram o screening. Neste grupo, neuroblastoma foi detectado através do screening em 149 crianças, das quais 3 morreram. Cinqüenta e cinco crianças que tiveram testes de screening negativos subseqüentemente receberam um diagnóstico de neuroblastoma; 14 dessas crianças morreram. O grupo submetido ao screening e as crianças do grupo controle tiveram uma incidência similar de neuroblastoma estadio 4 (3,7 casos por 100.000 crianças triadas [intervalo de confiança 95%: 2,7 a 4,7] e 3,8 por 100.000 controles [intervalo de confiança 95%: 2,9 a 4,6] e uma taxa de morte similar entre crianças com neuroblastoma (1,3 mortes por 100.000 no grupo triado [intervalo de confiança 95%: 0,7 a 1,8] e 1,2 por 100.000 nos controles [intervalo de confiança 95%: 0,7 a 1,7]. Comparação entre as crianças triadas e as crianças controles revelou um supra diagnóstico substancial no primeiro grupo (uma taxa estimada de 7 casos por 100.000 crianças [intervalo de confiança 95%: 4,6 a 9,2]); a taxa de supra diagnóstico representa crianças que tinham neuroblastoma diagnosticado pelo screening mas que não se beneficiariam do diagnóstico e tratamento mais precoces.
Conclusões: os achados apresentados não dão suporte à utilidade do screening geral para neuroblastoma em crianças com um ano de idade.
Freimut H. Schilling, Claudia Spix, Frank Berthold, et al
N Engl J Med 2002; 346: 1047-53