Dermatologia/Pele - Lúpus eritematoso cutâneo e a talidomida
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Dermatologia/Pele

Lúpus eritematoso cutâneo e a talidomida

30/09/2005

 

 

O lúpus eritematoso tem a forma cutânea, também chamada de discóide, que é uma doença muito mais benigna do que o lúpus eritematoso sistêmico (LES), como diz o próprio nome agride as estruturas internas do organismo, rins, coração, cérebro, pulmões etc... Entretanto, existem raros casos em que as lesões são predominantemente cutâneas, mas existem também agressões
de órgãos internos ao mesmo tempo. Tamara Housman e colaboradores, dermatologistas da Wake Forest University School of Medicine da cidade de Winston-Salem, no estado da Carolina do Norte, compararam 29 pacientes que estavam
em tratamento para manifestações cutâneas refratárias do LES a medicamentos convencionais (principalmente os antimaláricos) pertencentes ao grupo A, e 23 que tomaram talidomida, 100mg/dia,
por 1 ou mais meses, que pertenciam ao grupo B, tinham as mesmas lesões cutâneas. Dos 23 pacientes do grupo B, 17 (74%) apresentaram resolução completa das manifestações cutâneas do LES, 3 pacientes (13%) apresentaram pelo menos 75% de melhora parcial, e 3 (13%) tiveram menos de 75% de melhora clínica. Dos 23 pacientes do
grupo B que apresentaram uma resposta parcial ou completa, 21 (91%) o fizeram dentro de 8 semanas após início de talidomida. Os autores concluem que talidomida em baixas doses, deve ser levada em consideração em casos de lesões do LES, resistentes a drogas anti-maláricas. Há 40 anos a talidomida causou uma grande controvérsia, em milhões de casos de defeitos congênitos que causaram em neonatos, cujas mães usaram a droga como sedativo, ou no tratamento de lepra. Mas estudos dessa medicação continuaram, e sua poderosa ação anti-inflamatória foi reconhecida e a Agência Americana FDA, que controla os medicamentos reconheceu essa capacidade anti-inflamatória do medicamento, e autorizou o uso contra a hanseniase (lepra). Estudos periódicos são publicados mostrando
a eficácia no tratamento de lesões cutâneas resistentes de LES, que em 90% em média melhoram, mas em aproximadamente em
15-20% optam com doses de 50-400 mg por dia. A medicação traz efeitos colaterais sobre os nervos periféricos, e sobre a possibilidade da mulher engravidar (o lúpus é uma doença predominantemente feminina). A talidomida parece ser um medicamento efetivo para tratar manifestações cutâneas de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), por ser um agente anti-inflamatório e imunomodulador que inibe a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-a).
Mas essa droga é reservada como terapia de segunda linha, devido ao custo para o paciente, e a sua teratogenicidade e outros efeitos colaterais como neuropatia periférica. Nos Estados Unidos o médico que usa esse medicamento, deve-se registrar um termo de responsabilidade do médico
e a paciente, sobre o perigo que representa essa medicação caso a paciente engravide.

 

 Arch Dermatol 2003;139:50-54- RAM


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