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Estudo mostra que 17,67% dos pacientes analisados apresentaram mais chances de morte em decorrência de distúrbios depressivos. Exercícios físicos adequados são o caminho para a regressão do quadro de artrite e retomada da qualidade de vida
Especialistas concluíram que a depressão pode aumentar o risco de mortalidade em pacientes com artrite reumatóide, que é uma inflamação do tecido sinovial (membrana que reveste a articulação). Um estudo realizado desde 1981 pela Universidade de Indiana, nos EUA, aponta que dos 1290 pacientes analisados, 228 (17,67%) tinham perfil depressivo e se tornaram duas vezes mais suscetíveis à morte do que os 1602 pacientes (82,33%) que foram caracterizados como não-depressivos.
No Brasil, cerca de 5,4 milhões de pessoas sofrem de artrite reumatóide, que amplia os riscos de enfarto, além de diminuir a qualidade de vida das pessoas. A incidência da doença é ainda maior no inverno, juntamente com os distúrbios depressivos, devido às baixas temperaturas e à umidade.
"O diagnóstico e o tratamento adequado da depressão, como novos medicamentos, terapia e exercícios, podem melhorar a saúde física e mental de pacientes com artrite reumatóide. Quando tratada precocemente, a artrite reumatóide tem menos chances de causar danos e destruição articular com posterior deformidade", afirma Evelin Goldenberg, mestre e doutora em reumatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM).
Série intensiva de exercícios pode reverter artrite reumatóide severa
Aumentar a massa livre de gordura sem alterar o índice de massa corpórea ou o peso total do paciente: esse é o objetivo do Treinamento de Resistência Progressiva. Segundo estudo da Universidade de Wales-Bangor, no Reino Unido, que se baseou em análise de um grupo de 20 pessoas durante 12 semanas, os 10 pacientes que utilizaram esse treinamento obtiveram um aumento significativo da massa muscular sem alteração do peso, com exercícios de resistência para os braços e as pernas. A pesquisa mostrou que os pacientes que passaram pelo treinamento tiveram menos dificuldades para realizar suas tarefas diárias do que aqueles que não utilizaram esse tratamento e continuaram com os cuidados usuais em relação à doença.
A artrite reumatóide leva à atrofia e, por isso, os exercícios intensivos têm se mostrado um tratamento efetivo para as complicações do metabolismo provocadas pela doença. Aumentar a massa muscular, auxilia a estabilizar a musculatura e, conseqüentemente, reduz o dano articular. "Os exercícios são recomendados a pacientes que se encontram em todas as fases da artrite reumatóide, dos quadros leves aos severos. É importante destacar que eles precisam ser orientados por especialistas para se evitar graves lesões, por isso, deve-se tomar cuidado na hora de praticá-los nas academias convencionais. É fundamental que os portadores da doença tenham acompanhamento médico para que o diagnóstico seja feito de acordo com o grau da enfermidade", afirma a Dra. Evelin Goldenberg.
A artrite reumatóide é uma doença inflamatória e auto-imune que pode ser desencadeada por alguns fatores como hereditariedade, distúrbios hormonais e agentes infecciosos. Recentemente, uma pesquisa relacionou a doença ao gene da proteína tirosina fosfatase.
Artrite e gene de proteína
Um estudo recente conduzido no Reino Unido confirmou a associação entre o gene da proteína tirosina fosfatase N22 e a artrite reumatóide. A descoberta envolvendo o gene abre caminho para o entendimento das doenças auto-imunes e para o desenvolvimento de novas terapias.
De acordo com a pesquisa, existe uma mutação do gene da proteína N22 que está associada a quatro doenças auto-imunes: artrite reumatóide, lupus eritematoso sistêmico (que causa lesões na pele e na cavidade bucal, em especial a língua, os lábios, o palato e a mucosa bucal), distúrbios na tiróide e diabetes tipo 1.
Sobre a artrite reumatóide
A doença pode ocorrer em qualquer idade, contudo, se concentra entre os 35 e 55 anos. Por inflamar as articulações, ela prejudica as atividades diárias, em função das dores e da redução da mobilidade. Outros sintomas são a fadiga, rigidez matinal por mais de uma hora, perda de apetite e fraqueza.
A artrite tem incidência nas mãos, punhos, joelhos, quadril, tornozelos, entre outras partes do corpo, além de, em alguns casos, ser o principal desencadeador de pericardite (inflamação da membrana do coração), que pode provocar o enfarto, pleurite (inflamação da membrana do pulmão), e atingir as áreas ocular e neurológica. Pesquisa aponta ainda que no período entre 10 e 15 anos após a descoberta da artrite, 20% dos pacientes apresentam regressão do quadro, e 50% a 70% continuam com a doença ativa; já entre 15 e 20 anos, 10% das pessoas têm alto prejuízo de suas atividades cotidianas.
Evelin Goldenberg é mestre e doutora em reumatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - Escola Paulista de Medicina. Ela defendeu tese de doutorado sobre o tratamento da fibromialgia com acupuntura. É coordenadora do curso de pós-graduação em reumatologia, com ênfase ocupacional do Hospital Albert Einstein, São Paulo, e professora colaboradora da disciplina de Clínica Médica da Unifesp-EPM (mp).
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