Drogas/Vício - Exame testado na USP detecta maconha em fio de cabelo de usuários
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Drogas/Vício

Exame testado na USP detecta maconha em fio de cabelo de usuários

11/10/2005



Um simples fio de cabelo ou outro pêlo do corpo, como os pubianos, das axilas e cílios, pode denunciar quem fuma mais de dez cigarros de maconha por semana. A um custo unitário de R$ 3, o teste químico demora apenas uma hora e meia para ser realizado.

As informações são da bioquímica Carolina Dizioli Rodrigues de Oliveira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da USP, autora de um estudo sobre a detecção dos chamados canabinóides (compostos presentes na maconha) em fios de cabelo.

"Esta técnica já pode fornecer subsídios no esclarecimento de situações onde é necessário evidenciar o uso anterior de cannabis, particularmente em processos criminais", diz.

O teste flagra a presença de substâncias como o THC (tetraidrocanabinol, princípio ativo da cannabis), o canabinol (composto originado pela degradação do THC) e canabidiol (abundante na planta, mas sem atividade metabólica) existentes em cada cigarro fumado.

Mas o teste só é capaz de acusar a presença dos canabinóides nos chamados usuários moderados, que consomem uma quantidade mínima em certo intervalo de tempo. "O uso isolado ou ocasional não é suficiente para detectar as substâncias na amostra", diz a pesquisadora.

Para fins práticos, ele estima com seus dados que o uso superior a dez cigarros semanais possa apresentar positividade no teste. Fatores como o tipo de cabelo, cor, espessura, tratamento cosméticos e outros podem absorver as substâncias de maneira diferente. "São muitas as variáveis não-identificadas que interferem neste processo."

Melhor que teste da urina

Em cerca de uma hora e meia é possível determinar se o usuário fez uso da substância nos últimos meses, segundo a pesquisadora.

"É muito mais rápido que outros métodos convencionais, atualmente utilizados para detecção em sangue e urina", explica.

Estima-se que cada centímetro dos fios acumule registros metabólicos de cerca de um mês e, dependendo do comprimento da amostra, pode-se obter informações de anos atrás.

"É possível comprovar exposições passadas, a longo prazo, que outras amostras como a urina não conseguem."

Auxílio à Justiça

Para ilustrar as aplicações que o método pode ter em processos judiciais, a pesquisadora cita o exemplo de um caso que ocorreu em Campinas em 2003. Na época, um casal teria jogado seus filhos pela janela do carro.

"Como se poderia provar, depois de duas semanas, que estas pessoas estavam sob efeito de drogas?"

Casos de custódia e simples investigações criminosas também poderiam ser influenciados pelos resultados.

"Se alguém nega ser usuário e o teste dá positivo, temos um indício de que esta pessoa pode ter mentido em outras questões", diz.

A aplicação legal do método também não seria muito onerosa aos cofres públicos, segundo a pesquisadora. Tendo os equipamentos para cromatografia e espectrometria de massa, só restaria adquirir as fibras que absorvem os canabinóides.

"O processo todo é relativamente barato. Uma fibra custa cerca de R$300, e podem ser realizados cerca de cem exames com cada."

O estudo foi realizado no Laboratório de Análises Toxicológicas da faculdade, sob orientação da professora Regina Lúcia de Moraes Moreau.

Folha Online

As informações são da Agência USP de Notícias.


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