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O Rio está dando mais um passo para fazer valer as medidas propostas no tratado, assinado há um mês por 190 países, em Genebra, para redução do consumo de tabaco no mundo. Restaurantes da cidade já começam a radicalizar, proibindo definitivamente o fumo. A iniciativa divide a opinião do carioca: há quem defenda o bom convívio entre todos, sobretudo os boêmios. Mas, para os não fumantes, a alternativa de reservar áreas específicas num mesmo espaço não convence mais.
O bom exemplo começou no Leblon, tradicional bairro da boemia. Quem freqüenta restaurantes como o japonês Mirai e o tailandês Nam Thai já sabe que o ambiente é livre de fumaça.
— Não existe convivência harmônica com fumaça. Por isso, resolvi de vez proibir o fumo — explicou Davi Zisman, dono do Nam Thai.
Apesar de ser fumante e médico, Davi optou por manter a qualidade do ar e da comida oferecida aos clientes — não fumantes, é claro:
— O cheiro do cigarro atrapalha o aroma da comida. Quem quiser fumar deve ir para fora: há uma pequena área externa para fumar.
O restaurante é forte concorrente ao prêmio oferecido pelos ministérios da Saúde e do Trabalho aos ambientes livres de cigarro. A premiação é conferida no Dia Internacional de Combate ao Fumo, em agosto, e no ano passado foi conquistada pelo restaurante Felini.
Longe de ganhar o troféu estão os fumacês do bairro, como o Degrau, o Le Coin e o Alvaro’s. O ambiente esfumaçado não deixa dúvida: o reduto é dos fumantes.
— Não tenho espaço para separar fumantes de não fumantes aqui dentro. Como minha clientela fiel é de boêmios, optamos por liberar o cigarro. Alguns reclamam e acabam não voltando — disse Manolo Casal, sócio do restaurante.
Boêmios como Jaguar, Chico Caruzo e João Fontes, freqüentadores assíduos do Alvaro’s, aprovam a decisão.
— Sugiro um leque para os reclamões — retrucou Jaguar que, apesar de não fumar, defende os que fumam — Até escrevi uma crônica com o título “Deixem os fumantes morrerem em paz” — ironizou.
João Fontes, boêmio de carteirinha e presidente da Associação de Moradores do Leblon, diz que o cigarro é um acompanhante da bebida:
— Fumo pouco, mas a fumaça não me incomoda. A melhor solução, ao meu ver, é criar áreas específicas para todos os tipos de clientes. Assim todos ficam satisfeitos.
Chico Caruso, também cliente do Alvaro’s e fumante desde os 20 anos, até gostaria de reduzir o vício, mas defende o convívio em harmonia:
— Os não fumantes precisam pensar nos fumantes. Bar não é igreja! — brincou.
Tabacaria reserva lugar para não fumantes
Mas a onda saudavelmente correta veio pra ficar e atacou até os redutos mais inesperados: a tabacaria Esch Café, com lojas no Centro e no Leblon, resolveu pensar em quem não tem o vício. O espaço dedicado aos apreciadores de charutos agora reserva 20% de sua área, quem diria, aos não fumantes.
— Fazemos parte do Programa Convivência em Harmonia. Por isso, apesar de sermos do reduto de fumantes, respeitamos quem não fuma — disse Edgar Esch, um dos sócios.
O programa mencionado pelo empresário é, segundo Tânia Cavalcanti, coordenadora da Comissão Nacional para o Controle do Uso do Tabaco e chefe da Divisão de Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer, uma artimanha da indústria de cigarros para driblar a lei federal 9.294, de 1996, que proíbe o fumo em recintos públicos, salvo em áreas reservadas:
— O programa é uma estratégia para reduzir o impacto da lei. Uma ameaça a saúde pública — comentou Tânia, que faz um alerta: pesquisa feita na Inglaterra, no ambiente de trabalho, os fumantes passivos são incluídos na lista de risco ocupacional:
— Um risco que mata três vezes mais do que acidente de trabalho, por exemplo
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