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 Além de um excelente condimento, o alho também tem vários benefícios farmacológicos. Agora, mais dois foram acrescentados à lista.
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Até a falecida nona já sabia que alho faz bem para a saúde. E a lista de benefícios médicos associados ao alho não pára de crescer: mais recentemente, pesquisadores canadenses descobriram que alguns compostos encontrados no alho podem ser utilizados no tratamento da malária. Não obstante, o modo de ação destes compostos no organismo pode servir como uma nova estratégia no combate ao câncer!
Ian Crandall, da University of Toronto, revelou no último encontro da ASTMH (American Society of Tropical Medicine and Hygiene), em Atlanta/GA, que o consumo de alho in natura pode inibir o aparecimento da malária. Ele garante ter evidências de que os dissulfetos, que ocorrem naturalmente no alho e na cebola, são os compostos responsáveis. Sabe-se que estes compostos possuem notória atividade antifungal e antibacterial.
Crandall e seu time testaram 11 dissulfetos sintéticos, separadamente, no intuíto de descobrir qual teria atividade contra a malária. Quase todos não mostraram nenhuma atividade contra o parasita Plasmodium falciparum, mas aqueles que apresentaram atividade contra o agente causador da malária também se mostraram capazes de matar células cancerígenas. "We looked at the active compounds to see what they had in common," explica Crandall. "Apparently, P. falciparum-infected cells and these cancer cells seem to have the same susceptibility profile." Ou seja: de alguma maneira, tanto as células infectadas pelo P. falciparum como as células com câncer sofrem com a presença destes dissulfetos.
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 Di-iso-butil dissulfeto, uma das substâncias encontradas no alho
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Os resultados indicam que o modo de ação tem base no sistema celular da glutationa. A glutationa é um complexo enzimático que fica na membrana celular, absorvendo agentes oxidantes dentro da célula, evitando a sua ação deletéria. A forma ativa da glutationa é a reduzida; cada vez que esta captura um agente oxidante, ela se oxida, precisando ser "recarregada" pela célula. Tanto as células cancerígenas como as infectadas por malária sofrem uma replicação bastante acelerada - neste caso, a recarga da glutationa precisa ser ainda mais eficaz. É aí que entram os dissulfetos. O ajoeno, por exemplo, é um dissulfeto encontrado no alho que é conhecido por inibir a enzima glutathione reductase - a responsável pela recarga da glutationa, isto é, sua redução. "Normal cells recharge glutathione and therefore are able to deal with the oxidative stress that normal metabolism generates," explica, novamente, Crandall, "but in the presence of an inhibitor they cannot recharge and therefore are more prone to damage and eventually death."
Além do odor característico do alho, estes dissulfetos podem ser mais uma arma contra a malária e o câncer!