Ginecologia/Mulher - Os espermatozóides na vagina e seu muco
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Ginecologia/Mulher

Os espermatozóides na vagina e seu muco

18/10/2005
 

A vagina ácida, com nível de pH oscilante entre 2,0 e 4,0 é o principal indicador da saúde genital. Tal nível de acidez garante o equilíbrio entre os microorganismos que povoam o meio e nos protegem de doenças. Curiosamente, esse mesmo nível de acidez é fatal para os espermatozóides. A maioria dos candidatos ao solitário óvulo feminino, cerca de 60 milhões de espermatozóides que são transportados em uma única ejaculação, em princípio morrerá na vagina, apesar de protegidos pelo líquido seminal, ou sêmen, que funciona neste caso como uma espécie de impermeável contra a acidez ambiente. Os sobreviventes só atingem o almejado alvo depois de furar a barreira do muco cervical, que se abre à sua passagem apenas alguns dias do mês - exatamente durante o período fértil. Confira abaixo as mudanças que concorrem para que essa disputa feroz que é a reprodução tenha êxito. As informações foram extraídas do livro A História da V, a escritora inglesa Catherine Blackledge (Editora Degustar, São Paulo, 2004):

ESPERMATOZÓIDES E PH VAGINAL
A ejaculação eleva o pH vaginal para níveis mais alcalinos, entre 5,5 a 7,0. Tal mudança torna a flora vaginal mais receptiva aos espermatozóides. A elevação, porém, é temporária. Em menos de duas horas os lactobacilos reassumem o comando da flora vaginal restaurando o pH favorável à saúde vaginal.

ESPERMATOZÓIDES E MUCO CERVICAL

Uma vez dentro da vagina e depois de sobreviver às condições ácidas do local e às células de defesa presentes na flora, se não forem expulsos do ambiente junto com o líquido seminal (o ejaculado) que escorre para fora da vagina, os espermatozóides enfrentam o muco cervical. Produzido principalmente nas glândulas alojadas acima da cérvix, a entrada do útero, o muco forma uma espécie de tampão, vedando completamente o acesso à região cervical. É desse patamar que escorre em colunas em direção à vagina, ininterruptamente, dando vazão a 20 até 60 mg de muco por dia e levando para fora da vagina, na "enxurrada", os espermatozóides mais resistentes.
ESPERMATOZÓIDES E DIAS FÉRTEIS
Durante o período fértil, entre dois e três dias antes da ovulação até 24 horas depois desta o muco cervical sofre drástica alteração, tornando-se verdadeiro aliado dos espermatozóides. Visualmente, como se sabe, ele muda de consistência, brilho e cor - de uma massa viscosa, opaca e leitosa se torna uma substância sedosa e particularmente elástica, alongando em fios de 2,5 cm, em média, até sete a dez cm. Adquire assim aparência translúcida e brilhante, à semelhança da clara de ovo, como é conhecido. A produção também aumenta nesta fase do ciclo, para 600 mg por dia e é acompanhada de mudanças na região cervical. A boca do útero, denominada cientificamente de óstio, se abre cerca de quatro mm, de 24 a 48 horas antes da ocorrência da ovulação. Os espermatozóides que tiverem sorte de dar nas proximidades de uma das colunas desse muco cervical alterado, da metade do ciclo, são aspirados para dentro de sua estrutura. As contrações uterinas se encarregam, então, de puxá-los para dentro do útero.
Os níveis de hormônio em circulação são os principais responsáveis pelas alterações na estrutura desse muco facilitador da escalada dos espermatozóides. O aumento nos níveis de estrógeno nos dias que precedem a ovulação modifica o alinhamento dos fios, dispondo paralelamente suas longas moléculas de mucina (a proteína que forma a matéria prima do muco), daí os filamentos. Estes formam uma estrutura em canais por onde os espermatozóides viajam até o útero. Essa configuração particular se dissolve completamente após a ovulação, com o aumento dos níveis de progesterona, o outro hormônio produzido na segunda fase do ciclo. E os filamentos voltam a embaralhar-se em uma trama que os espermatozóides não mais conseguem atravessar.
Espermatozóides e processo seletivo - estudos recentes vem indicando o papel seletivo do muco alterado, do período fértil, no processo de concepção. Os tais canais ou filamentos paralelos por onde trafegam os espermatozóides seriam extremamente finos, menores do que a cabeça de um espermatozóide, que seria forçado assim a esbarrar no muco de tal forma como se passasse por um filtro biológico, que facilitaria a viagem dos espermatozóides com formato normal daqueles com anomalias morfológicas. Os pesquisadores estariam ainda tateando acerca de hipóteses como essas, mas a meta é entender em breve como o chamado "trato genital feminino", incluindo o muco, seleciona dentre os pretendentes aquele que vai fecundar o solitário óvulo.
ESPERMATOZÓIDES E PROCESSO SELETIVO
Estudos recentes vem indicando o papel seletivo do muco alterado, do período fértil, no processo de concepção. Os tais canais ou filamentos paralelos por onde trafegam os espermatozóides seriam extremamente finos, menores do que a cabeça de um espermatozóide, que seria forçado assim a esbarrar no muco de tal forma como se passasse por um filtro biológico, que facilitaria a viagem dos espermatozóides com formato normal daqueles com anomalias morfológicas. Os pesquisadores estariam ainda tateando acerca de hipóteses como essas, mas a meta é entender em breve como o chamado "trato genital feminino", incluindo o muco, seleciona dentre os pretendentes aquele que vai fecundar o solitário óvulo.


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