Endocrinologia/Glândulas - Hipopituitarismo e síndrome de sheehan
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Endocrinologia/Glândulas

Hipopituitarismo e síndrome de sheehan

15/06/2003

 

 

            A adeno–hipófise é, com freqüência, chamada de “glândula mestra” porque, juntamente com o hipotálamo, coordena as complexas funções reguladoras de múltiplas outras glândulas endócrinas. Ela produz seis hormônios principais, que agirão em glândulas periféricas por feedback negativo:

 

1.       Prolactina (PRL)                                                      4. Luteinizante (LH)

2.       Hormônio do crescimento (GH)                                5. Folículo estimulante (FSH)

3.       Adrenocorticotrópico (ACTH)                                   6. Estimulante da tireóide (TSH)

 

Diagrama dos eixos hipofisários: Os hormônios hipotalâmicos regulam os hormônios trópicos da adeno–hipófise que, por sua vez, determinam a secreção da glândula-alvo.

 

 

HIPOPITUITARISMO

 

Diminuição ou ausência de secreção de um ou mais hormônios pituitários. Trata-se de um evento primário quando causado pela destruição da hipófise anterior , e secundário quando resulta de uma deficiência de estimulação ( ou inibição ) hipotalâmicos mediados por fatores que normalmente agem na hipófise.

 

 

ETIOLOGIA: NOVE I’s

 

 

1.      Invasivo

 

Ø        Adenomas pituitários

Ø        Craniofaringioma: o tumor mais comum da região hipotálamo - hipófise em crianças.

Ø        Tumores primários de SNC: meningioma, cordoma, glioma óptico, tumores epidermóides e dermóides. Possuem efeitos de massa.

Ø        Lesões metastáticas: carcinoma de pulmão

Ø        Malformações: encefalocele, parasselar. Enlarguessem a sela túrcica e mimetizam um tumor de hipófise.

 

Patogenia:

Ø        Destruição da pituitária

Ø        Destruição do núcleo hipotalâmico

Ø        Ruptura do sistema porta venoso hipotálamo – hipófise.

 

2.   Infiltrativo

 

2.1 Sarcoidose

Ø        Envolvimento granulomatoso  da unidade hipotálamo – hipófise;

Ø        A anormalidade mais comum constitui o diabetes insipidus, com polidipsia e poliúria, seguidos de anormalidade no metabolismo da água;

Ø        Há deficiências de múltiplos hormônios pituitários.

 

2.2 Hemocromatose

Ø        Doença do estoque de Fe: Hemocromatose Idiopática

                                                Sobrecarga de Ferro Transfusional

Ø        Hipogonadismo Hipogonadotrópico: caráter clínico inicial do excesso de Fe

Ø        A depleção de ferro no início reverte o Hipogonadismo

Ø        Eventos tardios não são reversíveis à quelação de Fe: deficiência de TSH, GH e ACTH.

 

2.3 Histiocitose X

Ø        Infiltração de múltiplos órgãos;

Ø        Granuloma ósseo eosinofílico;

Ø        Infiltração do hipotálamo;

Ø        Deficiência de hormônios da hipófise anterior;

Ø        O hipopituitarismo resulta do dano hipotalâmico;

Ø        Diabetes insupidus;

Ø        Doença de Schüller – Christian;

Ø        Doença de Letterer – Siwe

 

3.   Injúria

 

Ø        Traumas severos na cabeça;

Ø        Crianças que sofrera, traumas com hematoma subdural

 

4.   Imunológico

 

Ø        Hipofisite linfocítica: processo auto-imune com infiltração extensa da glândula por linfócitos e células plasmáticas que destroem as células da pituitária anterior;

Ø        Ocorre em mulheres grávidas ou pós - parto, podendo se apresentar como uma lesão em massa da sela túrcica com distúrbios visuais simulando um adenoma pituitário;

Ø        50% das pacientes com Hipofisite linfocítica tem outras doenças auto-imune endócrinas;

Ø        Pode-se encontrar auto anticorpos contra pituitária

Ø        Pode resultar em deficiência de um hormônio isolado (ACTH ou PRL)

Ø        Mulheres podem continuar menstruando enquanto sofrem de hipoadrenalismo ou hipotireoidismo.

 

5.      Iatrogênica

 

Ø        Cirurgia;

Ø        Radiação: 4500 – 5000 Gy;

Ø        Irradiação para tumores de cabeça e pescoço;

Ø        Irradiação cranial profilática para leucemia

Ø        Pode haver hiperprolactinemia com deficiência de GH e gonadotropina;

Ø        Possui início clínico insidioso e resulta em injúria tanto do hipotálamo quanto da hipófise.

 

6.      Infeccioso

 

Ø        TB, sífilis, infecções micóticas.

 

7.      Idiopática

 

Ø        Sem causa determinada;

Ø        Herança autossômica ou ligada ao X;

Ø        Deficiência de um ou mais hormônios pituitários;

Ø        Síndrome de Prader Willi: deleções nos cromossomos 15q com Hipogonadismo hipogonadotrópico, hiperfagia, obesidade, hipotonia muscular crônica, retardo mental, diabetes melitus na fase adulta.

Ø        Displasia do Sépto Óptico: mutação do gene HESX 1, envolvido no desenvolvimento inicial do prosencéfalo ventral. Fenda palatina, sindactilia, deformidade auricular, hipertireoidismo, atrofia óptica, micropênis, diabetes insipidus, deficiência de GH, baixa estatura, deficiência de TSH;

 

8.      Isolada

 

Ø        Mutação do gene específico do hormônio;

Ø        Mutação de genes necessários para o desenvolvimento normal da hipófise.

 

8.1 Deficiência Monotrópica  de GH

Ø        Esporádico ou familiar

Ø        Crianças com hipoglicemia de jejum

Ø        Decréscimo de crescimento depois de 6 – 12 meses;

Ø        Crianças que sofreram severas alterações emocionais.

 

8.2 Deficiência Monotrópica de ACTH

Ø        Raro

Ø        Sinais e sintomas de insuficiência adrenocortical

Ø        Hipofisite linfocítica;

Ø        Secreção inapropriada de CRH

 

8.3 Deficiência isolada de Gonadotropina

Ø        Síndrome de Kallman: desordem dominante ligada ao X, caracterizada por defeito da síntese hipotalâmica do hormônio de liberação de gonadotropinas (GnRH). O defeito no gene KAL do cromossomo Xp22.3 impediu a migração embrionária dos neurônios GnRH do placóide olfatório hipotalâmico para o hipotálamo. Há Hipogonadismo hipogonadotrófico, com anosmia ou hiposmia, daltonismo, atrofia óptica, surdez neurossensorial, fenda palatina, alterações renais, criptoquirdia.

Ø        Homens com aparência eucunóide;

Ø        Mulheres com oligo ou amenorréia, perda de peso, estresse físico ou emocional;

Ø        A anorexia nervosa ou a obesidade podem resultar em disfunção hipotalâmica e impedir secreção de gonadotropina;

Ø        Diabetes mal tratada

Ø        Má nutrição.

 

8.4 Deficiência Monotrópica de TSH

Ø        Hipotireoidismo terciário: diminuição na secreção do hormônio hipotalâmico TRH.

 

8.5 Deficiência de PRL

Ø        Dano pituitário intrínseco severo;

Ø        Pan – hipopituitarismo presente;

Ø        Isolado: hipofisite linfocítica.

 

9.      Infarto

 

Ø        Dano isquêmico da pituitária

Ø        Comprometimento da perfusão arterial devido a vaso espasmo da artéria hipofisial e hipotensão

 

Apoplexia hipofisária:

Ø        Apoplexia é um termo geral que significa perda da consciência seguida de paralisia. A apoplexia hipofisária clássica é um evento agudo, ameaçador à vida, caracterizado por cefaléia severa e colapso, causado por hemorragia súbita na hipófise que quase sempre ocorre no interior de um adenoma hipofisário, DM, RT.

 

Gravidez: Síndrome de Sheehan

Ø        Aumento da necessidade metabólica à não há á do suprimento sanguíneo à hipoxemia;

Ø        Estado hiperestrogênico à ásuscetibilidade de vasoconstricção;

Ø        Associada com complicações obstétricas, especialmente hemorragia ou choque;

 

 

 

 

SINTOMAS

 

1.       â de GH:

 

Ø        â crescimento em crianças;

Ø        A clínica no adulto pode ser oculta ou ter astenia, fraqueza e má cicatrização de feridas

Ø        Hipogonadismo: Mulheres =  amenorréia

                                 Homens = â da libido ou impotência

 

2.       â de TSH:

 

Ø        Hipotireoidismo

Ø        Intolerância ao frio

Ø        Pele seca

Ø        Distúrbio mental

Ø        Bradicardia

Ø        Rouquidão

 

3.       â de ACTH:

 

Ø        Início gradual, indetectável por longo período, só se manifestando em períodos de estresse

Ø        Insuficiência adrenocortical

Ø        Fraqueza, náusea, vômitos, anorexia, perda de peso, febre, hipotensão postural

Ø        Hipoglicemia agravada pela â GH

Ø        Despigmentação

Ø        â do cabelo corporal

 

4.       â PRL

 

Ø        â lactação pós – parto.

 

 

SINAIS

 

Ø        Pele fina

Ø        Palidez

Ø        Rugas finas na face

Ø        Pelos púbicos e corporais escassos ou ausentes

Ø        Atrofia genitália

Ø        Hipofunção postural

Ø        Bradiciardia

 

DIAGNÓSTICO

 

1.       Conhecimento da função da glândula:

Ø        Diferenciar dos distúrbios primários da tireóide, adrenal e gônadas;

Ø        Teste de T4 livre

Ø        Determinar nível de testosterona

Ø        Teste de Estimulação do ACTH

 

2.       Avaliar a PRL

 

3.       Diferenciação das hipofunções primárias e secundárias:

Ø        Primária: TSH, LH, FSH ou ACTH elevados

Ø        Secundários: TSH, LH, FSH ou ACTH normais ou baixos

 

4.       Teste de Estimulação

 

 

TRATAMENTO

 

1.       ACTH

 

Ø        Hidrocortisona  20 – 30 mg/dia VO

Ø        Prednisona  5 – 7.5 mg/ dia VO

Ø        Aumentar doses no período de estresse: doença, cirurgia ou trauma

 

2.       TSH

 

Ø        O tratamento do hipotireoidismo secundário ou terciário é idêntico ao primário:

Ø        Levotiroxina  0.1 – 0,15mg/dia VO

Ø        Fazer monitoramento com medidas de T4 sérico livre

 

3.       GONADOTROPINAS

 

3.1   Estrógeno e Progesterona

 

Ø        Reposição hormonal: tratamento adequado com estrógeno manterá as características sexuais feminina ( lubrificação vulvar e vaginal ), previne osteoporose,  abole os sintomas vasomotores.

Estradiol oral: 1-2  mg/dia VO

Estrógenos conjugados: 0,3 – 1,25 mg/dia VO

Estradio transdérmico 0,05 – 0,1 mg/dia

Ø        Induzir a ovulação

Ø        Andrógenos em mulheres

Ø        Andrógenos em homens

Ø        Espermatogênese

Ø        Hormônio do Crescimento

 

Ilka Martins Rosa

Faculdade - Universidade Federal do Ceará - Faculdade de Medicina

 

 

 



 

 

 


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