É de grande relevância para o entendimento do tema do trabalho, NEUROSE HIPOCONDRÍACA, que seja feito um comentário acerca da neurose propriamente dita.
Pode-se definir a neurose da seguinte maneira: distúrbio na organização dos conflitos, que são más experiências que ocorrem, principalmente, durante o desenvolvimento psicossexual e emocional, dentro da relação triangular filho-mãe-pai. Por força das frustrações ou de mimos excessivos, a criança não supera devidamente as etapas evolutivas; estes conflitos, pelo mecanismo do recalque (exclusão do campo da consciência de curtas idéias, sentimentos e desejos, que o indivíduo não quisera admitir e que continuam a fazer parte de sua vida psíquica), leva à formação de um complexo inconsciente que são “lutas” entre conflitos emocionais, situações perturbadoras e perturbação do funcionamento da personalidade.
Principalmente sobre um trauma psicológico reprimido nos primeiros anos da infância que são afastados da consciência. O afeto persiste na consciência juntamente com a memória, podendo voltar ao conhecimento de um modo deformado sob a forma de um sintoma neurótico.
O esforço para lidar com problemas psicológicos internos e situações de estresse do dia-a-dia, sendo o paciente incapaz de enfrentá-los sem tensão ou perturbações psicológicas, cria a ansiedade, a qual é a mais comum e a mais importante fonte de desordens psiconeuróticas; diretamente sentida e expressa ou esforço para controlá-la pelos meios de defesa (conversão, dissociação, deslocamento, fobias e repetições).
As variedades são bastante descritivas: ansiedade, histérica, fóbica, depressivo-compulsiva, depressiva e a que mais nos interessa nesse momento, a neurose hipocondríaca.
A neurose ocorre quando existe um conflito entre o EGO e o ID, e os assim chamados mecanismos de defesa constituem o modo pelo qual o EGO impede a demanda de impulsos instintivos inaceitáveis.
A Neurose Hipocondríaca é um tipo de neurose em que o indivíduo, com a tentativa de aliviar sua angústia (ansiedade), use-se de fobias como um Mecanismo de Defesa, em especial a nosofobia ou medo das doenças, caracterizada por uma preocupação obsessiva e urna inquietação acerca de seu estado de saúde ou das condições de seus órgãos, ou seja, a hipocondria parece ser o deslocamento da ansiedade de formas mentais inconscientes para o corpo.
O órgão ou qualquer outra parte do corpo que é foco da queixa corporal é geralmente sujeito, de modo particular, à expressões fisiológicas de ansiedade, ou ao estado físico do ocioso, ou seja, tensão muscular, aumento dos reflexos, hiperalgesia, sudorese intensa, xerostomia, midríase, perda do controle esfinctérico e alterações da atividade sexual (impotência, frigidez e masturbação).
O paciente é dito como
“poliqueixoso
” e as queixas (dores e sensações estranhas) não se relacionam para juntas constituírem uma patologia.
Algumas reações hipocondríacas podem tornar-se excessivamente e obsessivas com o desenvolvimento associado das compulsões.
Deve-se avaliar a higidez da psiquê do paciente através do diálogo, questionar o paciente a respeito de sua infância, como foi a sua formação e relacionamento com os pais, se foi excessivamente mimado ou sofreu alguma frustração, tanto no âmbito emocional como sexual o que poderia ocasionar em um trauma psicológico, deve-se questionar também sobre a atualidade, como é sua vida conjugal, sexual, seu relacionamento com pessoas do ambiente de trabalho e com as pessoas mais próximas, seu período de sono e o mais importante para este tipo de neurose: se o paciente toma algum medicamento, para que se possa avaliar se há urna real necessidade. Às vezes o diagnóstico entre neurose da angústia e neurose fóbica é duvidoso, pois se trata de urna forma intermediária que configura unia espécie de NEUROSE HIPOCONDRÍACA.
Todo individuo é predisposto à neurose, na medida em que sufoca e recalca aspirações vitais importantes. A predisposição é, no entanto máxima nas personalidades esquizóides e sensitivas, pessoas com tendência à introversão e tímidas. uma tendência prévia a solicitar afeição ou fugir das responsabilidades da vicia através da doença.
Também se enquadra neste caso, pessoas já um tanto idosas que, após crises de eficiência, traumatismos ou distúrbios somáticos, se fixam em atitudes egocêntrico.
Psicoterapia: pode ser de apoio ou de conscientização. No primeiro incluem: medicação (ansiolíticos), reafirmação e, talvez, técnicas como terapia de grupo ou terapia comportamental; no segundo caso, se requer a conscientização dos conflitos inconscientes e principalmente estabelecer as causas e distrair dos sintomas a atenção do paciente.
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Autor: Araken Britto de Sousa
Doutorando do 12º período de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte 2001.