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Biologia

Estudo de coreano sobre células-tronco foi fraude completa

01/01/2006
Está confirmado: a pesquisa do cientista sul-coreano Hwang Woo-Suk sobre clonagem de células-tronco embrionárias foi mesmo uma fraude completa. Um comitê de investigação da Universidade Nacional de Seul concluiu ontem que todas as 11 linhagens de células que Hwang dizia ter clonado de pacientes foram falsificadas.

"O comitê não encontrou nenhuma célula-tronco compatível com o DNA de pacientes citados no artigo de 2005 e acredita que a equipe de Hwang não possui dados científicos para provar que células-tronco foram produzidas", sentenciou a pró-reitora de Pesquisa da universidade, Roe Jung Hye.

Falsificação

A investigação já havia confirmado na semana passada que 9 das 11 linhagens haviam sido forjadas. Algumas foram perdidas por contaminação, outras não chegaram a se desenvolver e duas podem nem ter existido (uma linhagem só é válida se puder ser cultivada continuamente em laboratório).

Faltava verificar a veracidade das duas linhagens remanescentes: também falsificadas. Segundo a universidade, elas foram produzidas pela simples fertilização in vitro de óvulos humanos e não por clonagem. Além disso, o procedimento foi feito no Hospital MizMedi, e não no laboratório de Hwang.

Credibilidade derrubada

Era o empurrão que faltava para derrubar por completo a credibilidade de Hwang, até então visto como herói na Coréia do Sul. Em sua pesquisa mais famosa, publicada neste ano na revista Science, ele dizia ter produzido 11 linhagens de células-tronco humanas, extraídas de embriões clonados de pacientes. Seria a primeira (e ainda única) confirmação de viabilidade da chamada clonagem terapêutica, que busca produzir células-tronco geneticamente idênticas aos pacientes para uso no tratamento de doenças e regeneração de tecidos.

A americana Science, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, deu prazo até hoje para que Hwang apresente as assinaturas dos 24 co-autores do estudo, necessárias para a retratação da pesquisa. Caso contrário, o periódico poderá quebrar o protocolo e fazer uma retratação editorial ou assinada pelo comitê de investigação da universidade.

Afastamento

Hwang, veterinário por formação, não foi encontrado para comentar o relatório. Na semana passada, ele pediu desculpas e se demitiu do cargo de professor da universidade. Ele ainda poderá ser alvo de uma investigação criminal.

As atenções agora se voltam para os outros dois grandes trabalhos de Hwang, que também serão investigados. Eles incluem a primeira clonagem de um embrião humano, em 2004, e a clonagem do cachorro Snuppy, publicada em agosto deste ano.
Por Herton Escobar, com agências internacionais
 
AE


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