Psiquiatria e Psicologia - tratamento da agorafobia
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Psiquiatria e Psicologia

tratamento da agorafobia

15/06/2003

TRATAMENTO DA AGORAFOBIA
ATRAVÉS DA TERAPIA COGNITIVA-COMPORTAMENTAL

  
A Terapia Cognitiva (Beck 1967-76, Michenbaum 1975 e outros) consiste numa forma de entendimento e aprendizado de concepções e valores que temos ou adquirimos sobre nós ou o que está acontecendo conosco, como por ex: o que estou sentindo é físico ou psicológico? Tem por objetivo reconhecermos padrões de pensamentos alterados ou comportamentos relativamente não adaptados (disfuncionais) e modificá-los através de técnicas denominadas Cognitivas (exercícios realizados com os pensamentos).

A Terapia Comportamental parte do princípio, que as reações emocionais e comportamentais podem ser modificadas através de estímulos específicos( Watson e Rayner 1920, Mowrer1930,Dollard e Milles 1950,Joseph Wolpe 1950, Marks 1975, Shapiro 1961, Rachman 1974, Foa 1983,e outros).

A Terapia Cognitiva-Comportamental é o tratamento atual mais recomendado e com comprovada eficácia para Agorafobia. É composto por técnicas para ensinar o paciente a lidar com a ansiedade e enfrentá-la. O tratamento focaliza a ansiedade de estar em locais ou situações nas quais o auxílio ou  saída seja difícil, como por ex: estar no meio de uma multidão, transporte público, Shopping Centers, congestionamentos, etc. Estas situações ou até estar só em casa ou fora dela, são temidas, evitadas ou toleradas com muita dificuldade.

A técnica de exposição ao vivo é o fator essencial do tratamento. Consiste em permanecer em contato por tempo prolongado com os desencadeantes da ansiedade e com as situações temidas e evitadas pelo indivíduo. Para ser eficaz, deve durar até que a ansiedade diminua de maneira significativa ou cesse. Deve ser planejada, repetida sistematicamente e a atenção deve estar voltada para o exercício. A realização dos exercícios de exposição é planejada a partir de uma lista contendo as principais situações temidas, enumeradas de acordo com o grau de dificuldade, da mais fácil para a mais difícil, por ex: quando a pessoa teme sair de casa sozinha, os primeiro exercícios podem incluir afastar-se de casa sozinha por um ou dois quarteirões, entrar em uma padaria próxima de sua casa e fazer compras ou ficar sozinha em casa por algum tempo. Depois desta etapa ser cumprida, a(o) paciente pode dar continuidade a sua lista até que seja capaz de enfrentar todas as situações listadas. A auto exposição facilita o sucesso terapêutico e nas primeiras vezes o paciente pode ser acompanhado por um familiar ou amigo. O exercício de exposição também pode ser realizado através da imaginação, como por ex: um paciente que tinha medo de estar em multidões, imaginou-se, intencionalmente estar passando por aquela situação num Shopping Center e descreveu ao terapeuta a cena e o que ele estava sentindo. Primeiro praticou esse exercício de imaginação no consultório, descrevendo a situação como se o terapeuta estivesse lá com ele, na situação imaginada, depois se imaginou  sozinho.

A exposição é o instrumento mais poderoso que dispomos atualmente para ajudar o indivíduo a controlar o seu problema, pois, desse modo, ele aprende que o mal estar pode desaparecer. A melhora obtida é percebida a partir das primeiras sessões de tratamento, mas o procedimento completo pode requerer vários meses, principalmente para resolver as limitações profissionais e sociais. É importante incentivar o paciente a vivenciar situações ou exercer atividades que tende a evitar. Verificar se o que teme, realmente acontecerá, fazendo uma interpretação mais realista das situações.       

 


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