NOVA YORK -- Se já era sabido que o fumo aumenta o risco de uma pessoa vir a sofrer de doença cardíaca, agora novas descobertas feitas na Itália sugerem que esse risco pode se dever a uma perigosa combinação de fumo com infecções crônicas.
No estudo, fumantes ou ex-fumantes que sofrem de infecções crônicas tiveram aterosclerose mais rapidamente do que os fumantes que não apresentam problemas infecciosos. A aterosclerose é o depósito de gordura nas artérias que caracteriza a doença coronariana.
"Esse estudo fornece a primeira evidência epidemiológica de que os efeitos ateroscleróticos do fumo se devem em parte à infecção crônica", disse o principal pesquisador envolvido no estudo, Dr. Dr. Stefan Kiechl, do Hospital da Universidade de Innsbruck, na Áustria.
No estudo, de cinco anos, os pesquisadores analisaram a saúde das artérias de 4.793 homens e mulheres com idades entre 40 e 79 anos, residentes no norte da Itália.
Todos os participantes responderam a perguntas sobre seus hábitos de fumar e fizeram exames para verificar se portavam infecções crônicas como bronquite, úlceras, problemas no trato urinário e gastrintestinal, na pele ou doenças na gengiva.
Os participantes do estudo foram considerados portadores de infecção crônica no trato urinário se, por exemplo, tiveram três ou mais casos documentados do problema num período de dois anos.
Depois de cinco anos, 332 homens e mulheres desenvolveram novas placas na artéria carótida do pescoço, conforme os autores do estudo relataram na edição de setembro da revista Stroke: Journal of the American Heart Association.
A equipe do Dr. Kiechl descobriu que fumantes e ex-fumantes que tiveram infecções crônicas eram 3,3 vezes mais propensos a desenvolver aterosclerose precoce em comparação com fumantes, ex-fumantes e não-fumantes que não sofrem de infecções.
Além disso, a investigação revelou que pessoas com infecções crônicas que foram apenas expostas à fumaça do cigarro de terceiros também apresentaram um risco maior de aterosclerose.
Os ex-fumantes com infecção crônica mantiveram o risco de aterosclerose mais elevado, mesmo 10 anos depois de largarem o cigarro.
"O fumo ativo e passivo representa um dos maiores riscos para aterosclerose", explicou o médico.
"Fumantes têm significativamente maior risco de desenvolver aterosclerose precoce severa, mas nós descobrimos que o risco cai para o mesmo dos não-fumantes depois que eles param, a menos que tenham histórico de infecção crônica", acrescentou.
Os pesquisadores recomendam que os fumantes procurem tratamento para suas infecções crônicas a fim de reduzir o risco de aterosclerose.
Reuters