Câncer/Oncologia/Tumor - Câncer de supra-renal:detecção precoce
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Câncer/Oncologia/Tumor

Câncer de supra-renal:detecção precoce

27/01/2006
 

Incidência da doença no Paraná chega a ser 15 vezes maior que a média mundial


As glândulas supra-renais, localizadas acima dos rins, produzem hormônios importantes para o organismo.

Uma campanha para detectar o principal responsável pelo desenvolvimento de câncer no córtex das glândulas supra-renais em crianças foi deflagrada no Paraná em dezembro de 2005. A incidência desse tipo de tumor no estado é de 12 a 15 vezes maior que a média mundial: estima-se que, de cada grupo de 1.500 recém-nascidos, um apresente uma mutação específica no gene p53, cuja proteína deixa de funcionar em pH alcalino e temperatura febril, perdendo a capacidade de proteger as células do córtex das supra-renais.
 
Situadas acima dos rins, essas glândulas são responsáveis pela produção dos hormônios cortisol (que auxilia no metabolismo de gorduras, proteínas e carboidratos) e aldosterona (que regula os níveis de sódio, potássio e água, influindo no volume sangüíneo e na pressão arterial), e de hormônios masculinos em ambos os sexos.
 
Por meio de um exame do DNA de recém-nascidos, é possível identificar a mutação genética responsável pelo câncer. Se a doença for diagnosticada precocemente (antes de a glândula atingir 30 gramas de peso), as chances de cura são de até 100%. O exame já é oferecido gratuitamente nas maternidades da região metropolitana de Curitiba e deverá estender-se às 437 maternidades paranaenses até junho deste ano.
 
Calcula-se que apenas um de cada 10 bebês que nascem com a mutação desenvolva o tumor. Hoje, 50% das crianças que contraem o câncer no Paraná não sobrevivem porque o diagnóstico é feito tardiamente. “Como não há meios de fazer prevenção, é importante detectar a mutação o quanto antes”, alerta o coordenador da campanha, o médico Bonald Figueiredo, diretor do Centro de Genética Molecular e Pesquisa de Câncer em Crianças (Cegempac), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
 
A campanha, que está sendo divulgada por meio de palestras em maternidades e regionais de saúde do estado, surgiu de uma ação conjunta que reúne o Cegempac e o Instituto Pelé Pequeno Príncipe, de Curitiba, com financiamento da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná.
 
Segundo Figueiredo, o teste é essencial para a identificação de crianças que poderão ter a doença e também para se tentar descobrir os fatores genéticos e ambientais que interagem para produzi-la. “A mutação praticamente não ocorre nas regiões Norte e Nordeste do Brasil nem em outros países”, garante o coordenador da campanha. Mas ele alerta para a possibilidade de portadores da mutação migrarem para outras regiões, que, com o tempo, poderão registrar a doença nas mesmas proporções.
 

Estrutura do núcleo da proteína p53 (em verde claro) ligada ao DNA (em azul escuro). Em amarelo, os seis aminoácidos que se alteram com mais freqüência nos casos de câncer humano – todos eles resíduos importantes para a ligação da p53 ao DNA. A bolota vermelha é um átomo de zinco. Para o p53 ativar o DNA, é preciso unir quatro monômeros de p53, formando um tetrâmero. A mutação que ocorre no Paraná (não representada na figura) impede a formação de um tetrâmero estável em pH alcalino e temperatura febril durante o desenvolvimento do córtex das supra-renais. (Imagem: reprodução / Cho, Y. et al. (1994) Science, 265, 346-355)

O teste é feito a partir da coleta de uma gota de sangue da criança após o nascimento. Os médicos que participam da campanha aconselham que se utilize o mesmo sangue colhido para o tradicional Teste do Pezinho, para evitar a repetição de punção. A análise do sangue permite a elaboração de uma triagem genética que indica os recém-nascidos potencialmente capazes de desenvolver o câncer e aponta, se for o caso, os ascendentes responsáveis pela transmissão da mutação.
 
São feitos dois mapas para posterior avaliação: um das áreas onde vivem os bebês com a mutação e outro dos recém-nascidos que têm a mutação e desenvolveram o tumor. Segundo Figueiredo, a equipe quer conhecer as áreas onde se concentra o maior número de indivíduos com a mutação e saber qual a ligação entre essas áreas e o maior número de casos. Desse modo, segundo ele, é possível verificar se algum elemento do ambiente está contaminando a água ou os alimentos, possíveis agentes da mutação.
 
Cerca de dois meses após a coleta do sangue, o resultado do teste é enviado à maternidade onde a criança nasceu, e o pediatra que a acompanhou no parto se encarrega de encaminhá-lo à família, que receberá orientações quando necessário.
 
Se o câncer for diagnosticado, a criança deverá se submeter a uma cirurgia para retirada do tumor e receber acompanhamento médico até os 15 anos de idade. Caso se detecte a mutação, a criança deverá ser acompanhada regularmente. Recomendam-se exames clínicos a cada três meses, além de uma avaliação de imagens das glândulas e dos níveis dos hormônios que elas secretam. Alterações nos hormônios produzidos pelas supra-renais são o principal indício de que um tumor pode estar a caminho. Crianças de ambos os sexos em geral apresentam pêlos na região pubiana, pequenas espinhas na face, aumento do órgão genital, acúmulo de gordura no tronco e na face e hipertensão arterial. Assim como o exame de DNA, o acompanhamento médico é gratuito.
 
A elevada taxa de mutação no Paraná ocorre curiosamente apenas em crianças; entre adultos, as taxas são iguais às que se verificam em outras regiões do país e em outras partes do mundo. Segundo Figueiredo, há fortes indícios de que a célula sensível a essa alteração seja uma célula germinativa. “Mas os resultados das investigações ainda não nos permitem fazer a afirmação com absoluta certeza”, diz o médico.  
 
A mutação que causa o câncer de córtex da supra-renal pode ou não ser herdada dos pais do portador. Na mutação do gene p53 do código genético, a trinca CGC (formada pelas bases nitrogenadas citosina, guanina e citosina) é alterada para CAC (citosina, adenina e citosina), o que leva à substituição do aminoácido arginina por histidina, resultando em uma proteína diferente. Essa mudança aparentemente sutil é suficiente para alterar a função de proteção da proteína contra o câncer. Essa proteção se dá de duas maneiras: inibindo a proliferação desordenada de células ou induzindo à morte as células nas quais não é mais possível haver reparo no genoma alterado.


Luciana Cristo
CH On-line / PR
http://cienciahoje.uol.com.br


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