Trate bem os seus ouvidos
Mesmo os mais simples e correntes problemas dos ouvidos são desagradáveis. Temos dificuldade em nos concentrar quando somos atacados por zumbidos ou por apitos. Isolados e passageiros, estes problemas são geralmente benignos e não necessitam de uma consulta ao médico. Mas como é que surgem e como podem ser evitados?
Ouvir sons agudos e zumbidos é muito freqüente. Vá visitar o médico. Se ocorre a uma pessoa que apresenta hipertensão arterial, podem estar ligados a um aumento da tensão e também a consulta é necessária. Da mesma maneira, vertigens, zumbidos, cefaléias e perturbações visuais exigem que uma mulher grávida se dirija imediatamente à maternidade para eliminar a suspeita e tratar a hipertensão arterial.
Se estes sintomas não se manifestam, trata-se geralmente de um problema sem gravidade. Na verdade, os apitos, zumbidos e dores auditivas passageiras são situações muito freqüentes e, felizmente, geralmente benignas.
No entanto, o fato de normalmente não implicarem conseqüências graves não os torna propriamente agradáveis. Por isso, o melhor é saber como os evitar. Podem, por exemplo, ser provocados por uma gripe: a inflamação atravessa a trompa de Eustáquio e provoca uma otite. Para a evitar é necessário tratar a inflamação o mais rapidamente possível e não a deixar arrastar-se.
Para além disto, acontece também que certas dores sentidas ao nível dos ouvidos são exteriores ao órgão da audição. Com efeito, um problema de articulação dentária devido a uma má organização da dentição pode dar a sensação de se sofrer dos ouvidos. Outras dores podem, igualmente, irradiar até ao ouvido: um dente molar cariado, por exemplo.
Menos barulho
Os zumbidos podem atingir apenas um ouvido ou ambos. Podem dever-se a uma exposição excessiva ao ruído e desaparecem rapidamente num ambiente calmo. Contudo, o ruído pode ter consequências irreversíveis.
De fato, é possível que os zumbidos se façam acompanhar por uma perda auditiva. Neste caso, a única opção razoável é uma consulta ao otorrino. A prevenção destas situações consiste em limitar ao máximo a exposição às perturbações sonoras. As pessoas sujeitas a zumbidos devem evitar os concertos-megadecibéis e as discotecas.
Rolha de cerúmen
As rolhas de cerúmen são igualmente freqüentes. O cerúmen é uma substância amarelo-laranja, que se assemelha à cera (aliás é assim que é designada na linguagem de todos os dias), segregada pelo canal auditivo externo.
Quando há sobreprodução desta matéria, formam-se bolas que obstruem o canal. Para retirar o cerúmen, é necessário proceder a uma lavagem do ouvido com água morna. Existem igualmente produtos à venda nas farmácias que permitem dissolver o cerúmen. Se a lavagem se mostra dolorosa, deve ser interrompida, pois pode haver uma inflamação do tímpano. É hora de resolver o problema recorrendo a um otorrino.
Quando o avião sobe
Em certas pessoas, o vento, o frio e os banhos podem causar dores nos ouvido. Na maior parte dos casos, não passa de sensibilidade do tímpano. É uma fenômeno inflamatório passageiro da membrana, provocado pelo vento, pelo frio ou pela água. Uma proteção é normalmente suficiente para os que estão sujeitos a estas dores. Basta cobrir os ouvidos com um boné e evitar colocar a cabeça debaixo de água.
Por outro lado, as dores no ouvido podem estar por vezes ligadas a um fenômeno de mudanças bruscas na pressão atmosférica. É o que acontece quando se toma um avião ou se faz mergulho submarino. Trata-se de um problema da alteração da pressão entre o canal auditivo externo e o ouvido médio.
Se a pressão atmosférica exterior é superior à pressão por de trás do tímpano, a membrana fica sujeita a uma tensão excessiva. Torna-se, assim, necessário reequilibrar as pressões. Mastigar uma goma de mascar ou soprar apertando o nariz e fechando a boca, permite a compensação através do envio de ar pela trompa de Eustáquio.
Cerúmen
A primeira regra de limpeza do canal auditivo nunca pode ser esquecida. Essa regra é: não introduzir nunca objetos ou instrumentos no canal auditivo.
A utilização de cotonetes deve ser limitada ao pavilhão e à entrada do canal auditivo. Não se deve ir mais longe, pois o cotonete empurra mais o cerúmen do que aquilo que retira.
Na verdade, a introdução do cotonete acaba por favorecer a formação de rolhas de cerúmen. Além disto, o cotonete pode provocar lesões no tímpano se for introduzido muito profundamente.
A lavagem com água e sabão é uma hipótese, mas não é indispensável. O canal auditivo externo faz de certa maneira a sua auto-lavagem, pois o cerúmen que segrega tem propriedades antisépticas. Ao mesmo tempo, a falta de cerúmen pode provocar lesões cutâneas.
Para ter os ouvidos limpos e sãos, basta limitar a limpeza à parte externa do ouvido e deixar que o organismo se encarregue do resto.