Otorrinolaringologia/ORL/Fono - Aftas
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Otorrinolaringologia/ORL/Fono

Aftas

16/06/2003


De início, mal se notam, mas quem as conhece sabe bem que no dia seguinte lá estará aquela ferida redondinha e antipática na boca. As aftas bucais afetam cerca de 15 por cento da população de forma mais ou menos repetitiva, e quase toda a gente já teve o desprazer de as conhecer.

O que são as aftas?

As aftas aparecem na mucosa que reveste a cavidade bucal ou mesmo na língua, começando por se apresentar apenas como uma ligeira mancha vermelha, bem localizada, que dá uma sensação de queimadura ou de picada, para logo se transformarem naquelas feridas tão aborrecidas. De tamanho variável, algumas mal se vêem, mas outras podem chegar a atingir vários milímetros de largura. Têm, no entanto, uma coisa em comum: a dor. Doem mesmo quando nada se tem na boca, mas sobretudo quando se come, tornando a vida diária particularmente desagradável. E então, se forem alimentos de características mais ácidas, a dor torna-se insuportável, a ponto de fazer vir as lágrimas aos olhos... Quem as tem aprende rapidamente a seleccionar aquilo que come, escolhendo, entre outros, o pão, o leite e os ovos como alimentos menos agressivos.

Como se manifestam?
Podem surgir isoladas, mas, muitas vezes, aparecem várias em simultâneo, fazendo multiplicar o sofrimento de forma proporcional. Alguns destes sofredores têm a "sorte" de verem passar muito tempo (meses) antes de voltar a ter outro penar, mas, para outros, o tormento é permanente.
Estão quase constantemente com elas, sucedendo-se aftas com diferentes tipos de evolução: algumas quase a desaparecer, outras a assomar de novo, fazendo adivinhar um nunca mais acabar de sofrimento. Sim, porque, desde que surgem até que acabam por desaparecer, podem decorrer vários dias, mesmo uma ou duas semanas de irritante desconforto.
Surgem com particular relevo nos grupos etários mais novos, de forma ligeiramente mais freqüente nas mulheres, encarregando-se o passar dos anos de as atenuar.

Porque aparecem?
Mas, afinal, o que é que provoca o aparecimento destas tão desagradáveis companheiras? Antes de mais, acreditamos existir um "terreno de susceptibilidade" que as favorece! Na verdade, nem todas as pessoas sujeitas aos mesmos agressores as vêm a desenvolver. É bem conhecido o efeito desencadeador de alguns alimentos, como os frutos secos, os cítricos ou algumas especiarias, mas também o de certos medicamentos ou até o curioso despertar das aftas por um estado de "stress" ou de ansiedade subjacentes, ou mesmo o aproximar do período menstrual. Este "terreno" é comprovado em muitas famílias em que, tal como o pai e/ou a mãe, o(a) filho(a) também as vêm a apresentar com características muito semelhantes às dos progenitores. Trata-se, no fundo, de um estado de hiper-reatividade da mucosa bucal que a leva a reagir de forma descontrolada à presença de substâncias ou à existência de estados orgânicos que são banais para a maioria das pessoas.

Tratamento e alguns cuidados
Qual será a solução para este problema tão desagradável? Como na generalidade dos problemas de saúde, mais vale saber prevenir do que remediar.
É óbvio que, para quem sabe que quando come certos alimentos é claramente castigado pelas aftas, mais vale pensar duas vezes antes de provocar a mal-encarada mucosa. É sempre possível, em aftas pontuais e esporádicas, aplicar localmente determinados produtos capazes de fazerem desaparecer mais rapidamente.
Porém, quando surgem sem se saber muito bem porquê, de forma não evitável e com uma freqüência ou número para além do suportável, torna-se necessário procurar ajuda médica.
É necessário esclarecer não existirem as tais doenças subjacentes atrás referidas, bem como verificar se estão presentes mecanismos de fragilidade orgânica, em geral, ou das mucosas, em particular. Depois de excluídas estas circunstâncias, torna-se indispensável promover um tratamento de fundo capaz de as prevenir.
Hoje em dia, dispomos de alguns medicamentos com esse efeito, como é o caso da Colchicina e, imagine-se só, da famigerada Talidomida.
Qualquer um destes medicamentos, de exclusiva prescrição médica bem informada sobre estes fármacos, deve ser administrado por um período que permita "adormecer" esta hipersensibilidade das mucosas, tempo esse, por vezes, bastante prolongado. Mas, em boa verdade... tudo vale a pena qua
ndo as aftas não são pequenas.

As aftas como conseqüência de outras doenças
Muito raramente, as aftas orais repetidas são expressão de outras doenças subjacentes, como o Lúpus Eritematoso Sistémico, a Doença de Crohn ou a Doença de Behçet.
Estes casos caracterizam-se pela associação de outros sintomas e sinais:

  • Lesões cutâneas agravadas pela luz solar e dores articulares, no Lúpus
  • Dores abdominais com diarréias repetidas e sangüinolentas, na Doença de Crohn
  • Inflamações oculares e úlceras genitais, na Doença de Behçet


Os medicamentos disponíveis
A Colchicina é, curiosamente, um fármaco muito utilizado no tratamento da gota úrica, cujo mecanismo de ação lhe confere também eficácia no mecanismo inflamatório subjacente às aftas. A Talidomida foi um medicamento proscrito pela classe médica quando, no final dos anos 50, foi responsável pelo aparecimento de malformações fetais (deficiente desenvolvimento dos membros) relacionadas com a sua administração durante a gravidez.
Era então utilizado como sedativo ligeiro, mas o tempo veio a demonstrar tratar-se de um produto com excelente efeito sobre alguns tipos de lesões da pele e mucosas.
Dado não ter habitualmente outros efeitos secundários relevantes, para além de discreta sonolência, tem vindo a ser utilizado também com este objetivo preventivo das aftas. No caso da mulher em idade fértil, pelo que foi citado, a sua utilização obriga a rigorosas medidas de contracepção.

De tamanho variável, algumas mal se vêem, mas outras podem chegar a atingir vários milímetros de largura
Se sofre de aftas deve evitar alguns alimentos.
Os frutos secos, cítricos, algumas especiarias são particularmente perigosos.


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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