Otorrinolaringologia/ORL/Fono - Aftas - Um problema comum
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Otorrinolaringologia/ORL/Fono

Aftas - Um problema comum

16/06/2003


Quem nunca sentiu a horrível sensação de ter uma afta na boca?
Poucas pessoas, certamente, uma vez que este problema pode atingir perto de 60% da população. A afta não é um mero sintoma, é a própria doença, e o mais difícil é encontrar o que causa esta lesão.
Na lista negra estão alguns alimentos.

Quase todos nós já experimentámos a desagradável sensação de ter uma ou outra afta na boca em que o mínimo contato provoca uma dor intensa.
Mas em que consistem, afinal, as aftas? São lesões ulcerosas da mucosa oral, podem surgir na face interna dos lábios e das bochechas, na língua, no pavimento da boca e no palato mole. Raramente ocorrem no palato duro e nas gengivas aderidas (junto aos dentes).
A grande dúvida é saber o que está na origem destas incomodativas lesões.
As causas reais das aftas sempre iludiram os médicos e os cientistas, muitos fatores foram e continuam a ser apontados como responsáveis pelo seu aparecimento.
Uma das conclusões a que se chegou foi a de que a causa raramente é vírus. A hipótese das aftas serem causadas por bactérias também já foi posta de lado.
Em pessoas com aftas foram detectadas algumas deficiências vitamínicas, sobretudo de vitamina B12, ácido fólico e também ferro. A correção dessas deficiências provocou algumas melhorias mas apenas num número reduzido de casos.
A idéia corrente de que as aftas estão diretamente associadas a distúrbios gastrointestinais tem alguma razão de ser. Algumas pessoas que sofrem de perturbações digestivas ou de doenças intestinais crónicas, como a doença celíaca ou a doença de Crohn, em que há uma má absorção dos nutrientes, podem ter aftas com uma maior freqüência.
Existem alimentos que também podem originar o aparecimento destas lesões, os mais freqüentes são as nozes, o chocolate ou o abacaxi. Mas existem outros alimentos que também podem provocar aftas, embora muitos fatores possam causar o aparecimento de aftas, não foi, até ao presente, identificada uma causa universal comum a todos os casos.


As verdadeiras e as pseudo-aftas

Na maioria das situações a prevenção não é possível, visto que as causas das aftas são desconhecidas. A única forma de prevenir estas incomodas lesões é identificar o fator causal, ou seja, quando se identifica uma relação direta entre a exposição a um alimento, por exemplo, e o aparecimento das aftas. A solução é pôr de lado o consumo desse alimento.
Uma coisa é certa, as aftas verdadeiras não evoluem, garantem os especialistas. Isto porque não são a fase de uma doença, são a própria doença.
O que pode é haver uma confusão com pseudo-aftas, que são lesões ulcerativas semelhantes às aftas mas, no entanto, não têm as características típicas dos três tipos de aftas verdadeiras existentes (ver caixa) e podem ter outros sintomas associados. Nestes casos, podem ser um primeiro sinal de outra doença e é importante recorrer a um médico para fazer o diagnóstico adequado.
O tratamento varia conforme o grau de gravidade, infelizmente, não existe um tratamento simples e eficaz. Nas formas graves existem algumas opções terapêuticas, sendo necessário o aconselhamento médico, já que os medicamentos geralmente utilizados são os corticóides. Os antibióticos também podem ser usados para controlar as infecções secundárias.
No caso das aftas comuns, não existe um tratamento curativo, o que há são produtos para aliviar os sintomas. Como este tipo de afta provoca um desconforto relativamente tolerável, de um modo geral, não se justifica o emprego dos medicamentos usados nas aftas graves», defende este médico dentista. As complicações decorrentes do não tratamento das aftas são raras, mas se houver riscos de infecções secundárias nada melhor do que recorrer ao médico.

Os três tipos de aftas

Aftas comuns ou minor:

  • São as mais freqüentes;
  • Normalmente surge apenas uma, de formato arredondado e com menos de meio centímetro de diâmetro;
  • É uma lesão dolorosa coberta por uma membrana fibrinosa amarelada, rodeada por um halo vermelho;
  • Este tipo de afta desaparece ao fim de uma ou duas semanas sem deixar marcas.

Aftas graves ou major:

  • São uma expressão mais grave das aftas comuns;
  • Têm mais de meio centímetro de diâmetro, são bastante mais dolorosas e têm um aspecto crateriforme;
  • Podem persistir por períodos até seis semanas. Por vezes, assim que desaparece uma lesão pode surgir imediatamente outra. Podem encontrar-se várias em simultâneo;
  • Desencadeiam uma reação inflamatória muito mais intensa e normalmente deixam cicatrizes quando desaparecem.

Aftas herpetiformes:

  • São semelhantes às infecções por herpes;
  • Não são, no entanto, causadas por vírus, e diferem do herpes por não serem precedidas de vesículas;
  • Caracterizam-se por serem de pequenas dimensões e surgirem em agrupamentos;
  • Podem ser bastante dolorosas e desaparecem após uma ou duas semanas.

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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