Tabagismo/Fumo/Cigarro - Tratamento do tabagismo com bupropiona e da nortriptilina
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Tabagismo/Fumo/Cigarro

Tratamento do tabagismo com bupropiona e da nortriptilina

22/02/2006

Eficácia da bupropiona e da nortriptilina na cessação do tabagismo entre indivíduos sob risco ou já com diagnóstico de DPOC

 

Introdução

A supressão do tabagismo é a medida mais efetiva para diminuir o risco de DPOC e mesmo para reduzir a taxa de declínio do VEF1 que os pacientes com a doença instalada apresentam. Em função disso, neste estudo, os autores avaliam a eficácia da bupropiona e da nortriptilina na cessação do tabagismo entre os portadores desta enfermidade e entre os que estão sob risco de desenvolvê-la.

Métodos

Estudo prospectivo, randômico, duplo-cego, controlado com placebo, que foi conduzido entre março de 2002 e março de 2004, na Holanda. Foram incluídos indivíduos com idade entre 30 e 70 anos, tabagistas por pelo menos cinco anos, motivados a parar de fumar e que tivessem fumado pelo menos dez cigarros por dia no último ano. Excluíram-se os pacientes que já tivessem usado bupropiona ou nortriptilina, aqueles que viessem em uso de reposição de nicotina ou medicação psicoativa.

Os indivíduos foram divididos em três grupos: grupo bupropiona (GB – recebiam 150 mg/dia da medicação por sete dias e depois 300 mg/dia até completar três meses de tratamento), grupo nortriptilina (GN – recebiam 25 mg/dia da medicação por três dias, 50 mg/dia por três dias e depois 75 mg/dia até completar três meses de tratamento), grupo placebo (GP – placebo por três meses). Eles eram avaliados no início do estudo (avaliação basal), quando era estabelecido um dia-alvo para deixar de fumar, dez dias após o início da medicação ou placebo. Outras avaliações foram feitas uma, três, 12 e 26 semanas após o dia-alvo.

Resultados

Foram avaliados 255 pacientes, 86 no grupo bupropiona, 80 no nortriptilina e 89 no placebo. Os pacientes apresentavam, no início do estudo, características demográficas, clínicas e de tabagismo semelhantes. A aderência ao tratamento também não foi diferente entre os grupos, sendo que 37% dos indivíduos tomaram menos de 50% das medicações prescritas. Abstinência prolongada medida na semana 26 (nenhum cigarro fumado desde a quarta semana até o momento da avaliação) foi maior no grupo bupropiona do que no placebo. Embora essa diferença tenha ocorrido com a nortriptilina, ela não alcançou significância estatística. Separando-se os pacientes conforme estes apresentassem ou não DPOC instalada, observaram-se diferenças entre as medicações e o placebo apenas nos doentes (tabela 1).

Tabela 1. Abstinência prolongada ao cigarro medida após 26 semanas do dia-alvo nos três grupos

Indivíduos

Grupo Bupropiona

Grupo Nortriptilina

Grupo Placebo

p
GB vs. GP

p
GN vs. GP

Todos

27,9%

25,0%

14,6%

0,03

0,09

Com DPOC

27,13%

21,2%

8,3%

0,02

0,07

Sob risco

28,6%

32,1%

22,0%

0,49

0,34

A suspensão do tratamento por efeitos colaterais foi maior no GN (24%) do que no GB (15%) e no GP (9%). Os principais efeitos colaterais descritos entre os pacientes que receberam bupropiona ou nortriptilina foram insônia, boca seca e diarréia ou constipação. Não se observou crise convulsiva, potencial efeito colateral dessas medicações, durante o estudo.

Conclusões

A bupropiona mostrou-se uma opção eficaz no tratamento do tabagismo entre pacientes com DPOC ou sob seu risco. A nortriptilina constituiu-se em uma alternativa válida, embora menos eficaz que a bupropiona.

Comentários

O tratamento medicamentoso pode auxiliar em muito na cessação do tabagismo. Como opções consideradas de primeira linha estão a bupropiona e as formas de reposição de nicotina (adesivo ou goma-de-mascar). Segundo orientações do Ministério da Saúde, elas estão indicadas, isoladamente ou em associação, nos seguintes casos: fumantes com história de 20 ou mais cigarros por dia, fumantes de mais de 10 cigarros por dia, mas que fumam o primeiro cigarro até 30 minutos depois de acordar, fumantes com escore de Fagerström igual ou maior que cinco, fumantes que já tentaram parar de fumar anteriormente apenas com abordagem cognitivo-comportamental, mas não obtiveram êxito devido aos sintomas de síndrome de abstinência. Individualizações podem ser feitas conforme avaliação do médico. Nelas, além de se discutir com o paciente sobre a utilização ou não das medicações, a presença de doenças cujo tabagismo comprometem o prognóstico, como a DPOC, devem ser levadas em conta na tomada de decisão.

Os resultados deste estudo confirmam a eficácia da bupropiona no tratamento do tabagismo em uma população específica: pacientes com DPOC. Ao mesmo tempo eles sugerem a nortriptilina pode ser uma opção, embora com eficácia menor. Esta última teria a vantagem do menor custo, o que justifica a realização de novas pesquisas para caracterizar o seu real papel no tratamento do tabagismo. Os dois medicamentos mostraram-se seguros, não sendo observados efeitos colaterais graves.

 

Efficacy of bupropion and nortriptyline for smoking cessation among people at risk or with chronic obstructive pulmonary disease
Wagena EJ, Knipschild PG, Huibers MJH, Wouters EFM, van Schaych CP.
Arch Intern Med 2005;165:2286-2292

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