RESUMO
NILO SÉRGIO IRACET NUNES
O atual e crescente interesse em estudar o licopeno provém de sucessivas observações sobre o possível papel protetor deste componente dietético em doenças degenerativas. Recentemente tem sido demonstrado que a ingestão de licopeno é inversamente associada ao risco de doenças coronarianas e câncer de próstata. O tomate e seus derivados são clássicas fontes de licopeno, no entanto, goiaba, mamão e pitanga são também importantes fontes deste antioxidante. O objetivo deste estudo foi comparar o efeito do licopeno presente no tomate e na goiaba sobre o estresse oxidativo. O estudo foi realizado durante 28 dias com ratos machos adultos Wistar, divididos em 4 grupos que receberam as dietas: controle; cafeteria; cafeteria suplementada com licopeno, fonte: tomate; cafeteria suplementada com licopeno, fonte: goiaba. Amostras do fígado foram coletadas para análise das seguintes parâmetros antioxidantes: 1- enzimas: catalase (CAT), superóxido dismutase (SOD), glutationa peroxidase (GPx), glutationa S-transferase (GST) e glutationa redutase (GR); 2: tripeptídeos: glutationa na forma total (GT), reduzida (GSH) e glutationa oxidada (GSSG). Para a análise do dano celular, o TBARS foram analisados. O ganho de peso dos animais submetidos à dieta cafeteria foi significativamente maior em relação ao grupo controle, entretanto, não houve diferença significativa no ganho de peso entre os grupos cafeteria. Na análise do consumo alimentar não foi observado diferença no consumo energético entre o controle e cafeteria, porém, os grupos cafeteria suplementados com tomate ou goiaba apresentam um consumo energético maior, acompanhado de aumento nos níveis de consumo de carboidratos e de lipídeos. Observou-se um aumento significativo dos biomarcadores de estresse oxidativo, mensurados a partir dos resultados encontrados nas análises do TBARS e da glutationa oxidada (GSSG) nos grupos cafeterias. Os valores de SOD e CAT diminuídos nos grupos com dietas cafeteria suplementadas com tomate ou goiaba em relação ao grupo cafeteria não suplementado podem ser representativos de maior capacidade antioxidante das dietas com licopeno. Os resultados mostram que nos grupos suplementados com licopeno, proveniente tanto do tomate como da goiaba, houve uma possível menor utilização das defesas endógenas. Isto pode sugerir a ação antioxidante do licopeno contrapondo ao estresse oxidativo induzido pela dieta rica em gorduras presente na dieta cafeteria. Em conclusão, o licopeno presente na alimentação, originário tanto do tomate como da goiaba, pode estar envolvido na diminuição do estresse oxidativo provocado por uma ingestão elevada de gordura.
Palavras-chave: estresse oxidativo; antioxidantes; tomate; goiaba
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