António José Cabrita Lucas Laires
Universidade Nova de Lisboa (1990)
Os flavonóides são ubiquitários na porção edível de alimentos vegetais. O flavonol mais abundante, a quercetina, está presente nos vegetais essencialmente sob a forma de glicósidos. Estudámos a genotoxicidade da quercetina para diferentes alvos genéticos, como mutagéneo reverso (teste de Ames) e indutor de funções SOS (SOS cromoteste). A mutagenicidade da quercetina aumenta no teste de Ames em presença de enzimas hepáticas microsomais (S9) ou citoplasmáticas (S100), enquanto o inverso ocorre na induçáo de funções SOS. Tal sugere que a actividade lesiva do DNA pela quercetina depende de diversos mecanismos. Os nossos dados sobre a produção pH-dependente de radical superóxido pela quercetina e formação de produtos estáveis por autoxidação, apoia ainda aquela hipótese.
Foi estudada a genotoxicidade do vinho tinto, que se correlaciona com os teores de quercetina livre. Vi.nho branco e cerveja, que não contêm quercetina quantificável não se apresentaram significativamente genotóxicos.
Com vista a obter dados adicionais sobre a dependência do tratamento por glicosidases para detecção de genotoxicidade de glicósidos de flavonóis, caracterizámos a actividade beta-glicosidásica de extractos de flora fecal e salivar humana no que diz respeito à determinação de constantes cinéticas, pH e temperatura óptimos.
A avaliação da genotoxicidade durante o processo de vinificação demonstrou que a rutina é libertada das películas durante os primeiros 10 dias do processo e que é hidrolisada á medida que o processo decorre. Estes dados podem explicar os teores de quercetina livre no vinho tinto e a genotoxicidade na ausência de tratamento por beta-glicosidases.
http://www.fcm.unl.pt/departamentos/genetica/infop/tesesp/t2.html