Infecto-contagiosas/Epidemias - Doença de Creutzfeldt-Jakob
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Doença de Creutzfeldt-Jakob

29/04/2006

 

 

1.1.1 O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)?

 

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma doença fatal

do sistema nervoso central que se manifesta de várias formas clínicas.

Os sinais e sintomas mais frequentes são demência rapidamente

progressiva associada a tremores musculares de extremidades.

A DCJ é uma doença muito rara, com incidência mundial de

aproximadamente 1 caso para cada 1milhão de pessoas.

 

1.1.2 O que causa a DCJ?

 

Os cientistas reconhecem que existe um agente transmissível

que causa a DCJ. Todavia, a sua identificação tem sido muito

debatida e gerado polêmicas. Inicialmente acreditou-se que tratava-

se de um vírus, entretanto, pesquisas mais recentes indicam

que este agente é muito diferente dos vírus e de outros agentes

conhecidos. Uma teoria de grande aceitação na comunidade científica

é que o agente causador da DCJ não é um vírus ou qualquer

organismo conhecido, e sim um novo agente, recentemente descoberto,

que foi chamado de “príon”, abreviação para proteinaceous

infectious particle (partícula proteinácea infecciosa).

 

1.1.3 Como se contrai a DCJ?

 

A maneira de se contrair a DCJ pode ser classificada em

três categorias:

1) a DCJ pode ocorrer esporadicamente,

2) a DCJ pode ser herdada e,

3) a DCJ pode ser transmitida através de infecção.

DCJ esporádica

O termo DCJ esporádica se refere a todos os casos em que

Caderno Técnico - Encefalopatia Espongiforme Transmissível

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não existe uma fonte infecciosa conhecida e não existe evidência

da doença na história familiar do paciente. A maioria dos casos de

DCJ, aproximadamente 85%, ocorre de maneira esporádica, o

que reforça a existência de pontos ainda obscuros sobre a origem

da doença.

DCJ herdada geneticamente

Aproximadamente 10 a 15% dos casos de DCJ são herdados.

Estes casos familiares mostram uma mutação no gene que

codifica a produção da proteína príon.

DCJ através de infecção

Embora a DCJ seja causada por um agente infeccioso, esta

doença não pode ser considerada contagiosa. Pessoas que mantiveram

contato com pacientes portadores de DCJ não apresentam

risco de adquirir a doença maior do que a população em geral. Até

o presente momento, a única maneira de se contrair DCJ de uma

pessoa infectada é por meio de transmissão iatrogênica, ou seja,

como conseqüência de um procedimento médico em que foram

usados tecidos humanos ou instrumentos neuro-cirúrgicos contaminados.

Transmissão iatrogênica de DCJ já ocorreu em transplantes

de córnea, implantação de eletrodos no cérebro e em transplantes

de dura-máter contaminados. Pesquisas exaustivas não indicam

qualquer associação entre transfusão de sangue e transmissão

de DCJ.

Em 1996, o governo inglês declarou que existiria uma possível

conexão entre a Encefalopatia Espongiforme Bovina – EEB,

popularmente conhecida como doença da “vaca louca”, e o desenvolvimento

de uma nova doença, assemelhada a DCJ. A ingestão

de carne de gado com a doença da vaca louca poderia ser um fator

de risco para o desenvolvimento dessa nova doença, que está sendo

chamada de variante da DCJ (v-DCJ).

Capítulo I - Informações sobre a Doença

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1.1.4 Como se diagnostica a DCJ?

 

Infelizmente, não existe um teste laboratorial específico para

detectar precocemente a infecção pelo príon causador da DCJ. O

diagnóstico só é realizado quando a doença já exibe sintomas, como

a demência. Nesse momento, exames do líquido céfalo-raquidiano

(LCR), de ressonância magnética e de tomografia computadorizada

detectam alterações no sistema nervoso, mas que podem ser encontradas

também em outras doenças neurológicas. O eletroencefalograma pode mostrar alterações observadas em estágios avançados da doença auxiliando na confirmação diagnóstica.

O diagnóstico definitivo é alcançado por meio da detecção de alterações características da doença em tecido cerebral obtido por autópsia. Uma outra opção seria obter esse tecido por biópsia cerebral.

No entanto, por se tratar de um procedimento invasivo (abertura do crânio) e muito arriscado, a biópsia cerebral para diagnóstico de DCJ não é indicada.

 

1.1.5 Existe tratamento para DCJ?

 

Não. Infelizmente até o momento não existe nenhum tratamento

efetivo para DCJ. A doença ainda é fatal em todos os

casos diagnosticados.

1.1.6 Existem casos de DCJ no Brasil?

Uma revisão dos dados consolidados pelo Sistema de Informação

de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, indica

que, no período de 1980 a 1999, ocorreram 105 óbitos atribuídos

a DCJ. Por outro lado, não existem relatos sobre a ocorrência

de casos ou óbitos da forma variante da DCJ no Brasil. A

inexistência de animais com manifestação da encefalopatia

espongiforme bovina (doença da “vaca louca”) no país, confirma

as informações sobre a não ocorrência de casos ou óbitos dessa

forma variante na população.

Caderno Técnico - Encefalopatia Espongiforme Transmissível

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1.1.7 Quais as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde (MS)

para monitorar a DCJ no Brasil?

 

a. Embora não existisse qualquer evidência de transmissão de

DCJ e vDCJ por meio de transfusão de sangue ou uso de

hemoderivados, em 1998 o MS já havia suspendido a importação

de todos os derivados sanguíneos provenientes da Inglaterra.

b. Além das análises das informações disponíveis nos registros

oficiais para a DCJ no Brasil, a Fundação Nacional de Saúde

(Funasa) está implementando um sistema de vigilância ativa em

hospitais de referência do país para detecção de casos da forma

variante da DCJ (vDCJ).

c. Disseminação de informações sobre DCJ e vDCJ para hospitais

e profissionais de saúde, visando o esclarecimento dos pacientes

que tenham recebido transfusão sanguínea ou hemoderivados,

no sentido de que não existem evidências de transmissão dessas

doenças por este procedimento.

d. Realização de encontros científicos com participação de

profissionais de saúde, incluindo neurologistas e neuro-cirurgiões,

com objetivo de aumentar o entendimento destes profissionais

quanto a importância das atividades de vigilância para DCJ e vDCJ

e alcançar maior colaboração por parte dos mesmos na notificação

dos casos suspeitos.

 

http://www.redegoverno.gov.br/defaultCab.asp?idservinfo=1961&url=http://www.anvisa.gov.br/toxicologia/informed/informed.htm


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