Uso de plantas medicinais tem apoio científico
Sem recursos e tempo para resolver seus problemas de saúde, o Brasil e outros países, com apoio da Organização Mundial de Saúde, começaram a resgatar a medicina popular e nesta as plantas medicinais ressurgiram com força e vigor.
Visando baratear custos e preços e levando em conta o grande potencial em plantas medicinais que o país apresenta, já que dispõe de vasta área geográfica onde estas ervas são nativas, a ex-CEME (Central de Medicamentos), em 1982, implantou um programa para pesquisar as plantas de uso popular existentes no Brasil visando estudar possíveis substâncias ativas que servissem para preparados fitoterápicos científicos.
Instituiu-se uma comissão que distribuiu as primeiras vinte e uma plantas em grupos de estudo de acordo com o receituário do povo, assim distribuído:
- ervas com ação analgésica, antipirética, antiinflamatória e/ou antiespasmódica;
- plantas sedativas, ansiolíticas ou hipnóticas;
- ervas de ação antiparasitária,
- plantas antidiarrêicas;
- ervas diuréticas, hipotensoras e/ou antilitiásicas ficaram a cargo de um;
- ervas expectorantes, béquicas e/ou broncodilatadoras de outro;
- plantas de pretensas ações cicatrizantes e/ou anti-sépticas locais;
- ervas que atuam nos diabetes;
- plantas, com efeito, antiinfeccioso;
- ervas populares ditas antieméticas, antinauseantes e/ou digestivas
- por fim um grupo estudaria a ação antiúlcera gástrica, de duas plantas somente: a aroeira e a espinheira-santa, ou divina.
O primeiro passo foi nomear corretamente estas plantas com seu nome latino, para que não ocorresse o costumeiro erro de se dar mesmo nome a plantas diferentes ou nomes diferentes a plantas iguais, dependendo do local onde elas estão.
Depois elas seriam estudadas por distintos pesquisadores, que diriam se tais plantas atuariam mesmo nos males que a medicina popular apregoava e caracterizariam ou não efeitos adversos e toxidade para, posteriormente, liberarem seu uso em dosagens e formas adequadas.
Após os exames a que alguns destes vegetais foram submetidos, comprovou-se, por exemplo, que Cymbopogon citratus Stapf, o conhecido
capim-cidreira, capim-limão ou capim-santo das estradas, não tem ação sedativa e sim analgésica e que a espinheira-santa (Maytenus ilicifolia
Mart), uma celastrácea, é excelente antiulceroso para o estômago.
Nesta linha de estudos a Mentha crispa, uma espécie da menta = hortelã, é eficiente e eficaz contra protozoários. Ela já é, inclusive, usada
isoladamente no medicamento industrializado "Giamebil plus", bem como uma enorme variedade de plantas também o é.
Vasto número de produtos oriundos diretamente das ervas do nosso povo e dos índios ancestrais pode ser encontrado sem muitas dificuldades. Exemplos do alecrim, valeriana, camomila, maracujá, agrião, etc.
Inclusive, muitas ervas têm uso milenar, posto que há citação de várias em papiros do antigo Egypto. Comenta-se muito da californiana Aloe Vera (parente da nossa babosa) na cura do câncer, da equinácea como antibiótico, da Cáscara sagrada do oriente como laxativo, da Angélica mineira para os problemas hormonais femininos e da Ginkgo biloba, do extremo oriente, a droga mais estudada e receitada hoje no mundo.
Encontra-se, facilmente em jornais, revistas leigas e também em publicações da área da saúde uma gama de artigos sobre plantas
medicinais, que estão sendo usadas, cientificamente, cada vez mais.
A Organização Mundial da Saúde vem apoiando há muito tempo e com grande expectativa o estudo destas plantas, que universidades tradicionais como a USP, a UNAERP, a UNESP, a de Alfenas (MG), já incluíram fitoterapia (tratamento com plantas medicinais ) em seus currículos e estão a pesquisar ervas curadoras em seus cursos de farmácia. Também já há palestras e cursos sobre ela nas mesas culturais da área da saúde.
Dr. Luiz Carlos Leme Franco
Médico Fitoterapeuta