Medicina Esportiva/Atividade Física - Programas e campanhas de promoção da atividade física
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Medicina Esportiva/Atividade Física

Programas e campanhas de promoção da atividade física

24/05/2006

Ciênc. saúde coletiva v.10 supl.0 Rio de Janeiro set./dez. 2005

ARTIGO ARTICLE

 

 

 

Programs and campaigns to promote physical activity

 

 

Marcos Santos FerreiraI; Alberto Lopes NajarII

ILaboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde (LABSAU), Uerj. Rua São Francisco Xavier, 524, sala 8.133 bloco F, Maracanã, 20550-900, Rio de Janeiro RJ. msantos@uerj.br
IIEscola Nacional de Saúde Pública

 

 


RESUMO

O incentivo à prática regular da atividade física vem sendo apontado como importante ação na área da saúde pública, o que vem ensejando iniciativas de larga abrangência populacional, na forma de programas e campanhas em prol de estilos de vida ativos. Neste artigo, fazemos reflexões sobre o processo de adesão à prática regular de atividades físicas e sobre as ações costumeiramente adotadas nesse sentido em programas de promoção da atividade física (especialmente Agita São Paulo e Programa de Educação e Saúde através do Exercício Físico e do Esporte). Identificamos que os objetivos, estratégias e avaliações dos programas enfocam o aumento do nível de atividade física da população e a ampliação de seus conhecimentos sobre os benefícios da atividade física. Tendo em vista a complexidade da adesão à prática de atividades físicas, apontamos a necessidade de se ampliar o número de variáveis sobre as quais devem repousar as ações e a avaliação dos programas. A nosso ver, além do quantitativo de pessoas fisicamente ativas, é preciso considerar variáveis como oferta, acessibilidade e qualidade de espaços para traduzir melhor o desempenho das ações adotadas, tornando mais consistentes a elaboração e a avaliação desses programas de promoção da atividade física de larga abrangência populacional.

Palavras-chave: Exercício físico, Políticas públicas, Adesão


ABSTRACT

Incentive for regular physical activity has been considered an important line of action in public health, stimulating initiatives with wide population reach such as programs and campaigns aimed at promoting active lifestyles. On the present paper, we make some considerations about the process of adherence to regular physical activity and the lines of action usually adopted in physical activity promotion programs (especially Agita São Paulo and Programa de Educação e Saúde através do Exercício Físico e do Esporte). We found that these programs' objectives, strategies and evaluation are focused on the increment of population physical activity and knowledge of physical activity benefits. Given the complexity of physical activity adherence, we believe that it is necessary to increase the number of variables on which actions and evaluation of programs should be based. In our opinion, besides the number of physically active individuals, variables such as facilities availability, accessibility and quality should be considered in order to demonstrate the effectiveness of lines of action adopted, improving the design and evaluation of physical activity promotion programs with wide population reach.

Key words: Physical exercise, Public policies, Adherence


 

 

Introdução

A necessidade de se compreenderem os condicionantes e as conseqüências da adesão ao exercício físico estende-se desde o contexto de programas médicos supervisionados até o domínio da saúde pública. Esse campo de estudo, cujo acúmulo de conhecimentos ainda é pequeno diante de sua importância (principalmente no Brasil), não pode ser visto como domínio exclusivo de uma área de conhecimento específica.

De fato, profissionais das mais diversas áreas como psicologia, educação física, medicina, entre outras, vêm se dedicando cada dia mais ao estudo dessa temática. Apesar disso e da relativa consolidação da adesão ao exercício como área de estudos, não há muito o que comemorar no que diz respeito à sua difusão. Com efeito, já em meados da década de 1990, Dishman (1994) apontava não ter havido avanços significativos no nível de prática de exercícios em nações industrializadas. Essa situação parece perdurar, haja vista que mais de 60% da população adulta em quase todos os países desenvolvidos e nas áreas urbanas do mundo menos desenvolvido apresenta níveis insuficientes de atividade física (CDC, 2000).

A compreensão e a eventual alteração desse quadro requerem ações de larga abrangência, envolvendo profissionais de várias áreas, que tenham em comum o interesse em difundir a atividade física na perspectiva da promoção da saúde. Nesse contexto, intervenções na área de políticas públicas são particularmente importantes.

Tendo essas questões presentes, reflete-se, neste artigo, sobre o processo de adesão à atividade física, como empreendimento na área da saúde, e sobre as ações costumeiramente adotadas nesse sentido. A partir do reconhecimento da multidimensionalidade e complexidade do fenômeno da adesão, sugerimos que mais variáveis sejam consideradas na avaliação de ações em prol da prática regular de atividades físicas.

 

Atividade física e saúde

Quem nunca ouviu dizer que "atividade física faz bem à saúde"? Embora expressa pelo dito popular, essa afirmação extrapola sua dimensão de senso comum. De fato, hoje, a prática regular de exercícios vem sendo apontada como importante ação na área de saúde pública (Sallis & Mckenzie, 1991). Essa possibilidade encontra suporte teórico na influência benéfica da atividade física no status de saúde (Oguma et al., 2002; Andersen et al., 2000) que, por sua vez, se fundamenta na difundida associação entre exercício e indicadores de morbimortalidade que, há anos, vem sendo investigada por diferentes autores, conforme resumido no quadro 1.

 

 

Contudo, apesar da associação feita entre prática regular de exercícios e saúde, é importante apontar que essa relação vem sendo questionada. Há quem argumente, por exemplo, que ela pode ser lida de outro modo: as pessoas praticam exercícios porque gozam de melhor saúde, e não o inverso, o que caracterizaria um problema de "endogeneidade".

Williams (2003), por exemplo, aponta limitações metodológicas nos estudos que costumam propor tal relação. O autor demonstrou que as conclusões obtidas por Blair et al. (1995) poderiam ser atribuídas a erro de medida na determinação dos níveis de aptidão física nas diferentes categorias. Segundo o autor, tal artefato estatístico poderia ser aplicado em outros estudos com delineamento metodológico similar.

Solomon (1991), por sua vez, alerta sobre os perigos da "febre" de exercícios como forma de se obter saúde e cita vários estudos cujos resultados fragilizam a idéia de que o exercício aumenta a longevidade. Boa parte de suas argumentações é corroborada por Carvalho (1995), autora que critica o discurso da atividade física como sinônimo de saúde, o consumismo em geral a ele associado e a acriticidade das discussões a respeito da temática.

Sobral (1990) também adverte que a associação sem reservas entre exercício físico e saúde, numa relação de causalidade, pode levar ao campo do "otimismo ingênuo", uma vez que os benefícios do exercício dependem fundamentalmente da forma como é praticado. De fato, vários autores argumentam que ao desenvolvimento da aptidão física não corresponde necessariamente uma melhoria do status de saúde (Haskell et al., 1985) e que nem todas as repercussões do exercício físico e do desporto são benéficas à saúde (Meinberg, 1989). Há estudos, por exemplo, que demonstram que o treinamento ao qual os atletas do desporto de rendimento são submetidos pode levar, anos mais tarde, a seqüelas no organismo (Meeusen & Borms, 1992).

Ainda que o debate acerca da relação entre exercício físico e saúde esteja longe de findar, com base no exposto até o momento, parece-nos razoável aceitar o exercício como um dos fatores que podem contribuir positivamente para a saúde de indivíduos e comunidades e, ao mesmo tempo, recusar a relação de causalidade entre eles. O fato é que a possibilidade de o exercício físico contribuir positivamente para a saúde vem dando suporte a iniciativas que visam engajar populações em uma vida fisicamente ativa.

 

A relação adesão/acesso

A maioria dessas iniciativas tem por objetivo ampliar o conhecimento da população sobre a prática e os benefícios dos exercícios. No entanto, se isso fosse suficiente, esperar-se-ia que países que já vêm se debruçando sobre a problemática do sedentarismo há alguns anos, como Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha e Austrália, apresentassem taxas mais animadoras de adesão ao exercício físico. Segundo King et al. (1995), apesar das evidências dos benefícios da prática regular de exercícios para a saúde, a maioria dos americanos permanece inativa. Esse quadro parece ser o mesmo em muitos países industrializados, nos quais o nível de atividade física dos adultos permanece bem aquém do recomendado (CDC, 2000; Dishman, 1994). Com efeito, parece não haver evidências que sustentem o fato de que apenas o maior conhecimento sobre exercício leve as pessoas a uma vida fisicamente ativa. Segundo Dishman et al. (1985), menos de 5% da população acredita que um maior conhecimento sobre os benefícios do exercício contribuiria para um aumento de sua prática.

A questão da motivação e adesão ao exercício é, portanto, multidimensional (Welk, 1999; Sallis et al., 1989; Biddle, 1987; Dishman et al., 1985), o que torna complexo o estudo e estabelecimento de diretrizes que visem à adesão. De fato, a literatura revela que a adesão à prática de atividades físicas e desportivas sofre a influência de muitos fatores, como: experiências anteriores na prática desportiva e de exercícios físicos; apoio do cônjuge e de familiares (King et al., 1992); aconselhamento médico (Bull & Jamrozik, 1998); conveniência do local de exercitação (Andrew et al., 1981); aspectos biológicos/fisiológicos (Klonoff et al., 1994; Dishman, 1981; Dishman & Gettman, 1980); gênero (Garcia et al., 1995); automotivação para a prática do exercício (Farinatti, 1998); disponibilidade de tempo (Johnson et al., 1990); condição socioeconômica (Monteiro et al., 1998; Raudsepp & Viira, 2000); conhecimento sobre exercício físico e acesso a instalações e espaços adequados à prática de exercício físicos (Sallis et al., 2000; Welk, 1999). É importante assinalar que a importância relativa de cada um desses fatores na adesão à prática do exercício pode variar de acordo com o local, a população ou o período de tempo estudado.

No que se refere aos fatores ambientais, embora não sejam muitos os estudos (King et al., 1995), é possível afirmar que o ambiente influencia a prática da atividade física (Welk, 1999). Porém, como a literatura sobre adesão emprega o termo "ambiente" de forma abrangente para se referir à influência de fatores externos à pessoa, a produção científica nessa área específica acaba se tornando um pouco difusa no tocante à influência dos fatores ambientais. Para se ter uma idéia, estudos que tratam da influência do ambiente na adesão abordam fatores bem diversos que vão desde a influência da família (pais, cônjuges), de colegas e de profissionais de saúde até a influência do clima e do acesso a instalações, passando ainda pela disponibilidade de tempo e de recursos financeiros.

No que concerne ao ambiente físico, há estudos que apontam uma associação entre a proximidade de instalações privadas e a freqüência na prática de exercícios vigorosos (Sallis et al., 1990). À conclusão semelhante chegaram Brownell et al. (1980), que identificaram que modestas alterações no ambiente físico são capazes de influenciar a atividade física realizada no cotidiano. No estudo em questão, o uso de um cartaz que encorajava o uso da escada em locais públicos, estrategicamente posicionado entre ela e uma escada rolante, resultou no aumento do número de pessoas que optavam pela escada durante o período de exposição do cartaz. Linenger et al. (1991) promoveram alterações no ambiente físico e social de uma base naval americana. Dentre as adequações do ambiente físico estavam a construção de uma ciclovia e a compra de novos equipamentos para o exercício. Após um ano, os autores identificaram uma melhora significativa no tempo do teste de uma milha e meia.

Em que pesem os poucos estudos sobre a influência do ambiente físico na adesão ao exercício, o exame da literatura indica que o acesso a instalações é, provavelmente, uma variável ambiental que interfere na escolha da pessoa em se exercitar (Sallis et al., 1990). Segundo esses autores, a riqueza na oferta de instalações para a prática do exercício além de servir de estímulo visual, chamando a atenção das pessoas para a questão da prática do exercício, reduz barreiras físicas e psicológicas associadas ao exercício, uma vez que a proximidade do local de exercitação diminui o tempo de deslocamento da pessoa.

A importância das condições ambientais para a prática de atividades físicas também é compartilhada por mais autores. Para Hunter (1994), os espaços ao ar livre obviamente contribuem de modo potencial para uma vida ativa, além de constituírem parte significativa da identidade comunitária. Iverson et al. (1985) afirmam que mudanças no ambiente comunitário permitem ampliar as oportunidades para as pessoas se engajarem na prática de atividades físicas. Hunter (1994) segue o mesmo raciocínio ao defender a necessidade de as pessoas terem uma maior independência em relação à prática de atividades físicas, no que tange ao uso de recursos próprios, da vizinhança e de agências de lazer e de aptidão física na adoção do estilo de vida próprio. De acordo com King (1994), dadas a abrangência e a complexidade do problema da inatividade física, a alteração desse quadro requer a suplementação e a expansão de ações nos níveis ambiental, organizacional, institucional, social e legislativo. Nesse contexto, intervenções ambientais e na área de políticas públicas são particularmente importantes para a promoção da atividade física, porque ambas são elaboradas para influenciar grandes grupos populacionais.

Considerando toda essa complexidade, as ações adotadas por muitos países em prol da prática regular da atividade física devem ser amplas o suficiente para dar conta do fenômeno da adesão. Porém, é possível afirmar que programas e campanhas de promoção de estilos ativos de vida são as ações que vêm se destacando dentre as estratégias adotadas pelo poder público.

 

Programas de promoção da atividade física: a experiência brasileira

No Brasil, os programas parecem assumir posição de destaque, ainda que possa haver diferenças no montante de recursos públicos destinados à promoção da atividade física, às pesquisas e ao estabelecimento de políticas públicas na área. De fato, nos últimos anos, essa preocupação com a saúde pode ser sentida em algumas iniciativas que vêm sendo adotadas pelo poder público.

Em 1986, por exemplo, foi criado o Programa Nacional de Educação e Saúde através do Exercício Físico e do Esporte, pelos Ministérios da Saúde e da Educação e do Desporto, envolvendo, respectivamente, suas Coordenadoria de Doenças Crônico-Degenerativas e Secretaria de Educação Física. O programa surgiu com o objetivo de contribuir para o aumento da prática desportiva e de atividades físicas pela população, conscientizando-a sobre a importância da atividade física como fator de saúde e estimulando o desenvolvimento de hábitos mais saudáveis de vida.

Em 1987/1988, o Programa foi implantado em 14 Estados através de convênios com universidades públicas e a Secretaria de Educação Física e Esportes do MEC. A Política Nacional do Programa foi implementada por uma Comissão Interministerial – Ministérios da Saúde e da Educação – e por um Comitê Assessor, sempre objetivando a discussão do binômio exercício físico-saúde. Mais recentemente, em 1998, foi instituído o Comitê Técnico Científico de assessoramento das ações do Programa através da portaria nº 3.711/1998 do Ministério da Saúde (Brasil, 1998).

A coordenação geral do Programa, que hoje é uma realidade em 27 Estados brasileiros, está sediada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Por conta disso, é na Faculdade de Educação Física da Unicamp que está o Núcleo de Educação à Distância em Exercício Físico e Saúde que tem a função de orientar e divulgar as ações do programa. Dentre as ações implementadas por esse programa estão a edição de materiais de educação à distância sobre Atividade Física e Saúde, publicados em 1986 (1ª edição) e 1996 (2ª edição, revista e atualizada, com tiragem de 2.000 exemplares).

Além desse suporte e da coordenação geral, há coordenadores em cada Estado da federação formando, assim, uma rede nacional de informações sobre o desenvolvimento das ações voltadas à promoção da prática de atividades físicas. O último encontro do Programa – III Encontro Nacional do Programa de Educação e Saúde através do Exercício Físico e do Esporte – realizou-se de 6 a 10 de novembro de 2001 na cidade de Salvador. Nesse III Encontro reiteraram-se os objetivos do programa, dentre os quais está a implementação, em parceria com as universidades federais e estaduais, de estratégias e de equipes locais para o fomento de programas de atividade física e saúde à população.

Em dezembro de 1996, foi lançado o Programa Agita São Paulo pelo Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), atendendo à solicitação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo de criar um programa para promover saúde por meio da atividade física. Os objetivos principais do Agita São Paulo são (a) incrementar o conhecimento da população sobre os benefícios da atividade física e (b) aumentar o envolvimento da população com a atividade física. Para isso, o Programa elege como alvos principais os escolares (crianças e adolescentes), os trabalhadores (colarinho branco e azul) e os idosos (Celafiscs, 1998).

Para tanto, o Agita São Paulo conta com o apoio do poder público (na figura do governo do Estado de São Paulo e de suas Secretarias de Saúde e da Juventude, Esporte e Lazer), de várias instituições, universidades, além de numerosos assessores científicos. Em sua estrutura organizacional, o programa possui um colegiado, composto de várias instituições (governamentais e não-governamentais), que se reúne periodicamente para definir as ações e estratégias a serem implementadas no ano, que se traduzem notadamente na elaboração de material educativo (cartazes, fôlderes, manuais, slides e vídeos) e na organização de inúmeros eventos, dentre os quais destacam-se o Dia do Escolar Ativo (30 de agosto), o Dia do Trabalhador Ativo (1º de maio) e o Dia do Idoso Ativo (28 de setembro) (Celafiscs, 1998). Desde a sua criação, o Agita São Paulo vem promovendo a capacitação de agentes de promoção da atividade física (os 'agentes Agita') e multiplicando seus programas em várias cidades brasileiras.

A difusão do Programa Agita São Paulo se deu de forma tão expressiva que, em 2001, o poder público federal o escolheu para pautar suas ações estratégicas de promoção da atividade física em nível nacional. Conhecido como Agita Brasil, o Programa Nacional de Promoção da Atividade Física foi adotado pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2001) como forma de incrementar o conhecimento da população sobre os benefícios da atividade física, chamando a atenção para a sua importância como fator predominante de proteção à saúde, no intuito de envolvê-la na prática de tais atividades (Brasil, 2002). Para tanto, além das crianças, adolescentes, trabalhadores e idosos, o Agita Brasil incluiu os portadores de doenças crônico-degenerativas como um de seus grupos focais.

A mensagem utilizada pelos Programas "Agita" para a promoção de estilos ativos de vida apóia-se na recomendação adotada por programas dos EUA e, na prática, assume o seguinte enunciado: Atividade física é saúde: acumule 30 minutos por dia (...) na maioria dos dias da semana, se possível todos, de forma contínua (...) ou em sessões acumuladas de 10, 15 ou 20 minutos (Celafiscs, 1998).

 

A questão do sedentarismo endêmico

Em que pesem iniciativas de promoção do exercício em âmbito educacional, talvez a mais difundida na sociedade brasileira (seja em congressos científicos, pela mídia ou por meio de ações governamentais) esteja mesmo nos programas em prol de estilos ativos de vida. No entanto, o esforço desses programas em promover a prática regular da atividade física parece não estar surtindo os efeitos esperados, uma vez que grande parte da população brasileira permanece fisicamente inativa. Embora não sejam muitos os dados sobre sedentarismo e ainda haja uma certa dificuldade em obtê-los, há pesquisas que nos permitem ter um panorama da situação brasileira.

Estudo realizado no final da década de 1980, encomendado pelo Ministério da Saúde, revelou números bastante esclarecedores acerca da prevalência do sedentarismo na população brasileira. Das 2.003 pessoas entrevistadas, 33% declararam praticar exercícios regularmente e somente 10% admitiram fazê-lo com freqüência superior a duas vezes semanais (Brasil, 1988). O principal motivo alegado para a prática do exercício foi a manutenção da saúde e da resistência física.

Em fins da década de 1990, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em convênio com o Banco Mundial conduziu a Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV), na qual cerca de 5.000 domicílios em 554 setores nas regiões Nordeste e Sudeste do país foram pesquisados com o objetivo de fornecer informações adequadas para o planejamento, acompanhamento e análises de políticas econômicas e programas sociais em relação aos seus impactos nas condições de vida domiciliar (Brasil, 1999). No que se refere ao exercício físico, o estudo identificou que 19,2% das pessoas declararam praticá-lo semanalmente. Porém, quando considerada freqüência igual ou superior a três vezes por semana e duração igual ou maior que 30 minutos, a proporção de declarantes fisicamente ativos reduziu-se para 7,9%. Diferentemente do estudo anterior, quando indagadas sobre os principais motivos para a prática do exercício físico, cerca de 74,5% das pessoas que declararam praticar exercício semanalmente apontaram o lazer, a diversão e a estética. Nesse grupo, apenas 10,4% apontaram a saúde, a fisioterapia e o aconselhamento médico como motivos para a prática de exercícios físicos.

Embora de menor abrangência populacional e envolvendo grupos diferentes, há outros estudos que de certo modo corroboram os achados sobre sedentarismo na população brasileira. Pesquisa realizada no final da década de 1980 apontou uma prevalência de sedentarismo de 69,3% para a população do município de São Paulo (Rego et al., 1990). Mais recentemente, Gomes et al. (2001) identificaram que 59,8% dos homens e 77,8% das mulheres residentes no município do Rio de Janeiro com 12 anos ou mais de idade relataram nunca ter praticado atividade física de lazer. Níveis semelhantes de sedentarismo foram identificados em estudantes. Tomando por base amostra de 325 alunos, Silva & Malina (2000) encontraram alta prevalência de sedentarismo em adolescentes da rede pública de ensino do município de Niterói (RJ), uma vez que 85% dos meninos e 94% das meninas foram considerados sedentários. Valores muito próximos a esses foram encontrados por Guedes et al. (2001) em alunos do ensino médio do município de Londrina (PR). Cerca de 94% das moças e 74% dos rapazes foram considerados inativos ou moderadamente ativos, o que, segundo os autores, não atende às recomendações quanto à prática de atividade física que possa alcançar impacto satisfatório à saúde.

Por outro lado, há estudos que apontam prevalências de sedentarismo um pouco menores. Pesquisa realizada no início da década de 1990, com 1.157 indivíduos entre 15 e 64 anos de idade, residentes no município de Porto Alegre, identificou uma prevalência de sedentarismo geral de 47% (Duncan et al., 1993). Mais recentemente, Oehlschlaeger et al. (2004) verificaram prevalência de sedentarismo de 39% no município de Pelotas (RS), mas com base numa amostra de 960 adolescentes com idades entre 15 e 18 anos, comumente mais ativos que adultos.

Para embaraçar ainda mais a situação, vale citar a pesquisa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)/Organização Mundial da Saúde (OMS) (Szwarcwald, 2004), cujos resultados preliminares apontam uma prevalência de sedentarismo inferior à encontrada nos estudos anteriores. No que diz respeito à atividade física (no lazer ou relacionada ao trabalho), seja vigorosa, moderada ou caminhada, 24% dos entrevistados relataram praticar menos que 150 minutos por semana, o que é considerado insuficiente de acordo com os critérios da OMS. O percentual de pessoas que não realiza nenhum tipo de atividade física é de 11% na população total, atingindo o patamar de 20% entre os indivíduos mais idosos e de menor nível socioeconômico.

Ainda que alguns desses dados não sejam tão recentes e alguns deles não possam ser comparados diretamente, tendo em vista a diferença de metodologias utilizadas, parece-nos razoável admitir que a maioria da população brasileira não pratica atividade física regularmente, o que inclusive é confirmado por vários autores (Monteiro et al., 2003; Brasil, 2002; Lemos, 2001; Matsudo et al., 2001). No que se refere à motivação para essa prática, porém, os resultados dos estudos em nível nacional (Brasil, 1999; 1988) são conflitantes, colocando em dúvida a idéia, razoavelmente aceita pelo senso comum, de que a saúde é o principal motivo que leva as pessoas à prática de exercícios.

 

Discutindo alguns elementos para a avaliação de programas

Pelo exposto até o momento, é possível afirmar que programas e campanhas se apresentam como o que há de mais consistente no que se refere a ações para a promoção da atividade física em nível nacional. Embora haja estudos e propostas para que a Educação Física escolar assuma como uma de suas funções a promoção de estilos ativos de vida como forma de combater o sedentarismo da população brasileira e, por conseguinte, reduzir o índice de doenças crônicas não-transmissíveis (Nahas & Corbin, 1992; Guedes & Guedes, 1992; 1993a; 1993b; 1994), elas não chegam a constituir um movimento de escopo nacional e de caráter governamental. Um dos documentos que poderiam sugerir esse direcionamento para a Educação Física escolar brasileira seria o que estabelece os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), publicado em 1998 pelo Ministério da Educação. Os PCN, de fato, marcam a íntima relação que os conteúdos da Educação Física (jogo, esporte, dança, ginástica e luta) podem ter com o tema transversal "saúde", no entanto, não parecem sugerir que a essa disciplina escolar caberia o papel primeiro de contribuir para a redução dos índices de sedentarismo da população brasileira.

Não obstante, a Educação Física escolar não fica imune a interferências dos programas pró-atividade física. O Programa Agita São Paulo, por exemplo, também visa influenciar a Educação Física escolar a promover estilos ativos de vida e a melhorar a qualidade das aulas, aumentando o tempo real de atividade física nas mesmas (Celafiscs, 1998). Além disso, são realizados eventos reunindo escolas estaduais, municipais e boa parte das escolas particulares do Estado de São Paulo para discutir com alunos, professores, pais e dirigentes escolares a atividade física como forma de promoção da saúde (Agita Galera) e distribuídos materiais instrucionais (cartazes, cartilhas etc.) pela Secretaria de Estado de Educação de São Paulo e pelo próprio programa.

Essas considerações apenas vêm confirmar a preponderância que, ousamos afirmar, os programas têm em relação à totalidade das ações em prol da prática sistemática de atividades físicas implementada pelo poder público brasileiro. Ora, considerando que esses programas são subsidiados em boa parte com recursos públicos (Matsudo et al., 2003), sua permanente avaliação é fundamental não só para se analisar a pertinência do investimento público, mas também das ações e estratégias adotadas, tomando-se como referência os objetivos propostos e a correspondência com os resultados obtidos. Em linhas gerais, pode-se dizer que os programas visam ampliar o conhecimento da população acerca da importância da prática regular de atividades físicas para a saúde e aumentar a parcela da população fisicamente ativa de modo a contribuir para a prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis. Isso se expressa, por exemplo, nos objetivos do Programa de Educação e Saúde através do Exercício Físico e do Esporte: (a) capacitar profissionais das áreas de Educação, através de metodologia de ensino à distância, em Exercício Físico e Saúde; (b) implementar (...) equipes locais para o fomento de programas de atividade física e saúde junto à população; (c) produzir material para a população em geral e para os profissionais das áreas de Educação e Saúde sobre a importância da prática da atividade física como fator de promoção de saúde; e (d) implementar o Programa junto às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e outros (...) como instrumento de promoção e recuperação da saúde, de prevenção das doenças, de melhoria do bem-estar social e da qualidade de vida (Unicamp, 2001).

Objetivos semelhantes também podem ser observados no Agita Brasil, principalmente no que se refere à preocupação com a difusão de conhecimentos sobre a prática de atividades físicas e o fomento da adesão a estilos ativos de vida com vistas à redução de doenças crônicas não transmissíveis na população. Senão vejamos: (a) divulgar informações relativas aos benefícios da atividade física e promover o envolvimento da população nestas práticas, enfatizando a sua importância como fator essencial de proteção à saúde, em especial no caso de portadores de doenças crônicas não-transmissíveis; (b) promover ações e atividades que induzam as pessoas a adotar, de forma regular, a prática de atividades físicas como um hábito de vida; (c) constituir-se instrumento de sustentabilidade e efetividade às ações de prevenção e controle de doenças crônicas não-transmissíveis; e (d) desenvolver estudos e formular metodologias nacionais capazes de comprovar benefícios e avaliar impactos da promoção da atividade física na alteração de hábitos de vida e no controle e prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis (Brasil, 2001).

Sendo assim, a avaliação do desempenho desses programas deve pautar-se em indicadores que expressem o alcance dos objetivos anteriormente formulados. Nesse sentido, esperam-se estudos que, tomando como referência determinada região atendida por programas de promoção de atividades físicas e respeitando tempo mínimo necessário para se observarem mudanças, apontem, por exemplo, o percentual da população fisicamente ativa, o nível de conhecimento acerca da importância e da prática regular de atividades físicas propriamente dita e a prevalência de doenças crônicas não-transmissíveis.

Nesse particular, apesar da escassez de estudos de âmbito nacional (ou de larga abrangência populacional) que avaliam iniciativas de promoção da atividade física, parece haver uma certa convergência desses poucos em apontar que programas e campanhas são efetivos em melhorar o nível de conhecimento da população e suas atitudes em relação à prática de atividades físicas, porém, limitados em ampliar o nível de adesão a essa prática (Simpson et al., 2003; Wardle et al., 2001; Cavill, 1998; Hillsdon et al., 2001). Um dos motivos apresentados está na dificuldade que programas teriam para alterar o quadro social desfavorável à prática regular de atividades físicas (Cavill, 1998).

Por outro lado, há estudos que apontam progressos no hábito de a população praticar atividades físicas regularmente. Na Finlândia, por exemplo, em 25 anos de um programa nacional para redução de fatores de risco para doenças cardiovasculares [North Karelia Project], identificou-se um aumento no tempo dedicado à prática de atividades físicas no lazer (Puska, 2002). No Canadá, a prática de atividades físicas aumentou nas décadas de 1980 e 1990 (Craig et al., 2004). Nos EUA, estudo levado a cabo pelo CDC apontou que o sedentarismo no lazer sofreu redução, embora modesta, no período de 1988 a 2002, especialmente após 1996. No Brasil, o programa Agita São Paulo também vem identificando reduções nos níveis de sedentarismo da população de São Paulo principalmente quando relacionados ao conhecimento da mensagem principal do programa (Matsudo et al., 2003; Matsudo et al., 2002a; Matsudo et al., 2002b). Como vimos, esses resultados são, de certo modo, divergentes aos identificados em outros países (Simpson et al., 2003; Wardle et al., 2001; Cavill, 1998; Hillsdon et al, 2001).

Entretanto, a par da inconsistência desses achados, é grande o reclamo para os elevados níveis de sedentarismo das populações de diferentes países e a necessidade de mudanças nesse quadro (CDC, 2004; Craig et al., 2004; Patterson et al., 2004; Brasil, 2002; Lemos, 2001; Brasil, 2001; WHO/CDC, 2000; Bernstein et al., 1999). Esse cenário nos leva a supor que campanhas e programas em prol da prática regular de atividades físicas tenham resultados tímidos. Há, portanto, necessidade de se avaliar mais profundamente tais iniciativas e revê-las, se for o caso, em benefício de ações mais profícuas, consistentes e duradouras de promoção da atividade física na população. Cavill (1998) chega a ponto de argumentar que não se pode esperar que campanhas sejam responsáveis pela reversão de comportamentos social e ambientalmente construídos.

Em outras palavras, programas e campanhas não teriam condições de alterar o quadro de sedentarismo da população se restritas a iniciativas de ampliação do conhecimento da população sobre atividades físicas. Com efeito, há autores que argumentam que a informação, por si só, é insuficiente para induzir mudanças ou incorporação de hábitos de vida (Dishman et al., 1985; Siedentop, 1996). Sendo assim, ações que se concentrem em modificar os fatores de risco em indivíduos, sem levar em consideração o contexto social em que vivem, dificilmente promoveriam melhoras significativas (Siedentop, 1996).

Nesse sentido, é problemático admitir que a avaliação de programas, como o Agita Brasil por exemplo, possa se limitar a quantificar e analisar as atividades e ações desenvolvidas nos níveis locais de estímulo à atividade física e a quantificar e analisar a incorporação do conhecimento da população sobre os benefícios da prática de atividade física, que residem nas cidades onde o Programa foi implantado (Brasil, 2001). Ora, se um dos objetivos finais do programa é levar as pessoas a adotar a prática de atividades físicas como um hábito de vida, há que se ter indicadores que permitam avaliar até que ponto esse objetivo foi alcançado. Sem dúvida que a mensuração do nível de atividade física da população deve ser um dos indicadores a serem considerados na avaliação de programas cujos objetivos são ampliar a adesão à atividade física.

 

Considerações finais

Queremos trazer para o debate, entretanto, a possibilidade de se considerarem outros indicadores para a avaliação desses programas, que expressem outras variáveis intervenientes no processo de adesão à prática de atividades física. Tal consideração é pertinente uma vez que, como foi visto, também é objetivo desses programas criar condições favoráveis e promover ações (...) que induzam as pessoas a adotar, de forma regular, a prática de atividades físicas como um hábito de vida (Brasil, 2001).

Considerando que a adesão é um fenômeno complexo, e que deve ser entendido como um processo, o hábito de praticar atividades físicas expressa, a rigor, o comportamento final almejado. Assim sendo, ter em conta esse comportamento como o único indicador da efetividade de programas e de iniciativas de promoção de atividades físicas seria enfatizar o produto e desconsiderar o processo, o que, a nosso ver, não seria justo. Isso significa dizer que é possível que a maioria de determinada população não pratique atividades físicas regularmente, mas, ao mesmo tempo, condições favoráveis à sua prática tenham sido criadas por programas ou outras iniciativas do poder público. Em outras palavras, seria plausível afirmar que, apesar de não ter ocorrido uma redução significativa na prevalência de sedentarismo da população de determinada região, pode ter havido uma melhoria na possibilidade de seus membros aderirem à prática de atividades físicas, expressa, por exemplo, numa maior oferta de espaços públicos destinados ao lazer ativo. Portanto, a identificação e avaliação dessas condições (leiam-se variáveis) ajudariam a expressar, por exemplo, o potencial de adesão à prática de atividades físicas em determinado contexto e, em última análise, a eficácia (em sentido lato) de programas e de iniciativas em prol da atividade física.

Iniciativa nesse sentido foi conduzida pela Prefeitura da cidade de Belo Horizonte. Com o objetivo de monitorar os impactos das ações e intervenções públicas para o cidadão e permitir uma distribuição mais eficiente e justa dos recursos públicos municipais, criou-se um Índice para a Qualidade de Vida do Lugar Urbano (IQVU) com base no acesso à oferta de bens e serviços (Prefeitura de Belo Horizonte, 2001). Para tanto, definiram-se onze variáveis (Abastecimento; Assistência Social; Educação; Esportes; Cultura; Habitação; Infra-estrutura Urbana; Meio Ambiente; Saúde; Serviços Urbanos; Segurança Urbana) que foram divididas em componentes que, por sua vez, produziram indicadores para expressar numericamente a quantidade e a qualidade da oferta dos serviços pesquisados em cada região.

Uma dessas variáveis, definida como "Esportes", teve como componentes "Equipamentos Esportivos", avaliados pela "área por habitante de quadras, piscinas, campos, clubes e congêneres", e "Promoções Esportivas", analisadas com base no "número de eventos esportivos e freqüência de público" (Quadro 2). Embora a definição dessa variável tivesse por trás a intenção de avaliar ações do poder público na área de esportes e lazer sem uma preocupação imediata de inferir o potencial de determinada região de favorecer a prática de atividades físicas, esse é um bom exemplo de como outras variáveis podem ser incluídas na avaliação de programas e campanhas em prol da atividade física.

 

 

Acrescente-se a isso o fato de a prática regular de atividades físicas ser um comportamento complexo (bem diferente do uso habitual do cinto de segurança, por exemplo). Em muitos casos, a adesão é efêmera; há aumento na prática de atividades físicas quando há estímulos para tal sendo constantemente veiculados. Uma vez retirados, a adesão tende a voltar aos níveis iniciais (Brownell et al., 1980). Sendo assim, a alteração da prevalência do sedentarismo requer ações nos níveis ambiental, organizacional, institucional, social e legislativo.

Essas conclusões poderiam ser estendidas a todo e qualquer componente dos modos de vida. As influências ambientais, portanto, devem ser analisadas sob uma perspectiva que extrapole a dimensão da estrutura física, dependendo também do entorno social. A probabilidade de que a atividade física passe a fazer parte da rotina de um grupo, por exemplo, parece-nos aumentada se forem realizadas mudanças no entorno social, desde o desenvolvimento de uma consciência coletiva no que toca ao reconhecimento de sua importância até alterações nas relações entre tempo de trabalho e lazer, o que implica repensar fatores como jornada de trabalho, rendimentos, sistema de transporte público, oferta, distribuição e acessibilidade de equipamentos desportivos e espaços públicos para a prática de atividades físicas, dentre outros.

A nosso ver, a avaliação de programas pró-atividade física poderia ser feita com base na análise de um número maior de variáveis, contemplando melhor o fenômeno da adesão. A definição de outras variáveis, emanadas de uma exaustiva revisão de literatura e da realização de estudos empíricos, se apresenta como um passo importante para uma avaliação mais consistente e fidedigna de programas de promoção da atividade física de larga abrangência populacional.

 

Colaboradores

MS Ferreira trabalhou na concepção teórica, elaboração e redação final do texto e AL Najar participou da discussão teórica e trabalhou na revisão e organização do texto.

 

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Artigo apresentado em 22/12/2004
Aprovado em 4/03/2005
Versão final apresentada em 3/06/2005

 

 

Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva

 

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