alergia - Novos alvos terapêuticos para o tratamento de doenças inflamatórias alérgicas
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alergia

Novos alvos terapêuticos para o tratamento de doenças inflamatórias alérgicas

31/05/2006

Estudo aponta novos alvos terapêuticos para o tratamento de doenças inflamatórias alérgicas

Bel Levy

 

Departamento de Patologia do IOC/Fiocruz

Leucócitos presentes em sangue de camundongos, corados por Giemsa

A fisiopatologia de doenças inflamatórias alérgicas, como a asma, tem sido alvo de muitos estudos com o objetivo de esclarecer os mecanismos envolvidos no desenvolvimento destes distúrbios. O Instituto Oswaldo Cruz (IOC), uma unidade da Fiocruz, acaba de produzir uma pesquisa que apontou alvos terapêuticos para o controle de alergias respiratórias e caracterizou pela primeira vez a formação de novos corpúsculos lipídicos durante a inflamação alérgica. Os corpúsculos lipídicos são estruturas localizadas dentro dos leucócitos - células presentes no sangue que atuam em processos imunológicos, também conhecidos como glóbulos brancos - e que estão diretamente relacionados à resposta inflamatória. A ativação da resposta alérgica induz o aumento tanto em número quanto em tamanho dessas estruturas, ocasionando assim a inflamação.

A fase inicial da pesquisa consistiu na definição de um modelo experimental de inflamação pulmonar de natureza alérgica em camundongos que pudesse refletir a manifestação da doença no homem. Além disso, fez a caracterização inédita da ocorrência da formação de novos corpúsculos lipídicos durante a inflamação alérgica. "Estudar um modelo in vivo é fundamental para que se possa entender a complexidade de um determinado fenômeno biológico", apresenta a bióloga Adriana Vieira de Abreu, que participou da pesquisa em seu doutorado no Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e apresentou os resultados em sua tese, orientada pela pesquisadora Patrícia Bozza. O estudo foi concentrado na formação - ou biogênese - de corpúsculos lipídicos nos leucócitos que são recrutados para o local onde ocorre a inflamação alérgica.

Nas últimas décadas, estudos in vitro demonstraram que os corpúsculos lipídicos estão presentes em grande número em leucócitos associados a respostas inflamatórias. Além disso, verificaram que os corpúsculos lipídicos correspondem aos compartimentos intracelulares de síntese de alguns mediadores lipídicos inflamatórios, como os leucotrienos - substância produzida pelos corpúsculos lipídicos responsável pela produção de muco nas respostas inflamatórias alérgicas - e as prostaglandinas - que são fabricadas em grande quantidade pelas células inflamatórias e podem desempenhar papel importante como mediadores da reação inflamatória.

Tanto a formação quanto as funções destas organelas ainda não haviam sido caracterizadas em modelos in vivo de reações inflamatórias de caráter alérgico. Foi justamente esta lacuna que a pesquisa do IOC conseguiu preencher. Estabelecido o modelo inflamatório de alergia in vivo, caracterizado pelo aporte de eosinófilos (um tipo de leucócitos) e pela produção de leucotrienos, a equipe do Laboratório de Imunofarmacologia observou um significativo aumento da biogênese destas organelas. "Também foram observados", a pesquisadora acrescenta, "a compartimentalização da enzima 5-lipoxigenase (5-LO) e a síntese de leucotrieno C 4 (LTC 4 ) nos corpúsculos lipídicos citoplasmáticos dos eosinófilos infiltrantes do sítio inflamatório alérgico."

"A identificação da biogênese in vivo de corpúsculos lipídicos no local da reação inflamatória alérgica e a caracterização de sua função no controle da síntese de mediadores críticos para o desenvolvimento da fisiopatologia alérgica, como o LTC 4, apontam os corpúsculos lipídicos como atraentes alvos terapêuticos em doenças inflamatórias de origem alérgica", a pesquisadora explica. Para esclarecer essa questão, na etapa final do estudo foram testados dois extratos de produtos naturais da flora brasileira no modelo de alergia. Ambos extratos se apresentaram capazes de bloquear a gênese/função dos corpúsculos lipídicos e promoveram efeito anti-inflamatório e anti-alérgico. "As observações obtidas neste trabalho nos permitem pensar que no futuro, a utilização de compostos naturais possa ser benéfica em doenças inflamatórias de origem alérgica", destaca a pesquisadora.

 

http://www.fiocruz.br/ccs/novidades/mai06/alergias_ioc.htm


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