Cientista italiano lidera equipe que tenta identificar gene da longevidade
EUA: (ANSA) – ROMA, AGO/02 – Está no cromossomo 4 do homem o segredo de uma vida longuíssima, além dos 100 anos, vivida com saúde de ferro e livre das doenças típicas do envelhecimento, como o mal de Alzheimer, diabetes ou tumores.
A descoberta foi feita nos Estados Unidos por um grupo de pesquisadores do Departamento de Genética do Hospital de Crianças de Boston e do Centro Médico Israelense Diaconisa Beth, coordenados pelo italiano Annibale Puca, que desde 1998 deixou a Itália e trabalha na Universidade de Harvard.
A descoberta foi publicada na revista da Academia Americana de Ciências, Procedimentos da Academia Nacional de Ciências, e é resultado de um estudo que o próprio pesquisador definiu ‘nos limites do possível’.
A pesquisa baseou-se nos dados de 137 famílias nas quais existia ao menos um par de irmãos ou irmãs idosos (com no mínimo 91 anos no caso de homens e 95 no caso de mulheres). Duas famílias são de origem italiana e vêm da Sicilia.
Além da dificuldade de encontrar famílias com estas características, os pesquisadores tiveram de enfrentar o ceticismo dos colegas, convencidos de que o envelhecimento fosse o resultado da ação de numerosos genes, e não de poucos, como ocorre em algumas doenças de origem genética.
O grupo de Annibale Puca iniciou ‘a caça’ dos genes do envelhecimento como se estivesse estudando as bases genéticas de uma doença. “Ninguém havia tentado este caminho jamais, em relação à longevidade’, disse Puca.
No final, os esforços dos pesquisadores foram premiados e agora eles já estão no rastro de um grupo de genes, entre 5 e 6, um dos quais pode desempenhar um papel fundamental, ao determinar a duração da vida e ao conservar o organismo com boa saúde.
“Até hoje se sabia apenas que a longevidade nos vermes e nos insetos é influenciada por apenas uma dezena de genes; agora isto pode ser verdade também para os homens”, disse o responsável pela Divisão de Genética do Hospital de Crianças de Boston, Louis M. Kunkel.
O próximo passo é descobrir quais são estes genes, objetivo que o grupo de Annibale Puca espera atingir ‘em alguns meses’, quando será possível começar a pesquisar substâncias capazes de estimular ou bloquear a ação dos genes da longevidade, uma espécie de ‘supermedicamento’ capaz de garantir uma vida mais longa e saudável.(ANSA)