Genética/Clonagem/Terapia gênica - Porcos clonados abrem novo caminho..
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Genética/Clonagem/Terapia gênica

Porcos clonados abrem novo caminho..

16/06/2003
 

Porcos clonados abrem novo caminho para transplantes, anunciam criadores da Dolly

Os quatro porquinhos não têm genes responsáveis por rejeição nos humanos

 

LONDRES (CNN) -- A empresa escocesa que, em 1997, criou a ovelha Dolly – o primeiro mamífero clonado a partir de células adultas – anunciou o nascimento de quatro porcos saudáveis que não dispõem dos dois genes que fazem os humanos rejeitarem o tecido suíno.

A PPL Therapeutics diz que o feito pode acabar com a escassez mundial de órgãos para transplantes em seres humanos. Os porcos, chamados pela empresa de "duplo nocaute", nasceram no dia 25 de julho em Blacksburg, estado norte-americano da Virgínia.

Os porcos são considerados uma boa fonte potencial para transplantes, já seus órgaos que têm mais ou menos o mesmo tamanho dos órgaos humanos. Válvulas cardíacas de porcos, que contêm apenas cartilagem, já são amplamente usadas em pessoas.

"Duplo nocaute"

"O gene que foi duplamente 'nocauteado' é responsável pela produção da enzima que acrescenta um açúcar à superfície das células dos porcos, que é identificada pelo sistema imunológico humano como estranha", disse David Ayares, chefe de operações da PPL.

"Esse açúcar do porco estimula uma resposta imune no ser humano, levando a uma rejeição aguda do órgão ou célula transplantados em poucos minutos".

"A capacidade de apagar as duas cópias do gene fornece um passo vital na produção de porcos com órgãos e células que podem ser usados em seres humanos", prosseguiu.

"Como as duas cópias do gene foram desativadas, os tecidos desses porcos se mostraram completamente livres do açúcar do porco que causa a rejeição e este avanço nos deixa mais perto da promessa de uma solução para a escassez mundial de órgãos e células para transplante", concluiu.

Um quinto porco que nasceu nas mesmas condições morreu de causas desconhecidas.

Coração de porco

Nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros países, a falência dos órgãos é a principal causa de morte e deficiências e – com exceção dos rins – o único tratamento é o transplante.

Devido à escassez de órgãos, muitos dos que esperam por um transplante acabam morrendo antes de chegar à mesa de cirurgia.

Só nos Estados Unidos, mais de 80 mil pessoas aguardam um transplante. No ano passado, cerca de 24 mil procedimentos foram realizados e seis mil pessoas morreram esperando pelas operações.

"Desenvolver outra fonte de órgãos teria um profundo impacto na sociedade e, assim, de uma perspectiva prática, este avanço é muito importante", disse o Dr. Jeffrey L. Platt, chefe de biologia de transplantes da Clínica Mayo, em Minnesota.

Em janeiro, a PPL Therapeutics e sua concorrente Immerge BioTherapeutics disseram que haviam criado porcos sem uma das duas cópias do gene rejeitado pelos humanos, o GGTA1.

"As pessoas acreditam que a diferença entre o coração humano, que não tem o açúcar, e o do porco, que o tem, é um processo evolucionário", disse Geoff Cook, executivo da PPL.

Próximo passo

Cook prevê que estudos para testar órgãos de porcos em humanos podem começar dentro de dois anos – dois anos mais cedo do que era previsto no início do ano, antes da experiência do "duplo nocaute".

O próximo passo é transplantar órgãos de porcos em outros animais, como babuínos, para ver se os órgãos sobrevivem nos primatas por ao menos três meses.

Robin Weiss, virologista da University College, em Londres, disse estar cético a respeito da possibilidade de o "duplo nocaute" trazer o fim da rejeição em transplantes para seres humanos.

Em 1997, Weiss e seus colegas documentaram duas cepas infecciosas de um retrovírus suíno que poderia infectar células humanas em laboratório.

"Vai levar uma década ou mais para acabar com eles e não há redução do risco potencial de infecção", disse Weiss. "Ao contrário... as mudanças genéticas, como a alteração que ajuda a superar a rejeição realmente pode aumentar o risco de infecção de vírus suínos em humanos".

Platt argumentou que eliminar o açúcar dos órgãos suínos pode aumentar a propensão a infecções, mas também pode fazer o contrário.

"Podem ocorrer as duas coisas e isso porque os açúcares podem ser usados para ajudar o sistema imunológico a limpar os vírus, mas também podem ser usados pelos vírus para entrar nas células. Então, é possível que esses porcos possam ser feitos com menos propensão a ser infectados por vírus".

De qualquer forma, não está claro se o vírus a que Weiss se referiu é tão importante para os humanos, acrescentou Platt.

(Com informações da Associated Press)

 


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