Quem está descobrindo a riqueza da Cenostigma macrophyllum Tul, popularmente conhecida como caneleiro, é o Núcleo de Pesquisas em Plantas Medicinais (NPPM), juntamente com o Departamento de Química, ambos da Universidade Federal do Piauí (Ufpi). O caneleiro poderá, num futuro não muito distante, ser fonte de cura e de prevenção de doenças, de acordo com estudos inéditos desenvolvidos pelo NPPM. As propriedades descobertas e que já avançam para um resultado positivo são: antiinflamatórias, analgésicas, antimicrobiana e anti-ulcerogênica (prevenão de úlceras gástricas). Além disso, há um grupo estudando uma outra propriedade da árvore, que é o chá para cura de dores causadas por cólicas.
“O chá da casca do caneleiro para cura da cólica é uma referência popular, que ainda não podemos comprovar. O fato é que de todas as espécies estudadas no núcleo, o caneleiro tem interessado mais do ponto de vista químico e farmacológico e a pesquisa é inovadora, somente a Ufpi tem avançado em pesquisas com essa planta no Brasil”, enfatizou a coordenadora do NPPM, a professora doutora em Farmacologia, Fernanda Regina de Castro Almeida.
Segundo a Dra. Fernanda Almeida, ainda não há como comprovar o nível de toxicidade da planta, e os testes atuais têm por objetivo descobrir o nível de toxinas e avaliar o poder deletério do mesmo para a saúde humana. “Para se ter certeza de que não faz mal à saúde humana, precisamos de mais estudos, em média de 10 a 15 anos de pesquisa por espécie, para que se possa chegar a um produto que possa extrapolar para o uso humano. Temos suspeitas de níveis de toxicidade para o fígado que precisam ser evidenciadas”, explicou a pesquisadora.
Os estudos com várias outras plantas medicinais estão em andamento desde 1997 no núcleo, graças a financiamentos do CNPQ, da CAPES e da FINEP. Porém o núcleo funciona no campus da Ufpi em Teresina, desde o final dos anos 80.
Atualmente, os pesquisadores estudam as propriedades farmacológicas de algumas espécies vegetais no âmbito do Programa de Cooperação Acadêmica (PROCAD) firmado entre a Universidade Federal do Piauí e a Universidade Federal do Ceará, tendo por Coordenadores o Prof. Dr. Vietla Satyanarayana Rao (Instituição líder/UFC) e a Profa. Dra. Mariana Helena Chaves (Associada/UFPI).
O caneleiro foi instituído como árvore símbolo de Teresina, através de decreto municipal nº 2.407, de 13 de agosto de 1993, na gestão de Raimundo Wall Ferraz. Podendo atingir até 20 metros, ela tem vários nomes populares, como fava do campo e maraximbé. A planta resiste bem ao fogo, rebrotando com certa facilidade. Germina sem dificuldade e apresenta desenvolvimento razoável. Sua floração ocorre em um longo período - de junho a fevereiro. Graças a essas características, a espécie está sendo utilizada como ornamental, em avenidas da Teresina e, futuramente, poderá ser encontrada nas prateleiras de farmácias, mostrando, que além de bela, também tem poder de curar vidas.