As células humanas contêm cerca de 100.000 genes diferentes, sendo cada gene uma sequência de DNA que contém informação para produzir uma proteína. Mas formas de vida mais simples, como as leveduras ou as bactérias, têm um número significativamente menor de genes diferentes. O organismo até hoje identificado, que tem menor número de genes e que é capaz de vida autónoma (isto é, consegue crescer e reproduzir-se sem necessitar de "parasitar" outra célula) é uma bactéria – Mycoplasma genitalium – com 517 genes.
Um grupo publicou um estudo em que procura identificar de entre estes 517 genes, quais são os essenciais e quais os dispensáveis. O processo usado consiste em produzir mutações ao acaso, identificar o gene que foi inactivado pela mutação, e verificar se a bactéria continua a ser capaz de sobreviver e reproduzir-se ou não.
Deste modo, parece que entre 265 e 350 dos genes desta bactéria são essenciais para que sobreviva nas condições em que é mantida no laboratório. Destes, aproximadamente 100 genes têm funções ainda desconhecidas.
Os autores pretendem agora agrupar os genes identificados como essenciais num "cromossoma" desenhado no laboratório, para demonstrar que são suficientes para produzir um ser vivo. No entanto esta experiência é polémica e ainda não foi autorizada. Está a ser discutido se é eticamente aceitável criar um organismo vivo artificialmente.
Hutchinson CA, Peterson SN, Gill SR e colaboradores 1999 "Global transposon mutagenesis and a minimal mycoplasma genome". Science 286: 2165-2169 (10.12.1999)
Os problemas éticos mencionados são discutidos em: Cho MK e colaboradores 1999. Science 286: 2087 (10.12.1999).