Infecto-contagiosas/Epidemias - O papiloma vírus humano: aspectos sociais e aspectos biológicos
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Infecto-contagiosas/Epidemias

O papiloma vírus humano: aspectos sociais e aspectos biológicos

16/06/2003

A população deve estar informada

Informar a população é uma das funções da recém criada Sociedade Internacional HPV.

Este assunto chega por vezes a ser um assunto político, inclusive um problema nas suas vertentes mais sérias, já que se trata de uma doença de transmissão sexual, considerada como algo difícil de tratar, embaraçosa e inclusive inaceitável em muitas culturas e sociedades. É importante o reconhecimento de Congressos como aquele que foi recentemente realizado em Barcelona, por parte dos meios de comunicação e a informação que neles se produz, tanto para os profissionais como para o público em geral.

Existe um ponto de vista errôneo sobre a natureza desta doença, o qual dificulta a discussão pública. É importante a colaboração dos meios de informação para consciencializar as pessoas de que se trata de uma infecção comum e passível de ser tratada, inclusive nas suas facetas mais graves. O câncer associado ao HPV afeta mais de 400.000 pessoas por ano em todo o mundo. As infecções por HPV podem afetar em algum momento da vida até 70% da população dos Estados Unidos, principalmente nas idades mais jovens.

Trata-se de uma doença muito comum que não deve criar nenhum estigma social, mas sim um problema de condição humana. Atualmente cerca de um bilhão de pessoas sofrem de infecções associadas ao vírus e a incidência destas infecções está a aumentar, sobretudo em casos de indivíduos com imunodepressão como é o caso dos transplantados.


O diagnóstico

A citologia de Papanicolaou é um método muito utilizado e com bom resultado. No entanto, os seus resultados podem melhorar muito mais se forem complementados com uma prova de DNA do vírus. A existência de um sistema de saúde apropriado nos países desenvolvidos possibilita que a prevenção do câncer associado a este vírus seja possível. No entanto, o problema é que algumas partes do mundo possuem um serviço sanitário mínimo ou inexistente. Os congressos da nossa Sociedade, durante muitos anos, procuraram compreender a doença e atrair recursos nos países mais desenvolvidos. Ao mesmo tempo, foram feitos esforços para extrapolar estes métodos de saúde pública, prevenção e tratamento aos países em desenvolvimento, que sofrem os aspectos mais graves desta doença.


As vacinas

Uma das vias mais eficazes para introduzir a vacinação nos países subdesenvolvidos é criar vacinas combinadas que exerçam a sua ação face ao papilomavirus, gonorréia, sífilis e também combiná-las com as vacinas de doenças infantis mais convencionais, assim como a difteria, de forma que ao vacinar as crianças contra estas doenças, esteja-se também as protegendo da infecção pelo HPV.


O instrumento perfeito

Graças aos congressos realizados ao longo destes anos, o HPV nos ensinou muito sobre a biologia e a genética humanas. O estudo dos vírus resultou num instrumento perfeito para compreender melhor, por exemplo, a genética molecular, a farmacologia, a endocrinologia e o funcionamento de um órgão tão complexo como a pele. Muitos investigadores estudam o HPV para obter informação sobre a saúde humana, desta forma devemos prestar muita atenção ao que o estudo dos vírus está a revelar sobre a biologia humana em todos os aspectos.

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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