19 de Maio de 2003.
Pesquisadores do St Thomas's Hospital e do St Mary's Hospital, de Londres, publicaram, recentemente, um relato de caso no qual metástases cutâneas de melanoma maligno imitavam herpes zoster, em apresentação conhecida como metástases zosteriformes, que também ocorre em outras neoplasias. Neste caso, um paciente do sexo masculino, de 73 anos de idade, tinha história de 3 semanas de vesículas dolorosas e pruriginosas, sobre base eritematosa, na região frontal direita do couro cabeludo, que não respondia a antibióticos tópicos ou antissépticos. O paciente apresentava, como antecedentes pessoais, o fato de ter vivido na África do Sul, com exposição solar excessiva, e desenvolveu, previamente, três carcinomas basocelulares e numerosas queratoses actínicas. Há cinco anos, um melanoma maligno, com espessura de Breslow de 1,25mm, foi excisionado do ombro direito. À época, não havia evidência de metástase, e, no seguimento, não havia evidência de recidiva.
Ao exame físico, a lesão localizava-se sobre a área inervada pelo ramo oftálmico do nervo trigêmeo direito. Fez-se o diagnóstico provisório de herpes zoster, e o paciente foi tratado com 800mg de aciclovir, por via oral, 5 vezes ao dia. Não havia história de herpes zoster no mesmo local ou em qualquer outro local do corpo. Após 7 dias de tratamento, as lesões apresentaram crescimento discreto, sem outras alterações. Foi feita, então, hipótese diagnóstica de micosis fungoides, e a lesão foi biopsiada. Ao exame histológico, a derme estava infiltrada por células malignas não pigmentadas, de aparência epitelióide, formando ninhos celulares. À imunohistoquímica, estas células eram melanoma metastático.
Como a área era muito extensa para ser excisionada, o paciente foi submetido à radioterapia com 40 Gy, em 15 sessões. A resposta foi fantástica e, em poucas semanas, a lesão regrediu quase completamente, restando, no local, eritema macular residual.
Zosteriform metastasis from melanoma - BMJ