Agência FAPESP - O segundo Prêmio Nobel de 2006 foi concedido a outra dupla de pesquisadores dos Estados Unidos. Depois da categoria Medicina, agora foi a vez da Física, com o anúncio dos ganhadores nesta terça-feira (3/10).
Pelo trabalho, que ajudou a consolidar a teoria do big bang para a formação do Universo, John Mather e George Smoot dividirão o equivalente a cerca de R$ 3 milhões. Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, a distinção se justifica “pelo olhar para a infância do Universo que ajuda a compreender a origem das galáxias e das estrelas”.
Mather, 60 anos, do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa, a agência espacial norte-americana, é atualmente cientista-chefe do grupo responsável pelo telescópio espacial James Webb, previsto para entrar em operação em 2013. Smoot, 61, é professor de física da Universidade da Califórnia em Berkeley. O trabalho premiado da dupla foi baseado em medições obtidas a partir do satélite Cobe (Cosmic Background Explorer), lançado em 1989 pela Nasa para estudar o padrão de radiação nos primeiros instantes após a origem do Universo.
Enquanto Mather coordenou o programa do satélite, Smoot foi o responsável por medir variações de temperatura na radiação do Universo. “Os resultados forneceram um grande suporte para o big bang, pois mostrou ser esse o único cenário capaz de prever o tipo de radiação cósmica de fundo medida pelo Cobe”, disse a Academia Real de Ciências da Suécia em comunicado.
Segundo a teoria do big bang (“grande explosão”), o Universo nasceu há bilhões de anos a partir de um estado inicial de temperatura e densidade altamente elevadas. A proposta foi feita originalmente na década de 1920, pelo padre e cosmólogo belga Georges Lemaître (1894-1966).
Pela teoria, a radiação cósmica de fundo em microondas se constitui em resíduo dos estágios iniciais do Universo, uma espécie de “eco” da explosão inicial. Para fazer uma comparação, imediatamente após o big bang o Universo seria um corpo que emitia radiação na qual a distribuição por diferentes comprimentos de onda dependia unicamente de sua temperatura.
O espectro dessa radiação tem uma forma única, conhecido como radiação de corpo negro. Naquele momento inicial, a temperatura era de cerca de 3.000 ºC. Desde então, a radiação foi esfriando à medida que o Universo se expandiu. Atualmente, a temperatura é de 2,7º acima do zero absoluto (270º negativos).
“Mather e Smoot conseguiram calcular essa temperatura graças ao espectro de corpo negro revelado pelas medidas feitas pelo Cobe”, disse o comunicado da academia sueca. A temperatura e pequenas variações na radiação cósmica de fundo que eles descobriram ajudaram a estimar a idade do Universo e a fortalecer a teoria do big bang.
Essa é a 15ª vez em que norte-americanos ganham o Nobel de Física. O prêmio de Química será anunciado na quarta-feira (4/10), o de Economia no dia 9 e o de Paz no dia 13. A data de divulgação do Nobel de Literatura ainda não foi definida.
Os prêmios – cheques, medalhas de ouro e diplomas – serão entregues em 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Bernhard Nobel (1833-1896), o inventor da dinamite que dá nome ao mais importante prêmio científico.
Mais informações: http://nobelprize.org.
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