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Alergia alimentar/Intolerância alimentar

Intolerância à lactose e os brasileiros

20/11/2006

Maioria dos brasileiros tem intolerância à lactose

 

Estimativas indicam que metade dos habitantes do planeta têm intolerância à lactose – hidrato de carbono ou açúcar natural presente no leite humano e animal, com maior prevalência da doença entre asiáticos e negros, que têm menos capacidade de processar a enzima. No Brasil, pesquisa realizada em 1999 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicou que 37 milhões de brasileiros apresentam sintomas de intolerância à lactose, mas os especialistas acreditam que a doença atinja 60% da população, o correspondente a seis entre 10 pessoas, e que boa parcela não sabe que tem o problema. A maioria dos portadores de intolerância à lactose possui a forma tardia da doença, que ocorre após os primeiros quatro anos de vida, mas apenas de 10% a 15% apresentam os sintomas.

A intolerância à lactose é a incapacidade de digerir o açúcar do leite, o que resulta da deficiência ou ausência da enzima intestinal lactase, responsável por decompor esse açúcar em carboidratos mais simples para melhor absorção pelo organismo. Segundo Andrea Lorenzi, nutricionista responsável pela Clínica de Nutrição do Centro Universitário São Camilo, na intolerância à lactose há células na superfície mucosa do intestino delgado que produzem, estocam e liberam uma enzima digestiva chamada lactase, responsável pela digestão da lactose e que, quando mal absorvida, passa a ser fermentada pela flora intestinal, produzindo ácido lático e gases. Os sintomas mais comuns são náusea, dores e ruídos abdominais, distensão abdominal, diarréia ácida e abundante, flatulência e desconforto, que podem variar de paciente para paciente e de acordo com a quantidade de leite ingerida. “A presença de lactose e desses componentes nas fezes no intestino grosso aumenta a pressão osmótica, causando diarréia ácida e gasosa, flatulência excessiva, cólicas e aumento do volume abdominal”, explica.

Embora seja raro, a deficiência à lactose pode ter origem congênita, no qual a criança nasce sem a capacidade de produzir lactase. Como o leite materno possui como açúcar a lactose, a criança é acometida pelos sintomas da doença logo após o nascimento e não pode sequer ser amamentada, pois surge a diarréia. “Esses casos são raros, mas crianças com esse problema têm de ser alimentadas com alguma fórmula láctea que não contenha lactose”, explica o gastroenterologista pediatra Mauro Batista de Morais, professor livre-docente e chefe da disciplina de Gastroenterologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo-Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM).

Outro caso de intolerância é o de diminuição enzimática secundária a doenças intestinais, em que as crianças apresentam deficiência temporária de lactase devido à alteração nas células da mucosa intestinal. Mas o tipo de intolerância mais comum e que afeta boa parcela da população é a deficiência primária ou ontogenética, que é a tendência natural à diminuição da produção da lactase. “Não se pode confundir intolerância à lactose com alergias às proteínas do leite”, ressalta Batista de Morais. Gabriel Hessel, professor doutor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (FCM-Unicamp), afirma que um dos principais problemas no diagnóstico é que a maioria dos pais não percebe que, quando os filhos dizem que não gostam de leite, podem ter intolerância à lactose. O professor alerta que os pediatras precisam ficar atentos a esses casos, especialmente quando os pacientes apresentam diarréia e dores abdominais persistentes. “Muitas vezes, o médico pede para o paciente tomar um remédio contra diarréia e o problema nunca vai melhorar porque a intolerância à lactose precisa ser investigada”, explica. Para o especialista, a melhor conduta no tratamento é aquela baseada no diagnóstico e isso inclui até exames para verificar a acidez fecal e a presença de açúcar nas fezes.

Na opinião de Batista de Morais, quando o médico suspeita que o paciente tem intolerância à lactose é prudente realizar um teste terapêutico com a suspensão do alimento por um período curto e, depois, a retomada para verificar se a sintomatologia reaparece. O especialista defende que, antes de fazer uma suspensão definitiva do consumo do leite, é importante confirmar o diagnóstico com exames laboratoriais,  como o de curva de aumento da glicemia e monitoração da quantidade de hidrogênio nos gases exalados pela respiração, ambos após a ingestão de uma dose pura de lactose em jejum, ou, ainda, o teste de acidez das fezes. “Muitos pacientes têm um problema funcional do tubo digestivo e o médico suspende o leite, que não é o culpado”, enfatiza.

Controle – Não há tratamento para aumentar a capacidade de produzir lactase, mas o controle dos sintomas pode ser feito com uma dieta restritiva, que inclui a retirada de toda a lactose da alimentação, a substituição do leite de origem animal pelo de soja e a redução do consumo de leite, derivados ou alimentos industrializados que tenham a enzima na composição. Segundo Gabriel Hessel, há diferenças individuais importantes nas quantidades de lactose que podem ser toleradas, por isso, o tratamento não é quantitativo e deve ser personalizado de acordo com a sintomatologia e intensidade. “A pessoa consegue ter uma vida normal e sem problemas seguindo a dieta”, garante.

Na opinião de Andrea Lorenzi, a restrição ao leite e derivados não causa transtornos importantes na dieta e é possível substituir o cálcio por outros alimentos, como legumes, gema de ovo, algumas verduras e frutas ou com o consumo de leite de soja. Outras alternativas, com o avanço da tecnologia nutricional, é o leite de ‘digestão fácil’, que tem redução de 80% de lactose, ou o UHT hidrolisado, que apresenta todos os nutrientes do convencional, mas é isento da substância. Com relação aos iogurtes, a nutricionista garante que na maioria dos casos não causam tantos transtornos, porque os lactobacilos degradam a lactose por fermentação. “Muitos alimentos proibitivos podem ser consumidos pelo paciente, mas isso depende do grau de tolerância de cada um”, enfatiza.

Fonte: Revista Super Saudável - www.yakult.com.br - Editora responsável Adenilde Bringel (Mtb 16.649)

Martha Alves

http://www.coderp.com.br/ssaude/I16Principal.asp?Pagina=/ssaude/principal/maissaude/i16lactose.htm


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