Pneumologia/Pulmão - Estudo mostra como identificar e tratar fumantes de alto risco
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Pneumologia/Pulmão

Estudo mostra como identificar e tratar fumantes de alto risco

19/12/2006

Estudo mostra como identificar e tratar fumantes de alto risco (foto: Escher, Liberation)

Por trás da fumaça


 

Por Carlos Fioravanti

Revista Pesquisa FAPESP - É fato conhecido que só força de vontade não basta para parar de fumar. De cada cem pessoas que tentam largar o cigarro apenas por vontade própria, só cinco conseguem. Pesam muito o estado de saúde – quanto mais danificado o organismo, maiores as chances de êxito de um tratamento antitabagismo – e o apoio familiar, de acordo com um estudo coordenado por Andrea Cotait Ayoub no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, um dos maiores centros de pesquisa e tratamento médico especializado em doenças cardiovasculares, vinculado à rede pública de saúde do estado de São Paulo.

Depois de acompanhar por seis meses 124 fumantes que participaram do programa antitabagista – alguns tentavam pela quarta vez se livrar do hábito – apenas com terapia comportamental, um dos recursos do tratamento antitabaco, Andrea criou uma equação com cinco variáveis que identifica os fumantes por risco de insucesso e antecipa a probabilidade de o tratamento dar certo ou não.

Essa forma de classificação de fumantes em alta e baixa probabilidade de insucesso, uma vez validada em testes com um número mais elevado de participantes, poderá se tornar um instrumento de avaliação similar aos adotados para medir a dependência de álcool ou de cocaína, ao identificar quem necessitará de cuidados mais intensivos. Nos casos mais graves, segundo Andrea, que dirige a divisão de enfermagem do instituto, pode ser necessário reforçar o aconselhamento psicológico, desde o início do tratamento, com a utilização de antidepressivos e adesivos ou chicletes de nicotina – tais medicamentos, porém, nem sempre são fornecidos pela rede pública de saúde.

Outra estratégia a ser utilizada seria trazer ao hospital os familiares mais próximos do fumante, para que também se convençam dos riscos de doenças que se ampliam a cada tragada. De acordo com essa classificação de risco, desenvolvida sob a orientação de Riad Naim Younes, diretor do departamento de cirurgia torácica do Hospital do Câncer de São Paulo, se um fumante apresenta enfisema, bronquite ou qualquer outra forma da chamada doença pulmonar obstrutiva crônica, a chance de se esforçar a ponto de se livrar do hábito é 26,4 vezes maior que a de uma pessoa com os pulmões em ordem.

Se o fumante vive com alguém – marido, esposa, filho, pai ou mãe – que abomina seu hábito de espalhar fumaça pela casa toda, a chance de sucesso é 19,5 vezes maior que a de outro que não é criticado em casa. Participar de um grupo de apoio ao tabagista eleva 11,3 vezes a probabilidade de sucesso do tratamento e ter chiado no peito, sinal de que o hábito de fumar é antigo ou danoso, em 3,3 vezes. A soma desses quatro valores deve ser subtraída da dependência de nicotina – medida pelo chamado teste de Fagerström, cujo valor varia de 2 a 8 pontos para os menos dependentes e de 9 ou mais para os mais dependentes – multiplicada por 5,3.

Feitas as contas, o subgrupo de fumantes que obtiver uma pontuação final menor ou igual a 49 será classificado como de alta probabilidade de insucesso, enquanto o que conseguir uma soma maior que 49 terá mais chance de sucesso no tratamento. A aritmética reflete a realidade: as pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica, chiado e pouca dependência de nicotina que participam dos programas de apoio ao tabagista e vivem com alguém que abomina seu hábito têm mais chance de se livrar do cigarro do que quem se encontra em situações opostas.

Clique aqui para ler o texto completo na edição 130 de Pesquisa FAPESP.

http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=6489


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