TÓQUIO -- O uso de sinais enviados por uma perna saudável pode ajudar a controlar a outra, paralisada, segundo um método desenvolvido por pesquisadores japoneses. O sistema dá esperanças de voltar a andar a pessoas parcialmente paralisadas.
Mas serão necessários ao menos cinco anos antes que o sistema, apresentado na mais recente edição da revista britânica New Scientist, possa ser usado fora do laboratório, segundo o pesquisador Wenwei Yu.
O trabalho de Yu e de seus colegas na Universidade Hokkaido, na principal ilha no norte do Japão, permitiu que dois homens com um dos lados do corpo paralisado em conseqüência de derrames, se sentassem, ficassem de pé e andassem sem ajuda.
O método é promissor porque usa sensores computadorizados para assumir o controle dos nervos danificados, permitindo a locomoção sem que o paciente antes tenha que fazer um comando direto através de um teclado ou de um interruptor, disse Yu, um dos principais pesquisadores.
"Outros sistemas usaram impulsos elétricos para enviar sinais aos músculos, mas o maior problema era que alguém tinha que empurrar um botão para que as coisas começassem", disse ele em entrevista recente. "Isso permite que eles se movam mais naturalmente."
Sensores musculares são usados para monitorar sinais na perna saudável do paciente e estimular impulsos elétricos em 11 eletrodos implantados perto dos nervos da perna paralisada, de modo que esta siga o exemplo do membro normal.
Outros pesquisadores descobriram formas de mover membros paralisados estimulando eletricamente nervos ou músculos, mas isso pode gerar espasmos musculares involuntários, um problema que Yu evitou determinando o tempo do estímulo para que os músculos trabalhem calmamente juntos.
"Nosso método realmente ajuda a manter os músculos mais vigorosos, também", disse ele.
Yu afirmou que o sistema atualmente pode apenas ajudar pacientes com um dos lados do corpo paralisado. Segundo ele, será necessário mais trabalho para ajudar aqueles que não podem se mover ou apenas mexem a cabeça.
"Muito mais pesquisa ainda é necessária. Mas este método tem possibilidades tremendas", afirmou.
(Com informações da Reuters)