alergia - Má qualidade de vida » 40% dos doentes com rinite têm asma
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Má qualidade de vida » 40% dos doentes com rinite têm asma

26/01/2007
Sofia Filipe


Além de oferecer má qualidade de vida, a rinite alérgica pode derivar em sinusite ou estar associada à asma. Urge, pois, tomar medidas preventivas, sobretudo, nas crianças que em tenra idade sofram de dermatite atópica, ou tenham história familiar de alergia.


A rinite alérgica é a doença alérgica mais frequente. Estima-se que entre 10 a 30% dos portugueses sofram de rinite alérgica. São, aliás, as mesmas estimativas vigentes a nível europeu.

De acordo com um estudo epidemiológico realizado no nosso País a crianças com 6 e 7 anos e em adolescentes com 13 e 14 anos (estudo ISAAC), em 2002, a prevalência era de 24% nas crianças e de 27% nos adolescentes.

Obstrução nasal (nariz tapado), rinorreia aquosa (pingo do nariz), crises esternutatórias (espirros) e prurido nasal (comichão) são os quatro sintomas clínicos que caracterizam a rinite e que ditam o diagnóstico.

Esta doença alérgica pode ser classificada consoante a altura em que aparece no ano – sazonal e peranual –, a duração – intermitente ou persistente – e a gravidade – ligeira e moderada a grave.

Se a manifestação for sazonal, provavelmente, trata-se de uma rinite relacionada com os picos de polinização dos grãos de pólen da Primavera, também chamada polinose. Se os sintomas ocorrerem todo o ano (peranual), outros alergénios estarão implicados, sendo os ácaros do pó os mais frequentes.

Em relação à gravidade da rinite, segundo a Dr.ª Ângela Gaspar, secretária--geral da SPAIC – Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e assistente hospitalar de Imunoalergologia do Hospital de D. Estefânia, «estamos perante uma rinite ligeira quando não existem perturbações do sono nem interferências nas actividades diárias sociais, laborais ou escolares. Mas, se for moderada a grave, causa perturbações do sono devido à obstrução nasal e interfere na vida diária».

São, pois, as rinites persistentes moderadas a graves que propiciam pior qualidade de vida aos doentes.

A este respeito, Ângela Gaspar comenta que, «às vezes, o problema da rinite não é devidamente valorizado pelos médicos, pois, existem muitas outras patologias graves que desviam a preocupação relativamente à rinite».
Acontece que, em termos de qualidade de vida, esta doença alérgica poderá oferecer um quadro comparável ao encontrado em outras doenças crónicas como a hipertensão, a diabetes ou a asma.

«O impacto desta doença na população pode ser avaliado pela interferência no desempenho escolar e profissional, assim como em outras actividades diárias, desportivas e tempos livres. A qualidade de vida é péssima, mas é facilmente medicada», observa a imunoalergologista, frisando ser «um problema subdiagnosticado e subtratado».



Diagnóstico rápido e fácil

Todavia, tanto o subdiagnóstico como o subtratamento poderiam ser evitados, uma vez que o principal meio de diagnóstico é feito mediante a observação dos sintomas acima referidos, portanto, essencialmente clínico. A existência concomitante, frequente, de sintomas oculares alérgicos apoia este diagnóstico.

Numa fase posterior, o especialista averigua qual o alergénio implicado, através dos testes cutâneos, vulgarmente designados por testes de alergia.

«Podem ser feitos os testes cutâneos ao nível do antebraço, com gotas que correspondem aos vários alergénios – ácaros, pólenes, fungos, pêlos de animais, etc. Fazemos uma picada ao nível da epiderme e a se a reacção for positiva aparece uma pápula e identificamos o agente responsável pelas reacções alérgicas», explica Ângela Gaspar, continuando:
«Também podem ser realizadas análises de sangue, que fornecem o doseamento de IgE específica, ou seja, os anticorpos que o indivíduo tem dirigidos para determinado alergénio.»

Ainda segundo a mesma imunoalergologista, «o exame físico do doente permite observar o interior do nariz e detectar a existência de alterações típicas, como uma mucosa nasal pálida e edemaciada e o aumento dos cornetos nasais. Se não ocorrer exposição alergénica a mucosa nasal pode ser totalmente normal. Outras vezes, quando suspeitamos da existência de uma obstrução mecânica, referenciamos aos colegas de Otorrinolaringologia».

Quando os especialistas colocam a hipótese de haver uma rinossinusite, podem ser necessários exames radiológicos (raios X dos seios perinasais e TAC das fossas nasais e dos seios perinasais).



Rinite e sinusite

Não é impossível que uma rinite derive em sinusite. Chega até a ser uma complicação frequente da rinite alérgica.
«A sinusite é uma inflamação (aguda ou crónica) dos seios perinasais, acompanhada de um contexto infeccioso», diz Ângela Gaspar, explicando:

«Uma rinite alérgica será uma inflamação da mucosa nasal e se a mucosa é contínua aos seios perinasais, se há um bloqueio, as secreções ficam estagnadas e acabam por infectar, provocando um processo de sinusite.»

E prossegue: «O aparecimento da sinusite vai agravar a rinite e originar a perpetuação da doença. Por isso, fala-se em rinossinusite quando o fundo é alérgico e quando os doentes têm uma propensão elevada para o aparecimento de sinusite.»

Nestes casos, os médicos têm o especial cuidado de despistar se existem obstruções mecânicas, para além do processo da rinite alérgica. Ou seja, tentar descobrir se há, por exemplo, um desvio do septo que funciona como obstáculo e que dificulte a drenagem das secreções, causando, por isso, as sinusites.



80% dos asmáticos têm rinite

Se, por um lado, a sinusite é uma complicação da rinite propriamente dita, a asma é uma doença associada àquela. Ou, se se preferir, uma outra manifestação da mesma doença alérgica.

«Trata-se de uma evolução natural, em que a doença é encarada como um todo, havendo várias faces da manifestação de uma mesma doença alérgica. Por exemplo, numa criança é vulgar começar por aparecer sob a forma de eczema; mais tarde dá-se uma evolução para a manifestação respiratória, nomeadamente, para uma rinite ou para uma asma», explica a nossa entrevistada, completando:

«A mucosa respiratória é contínua. Se temos um processo inflamatório ao nível das vias aéreas superiores, facilmente esse processo inflamatório pode envolver as vias aéreas inferiores. E, normalmente, se pensarmos que o que está na base do desencadear do processo inflamatório é um alergénio, o mesmo alergénio que dá as manifestações de rinite também pode dar as manifestações de asma.»

E os números não falham. Como revela Ângela Gaspar, «80% dos asmáticos têm rinite alérgica, podendo em alguns casos ainda não ter sido diagnosticada ou não ser valorizada. Por outro lado, 40% dos doentes com rinite têm asma».

Mas a especialista salienta que «o tratamento da rinite alérgica e da rinossinusite melhora os sintomas da asma e pode mesmo prevenir o seu aparecimento; reduz significativamente os riscos de eventos relacionados com a asma, tais como internamentos hospitalares e recursos a serviços de Urgência».



SINTOMAS DITAM TRATAMENTO

O tratamento para a rinite alérgica é feito mediante cada caso e conforme os sintomas do doente.

Quando a rinite é intermitente, recorre-se apenas a um anti-histamínico, porque tem um efeito rápido que alivia os sintomas. Se a doença assume uma forma persistente, é tratada com corticóide nasal, associado, se necessário, a anti--histamínico (oral ou nasal). Os antileucotrienos podem também ser utilizados, particularmente em doentes asmáticos.

Nos casos de obstrução nasal, pode ser usado um descongestionante nasal num período curto. Em formas muito graves de doença pode haver a necessidade de administrar um corticóide oral num período curto e sob vigilância médica. As vacinas antialérgicas têm grande eficácia, desde que instituídas correctamente e sob vigilância estrita de Imunoalergologista.



MEDIDAS PREVENTIVAS DA RINITE, SINUSITE E ASMA

A prevenção da rinite aplica-se também à asma e à sinusite, se esta tiver sido provocada por uma rinite alérgica.

A prevenção primária começa na infância, sobretudo nas crianças que tiveram dermatite atópica nos primeiros anos de vida ou com pais e irmãos com doença alérgica. Eis algumas medidas preventivas:

• Estimular o aleitamento materno, pois é um dos factores que aumenta as defesas imunitárias das crianças;

• Evitar o tabagismo materno durante a gravidez e o tabagismo passivo da criança (há evidências que demonstram que o tabaco é capaz de ter um efeito que propicia o aumento de reacções inflamatórias, podendo aumentar a propensão para o indivíduo se sensibilizar);

• Evitar o contacto com agentes mais frequentemente sensibilizantes. Em relação aos pólenes é impossível actuar em termos de prevenção primária, mas em relação aos ácaros, que nas crianças são o alergénio mais frequentemente implicado, é possível actuar, sobretudo ao nível de controlo ambiental, designadamente evitar alcatifas, tapetes ou carpetes, ter um colchão novo, capas de revestimento no colchão e almofada, e evitar os bonecos de peluche e tudo aquilo que condiciona a acumulação de pó.


Para evitar o aparecimento dos sintomas num indivíduo já sensibilizado, devem ser adoptadas as seguintes medidas:

• Não fumar, já que o tabaco provoca lesões de algumas células e principalmente nos cílios de drenagem, que ajudam na eliminação das secreções;

• Se o indivíduo estiver sensibilizado aos ácaros é necessário ser ainda mais agressivo em relação às medidas de controlo ambiental;

• Em termos de pólenes, normalmente a sua época é a Primavera, sendo os mais implicados os das gramíneas (fenos), da parietária (erva), e nas árvores da oliveira, do plátano e do cipreste, este último com polinização no Inverno. Uma das formas de prevenir os efeitos destes agentes será iniciar uma terapêutica com um corticóide nasal antes do pico polínico, para a mucosa ficar menos reactiva ao contactar com o alergénio;

• É ainda importante conhecer o boletim polínico da região (disponível no sítio da SPAIC: www.spaic.pt; planear viagens (trabalho ou férias), elegendo alturas do ano e locais livres do(s) pólen(es) para os quais é alérgico;

• As vacinas de dessensibilização podem ser prescritas para tentar evitar a evolução natural da rinite para uma asma, particularmente nos doentes sensibilizados a pólenes.



Fonte: Medicina & Saúde®

http://www.medicosdeportugal.iol.pt/action/2/cnt_id/170/


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