Drogas/Vício - Drogas-maconha: o que os pais devem saber
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Drogas/Vício

Drogas-maconha: o que os pais devem saber

01/02/2007
APRESENTAÇÃO
 


Uma das preocupações da Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD é a disseminação de conhecimentos atualizados, isentos de preconceitos e úteis sobre as drogas de abuso, que possam servir como fontes fidedignas para atividades preventivas realizadas em diversos âmbitos da vida dos brasileiros, desde orientações em sua própria casa até mesmo campanha de abrangências nacional. É nesse contexto que, a partir do ano 1999, foi criada a Série Diálogo, com destacadas contribuições de especialistas na criação e construção dos textos.

A Série Diálogo é uma publicação da SENAD que vem transmitindo informações precisas e seguras sobre drogas de abusos. A série, iniciada com o "Guia para Família", chega ao seu quarto número, desfazendo mitos e inverdade sobre uma das drogas cujo consumo vem crescendo principalmente entre jovens e adolescentes, causando com isso intensa preocupação tanto para educadores como para agentes de saúde . Este volume é fruto de uma importante parceria da SENAD com o National Institute on Drug Abuse-NIDA, órgão norte-americano responsável por 85% da pesquisa mundial sobre abuso de drogas e dependência e, por isso, uma das principais fontes de informações sobre o tema. O texto original, em inglês foi traduzido e adaptado para a população brasileira pela Equipe Técnica da Subsecretaria de Prevenção e Tratamento da SENAD.

A maconha é a droga ilícita de maior consumo no mundo, segundo diversas pesquisas. Observamos, em nosso País, um crescimento de 40% do seu uso entre estudantes do ensino fundamental e médio durante a última década. Também verificamos a existência de diversos mitos que se propalam a droga como segura e inócua, imersos em aprofundar o conhecimento dessa substância. Isso exemplificar a oportunidade desta edição, dividida em duas partes: informações dirigidas para os pais e informações dirigidas aos adolescentes. O volume dirigido aos pais traz texto mais completo, que enfatiza a necessidade de acompanhar seus filhos e os riscos que eles correm nos dias atuais. A publicação número 5 é voltada para os próprios adolescentes, em linguagem mais resumida e direta, para que ampliem a consciência dos Aspectos associados ao consumo dessa droga.

Finalizando, aproveitamos para mais uma vez conscitá-los a auxiliar seus filhos na complexa fase da adolescência, fornecendo exemplo, estando perto deles, escutando-os, conhecendo mais sobre os assuntos que dizem respeito aos jovens, -enfim, - DIALOGANDO - . Assim estarão não apenas contribuindo na tarefa nacional da prevenção do uso indevido de drogas, mas também auxiliando para que seus filhos tenham um futuro feliz e isento das suas perigosas conseqüências.

ALBERTO MENDES CARDOSO

Secretário Nacional Antidrogas

Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República

 
 
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CARTA AOS PAIS

 

 
 

A maconha é a droga ilegal mais usada em nosso país. Nos últimos 10 anos o consumo desta droga vem aumentando de acordo com pesquisa realizada em 10 capitais brasileiras, mostrando uma tendência de crescimento de uso na vida, uso freqüente (consumo em mais de 5 ocasiões mensais) e mesmo de uso denominado de "pesado" (consumo em mais de 20 ocasiões mensais) (GALDURÓZ, NOTO e CARLINI, 1997). Estas mudanças vem ocorrendo ao mesmo tempo que um maior número de pessoas acredita que o uso desta droga não acarreta riscos ou conseqüências prejudiciais.

Ao mesmo tempo, aparentemente os pais não tem consciência deste crescimento do uso, não apenas no Brasil como em outros países, e muitos acreditam mesmo que esta droga não constitui uma grave ameaça a seus filhos. Porém os pais têm que reconhecer que esta é uma verdadeira ameaça ao desenvolvimento de seus filhos e necessitam adverti-los para não usarem. Torna-se fundamental que conversem com seus filhos sobre as drogas enquanto ainda são pequenos, porém nunca é tarde para que os filhos sejam alertados para os possíveis perigos do consumo.

A Secretaria Nacional Antidrogas, subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, atentando para este aspecto, estabeleceu um convênio com o National Institute on Drug Abuse (Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas) do governo Norte Americano, com a finalidade de disseminar conhecimentos científicos adequados para a população brasileira. Este folheto é fruto desta iniciativa com a finalidade de informar os pais sobre o crescimento do consumo desta droga e as possíveis conseqüências do uso da maconha na saúde dos jovens e sobre a necessidade de medidas urgentes para evitar que uma epidemia do consumo desta droga venha a ocorrer, principalmente em nossa população adolescente.

SECRETARIA NACIONAL ANTIDROGAS


 
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O QUE É A MACONHA?
EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE MACONHA?

 
 


A maconha é uma combinação de flores e folhas da planta conhecida como Cannabis sativa, e pode ser verde, marrom ou cinza. Antes dos anos sessenta, a maconha não era conhecida nos Estados Unidos, mas hoje em dia é a droga ilegal de maior consumo neste país.

O termo Cannabis descreve a maconha e outras drogas derivadas da mesma planta. As formas mais potentes inclusive a sem semente, o haxixe e o óleo de haxixe.

Em todos suas formas, o Cannabis é uma droga que altera a função mental (psicoativa) porque contém THC (delta-9-tetrahidrocanabinol) que é um elemento químico ativo na planta da maconha. O THC é o elemento que mais afeta a função mental.

Hoje as modalidades da maconha disponíveis aos jovens são mais potentes do que as que existiam na década de 1960. A potência da droga é medida de acordo com a quantidade média de THC encontrada nas amostras de maconha confiscadas pelas agências policiais.

A maconha comum contem uma média de 3% de THC.
A variedade "sinsemilla" (sem semente, que só contem botões e as flores da planta fêmea) tem uma média de 7.5% de THC, mas pode chegar a ter até 24%.
O haxixe (a resina gomosa das flores das plantas fêmeas) tem uma média de 3.6%, mas pode chegar a ter até 28%.
A maconha cultivada por hidroponia, conhecida popularmente como SKANK pode ter até 35% de THC.
O óleo de haxixe, um líquido resinoso e espesso que se destila do haxixe, tem em média de 16% de THC, mas pode chegar a ter até 43%.


 
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QUAIS SÃO OS TERMOS POPULARES PARA REFERIR-SE À MACONHA?

 
 

 

Existem muitos termos para referir-se à maconha. Estes termos mudam muito rapidamente, variam dependendo de país (Na América Latina ou na Espanha) ou inclusive da região do país onde estamos. Nos Estados Unidos, varia por regiões e inclusive nos diversos setores da mesma cidade.

Nos Estados Unidos, existem mais de 200 termos para descrever os diversos tipos de maconha. Em nosso país também existe uma enorme variedade de apelidos regionais para a maconha (erva, fumo, marijuana, etc.)

 

 
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COMO SE USA A MACONHA?
 
 


A maioria das pessoas que a consome, enrolam em forma de cigarro (chamado também como baseado, fino, beck, etc.). Também podem fumar em um cachimbo. Existe um cachimbo que filtra a fumaça com água que é conhecido em inglês como "bong". Algumas pessoas misturam a maconha com a comida e também é usada em forma de chá.


 
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QUANTAS PESSOAS USAM MACONHA?
QUAL É A MÉDIA DE IDADE EM QUE AS CRIANÇAS COMEÇAM A FUMAR?
 
 



Muitas pesquisas científicas têm sido realizadas sobre a maconha:

    1. Em Nosso País:
  • Houve crescimento de seu uso entre estudantes de primeiro e segundo grau de escolas públicas e privadas. Este aumento ocorreu tanto no uso na vida, uso frequente (mais de 5 dias em que o uso ocorreu no período de um mês) e mesmo do uso pesado (mais de 20 ocasiões mensais de consumo).
  • 8 % dos estudantes relatam que já fizeram uso de maconha.
  • A maconha é a segunda droga mais utilizada entre estudantes (exceto álcool e tabaco).
    1. Nos Estados Unidos:
  • Mais de 70 milhões de pessoas maiores de 12 anos, provaram a maconha pelo menos uma vez.
  • Aproximadamente 10 milhões usaram a maconha no decorrer do último mês.
  • Mais de 5milhões fumam maconha pelo menos uma vez por semana.
  • Entre os adolescentes de 12 a 17 anos, provaram a maconha pela primeira vez com 13,5 anos.

Pesquisadores descobriram que o uso da maconha alcança seu nível mais alto na última parte da adolescência e nos primeiros anos depois de cumprir 20 anos. O uso diminui depois desta idade.


 
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COMO POSSO SABER SE MEU FILHO ESTÁ USANDO A MACONHA?
 
 



Existem certos sintomas que podem ser percebidos. Aqueles que estão drogados com maconha podem:

  • Parecer estar meio tonto e com alguma dificuldade para caminhar;
  • parecer estar rindo exageradamente ou sem nenhuma razão ;
  • Olhos vermelhos e irritados; e
  • Dificuldade para lembrar como as coisas aconteceram.

Fato: a pesquisa mostra que quase 40% dos adolescentes provam maconha antes de terminar a escola secundária.

Quando desaparecem os primeiros efeitos, depois de algumas horas, a pessoa pode sentir muito sono.

Ainda que seja difícil distinguir nos adolescentes, os pais têm atentos para mudanças no comportamento deles. Devem tentar perceber se seu filho se afasta de todos, se está deprimido, se tem fadiga, se não cuida de sua aparência pessoal, se é hostil, ou se suas relações com familiares e amigos se deterioraram. Também pode haver mudanças no desempenho acadêmico, ausência escolar, menor interesse pelo esporte e por outras atividades favoritas, ou modificação nos hábitos alimentícios ou no sono. Tudo isto pode indicar o uso de drogas, ainda que não em todos os casos.

Os pais também devem estar pendentes de:

  • Coisas que possam indicar o uso de drogas, como cachimbos, ou papéis para enrolar cigarros;
  • o cheiro da roupa;
  • o uso de incenso e desodorante de ambiente;
  • o uso de colírios para os olhos;
  • que haja roupa, posters, jóias, etc., que promovam o uso das drogas.

 
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POR QUE OS JOVENS USAM MACONHA?
 
 

As crianças e os adolescentes começam a fumar por muitas razões, entre as mais comuns são a curiosidade e o desejo de fazer parte de um grupo social. Os jovens que já fumam cigarros/ou bebem álcool, correm maior risco de provar a maconha.

A pesquisa também sugere que o uso de álcool ou das drogas entre os membros da família é outro fator importante. Os pais, avôs, e irmãos mais velhos são modelos que as crianças tendem a imitar.

Alguns jovens que usam drogas não têm uma boa relação com seus pais. Outros têm amigos que usam drogas e que os pressionam a prová-la e usa-la. Em outras palavras, todos os aspectos do meio no qual se desenvolve a criança (a casa, a escola, a vizinhança) são determinantes para a possibilidade de que prove as drogas.

As crianças que fumam muita maconha podem ficar dependentes dela; e esta é a razão principal pela qual a consomem. Outros mencionam aspectos emocionais que os levaram para as drogas, como a ansiedade, a raiva, a depressão, o tédio e outros. Isto apesar de que o uso da maconha não seja a resposta dos problemas da vida, ficar drogado é apenas uma forma de não enfrentar situações que apresentam um desafio.


 
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A MACONHA LEVA AO CONSUMO DE OUTRAS DROGAS?
 
 

Os estudos a longo prazo de estudantes do secundário e seus modelos de uso de drogas, demonstram que poucos deles chegam a usar outras drogas ilegais sem haver usado primeiro a maconha. A maconha põe os jovens em contato com pessoas que usam e vendem não somente a maconha, mas também outras drogas. Neste sentido, sim; existe maior risco de que os jovens que usam maconha estão mais expostos e sofrem mais pressão para provar outras drogas. Entretanto, a maioria das pessoas que usa maconha não consome outras drogas ilegais.

 
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QUAIS SÃO OS EFEITOS DA MACONHA?
 
 



Os efeitos da maconha dependem de:

  • O tipo de Cannabis e seu conteúdo de THC;
  • a forma de uso (se fume ou come);
  • a experiência e expectativas de quem a fuma;
  • o lugar em que se usa; e
  • se a pessoa está bebendo álcool ou usando outras drogas.

Algumas pessoas não sentem nada quando provam maconha pela primeira vez. Outras podem se sentir intoxicadas e/ou eufóricas (alegres).

É comum que as pessoas que usam maconha sintam grande interesse por estímulos visuais, auditivos ou sabor, que de outra maneira seriam comuns. Os eventos triviais podem parecer sumamente interessantes ou engraçados. O tempo parece passar muito lentamente e, às vezes, a droga faz com que a pessoa sinta muita sede e fome.


 
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O QUE ACONTECE DEPOIS QUE A PESSOA FUMA MACONHA?
 
 



Quase imediatamente depois de inalar a maconha, a pessoa pode sentir, intoxicação, boca seca, batidas aceleradas do coração, dificuldades na coordenação do movimento e do equilíbrio, e reações ou reflexos lentos. Os vasos sangüíneos dos olhos se expandem, por isso ficam avermelhados.

Em algumas pessoas, a maconha aumenta a pressão sangüínea e pode até duplicar o ritmo cardíaco. Este efeito pode acentuar-se quando se mistura outras drogas com a maconha; algo sobre o qual nem sempre o fumante pode ter certeza do que é.

Depois de 2 ou 3 horas, a pessoa pode sentir muito sono.


 
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POR QUANTO TEMPO A MACONHA PERMANECE NO CORPO?
 
 

A substância THC na maconha é absorvida pelos tecidos gordurosos de vários órgãos do corpo, onde são armazenados. Geralmente podemos encontrar restos de THC nos exames regulares de urina até vários dias depois da pessoas ter fumado maconha. Contudo, no caso das pessoas que fumam muita maconha (fumantes crônicos), podemos encontrar restos da substância, inclusive várias semanas depois de ter parado de usar a droga.


 
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EXISTEM REAÇÕES NEGATIVAS À MACONHA?
 
 



Sim. Em alguns casos, especialmente quando a pessoa a usa pela primeira vez, ou em um lugar estranho, pode sofrer crises de ansiedade aguda (sensação de pânico) e inclusive paranóia (o usuário sente que as pessoas a sua volta estão observando ou mesmo perseguindo-o). Isto é mais provável com doses mais altas de THC. Esses efeitos diminuem a medida que a droga vai perdendo efeito.

Em poucas ocasiões, a pessoa que consumiu uma grande quantidade da droga pode apresentar sintomas psicóticos severos, semelhantes aqueles que pacientes psiquiátricos apresentam, e necessitar de tratamento hospitalar de emergência (por exemplo em unidades psiquiátricas).

Outras reações negativas podem ocorrer se misturar a maconha com outras drogas (como a cocaína).

Fato: A maconha tem efeitos adversos em muitas das capacidades necessárias para dirigir e ocasiona acidentes de trânsito.



 
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COMO A MACONHA É PREJUDICIAL?
 
 



De várias maneiras, em seus efeitos imediatos e danificando a saúde a longo prazo.

A maconha impede a memória a curto prazo (de eventos recentes) e a pessoa, portanto, tem problemas no aprendizado e mesmo ao tentar realizar tarefas complexas. Com o uso das variedades mais potentes da droga, a pessoa pode ter problemas em realizar inclusive tarefas mais simples.

Devido aos efeitos da droga sobre as percepções e os reflexos, também pode fazer com que a pessoa sofra acidentes no trânsito. As pessoas que usam drogas são mais propensas a realizar atos sexuais que lhes põem em risco à doenças. Sabemos que existe uma forte relação entre o uso de drogas e as práticas sexuais perigosas; e a contaminação do HIV, que é o vírus que causa a AIDS.

Os estudantes que fumam maconha têm dificuldades em estudar e aprender. Os atletas não conseguem o mesmo desempenho porque a droga afeta seus reflexos e coordenação.

Alguns dos efeitos a longo prazo da droga são descritos mais adiante.

 

 
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COMO AFETA A CAPACIDADE DE DIRIGIR UM CARRO?

 
 



A maconha tem efeitos contrários em muitas das capacidades necessárias para dirigir um carro. Entre eles, a dificuldade para julgar distâncias e as reações mais lentas diante dos sinais visuais e auditivos que são importantes. Existe informação de que a maconha é um fator nos acidentes de trânsito. Como acontece com freqüência, quando se combina o álcool com a maconha existe ainda maior risco de acidentes. (em comparação com o uso de apenas uma destas substâncias).

Nos Estados Unidos foi realizada uma pesquisa entre pessoas que conduziam automóveis ou motocicletas e que sofreram acidentes. Este estudo mostrou que 15% deles haviam usado maconha e 17% tinham tanto THC como álcool no sangue.

Em um estudo de 150 motoristas infratores em Tennessee (EUA), mostrou restos de maconha em 33%, e positivo para uso concomitante de maconha e cocaína em 12%.

 

 
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QUAIS SÃO OS EFEITOS A LONGO PRAZO DA MACONHA?
 
 



Apesar de que ainda não conhecemos todos os efeitos da maconha a longo prazo, existem sérias preocupações quanto a seus efeitos na saúde. Por exemplo, um grupo de pesquisadores na Califórnia examinou o estado de saúde de 450 fumantes cotidianos (diários) de maconha (que não fumavam tabaco). Em comparação com outras pessoas não-fumantes, estas pessoas tinham mais ausência de trabalho por doença e mais visitas médicas por problemas respiratórios e outras doenças.

Os resultados até a data indicam que o uso regular da maconha ou do THC são fatores no câncer e nos problemas com os sistemas respiratórios, imune e reprodutivo.

Câncer

É difícil determinar se a maconha causa câncer, porque a maioria das pessoas que a usa também fuma tabaco e consome outras drogas. A maconha contém alguns dos mesmos elementos que causam câncer e que se encontram nos cigarros, às vezes mais concentrados. Os estudos mostram que uma pessoa que fuma cinco cigarros de maconha na semana consome a mesma quantidade de químicos carcinógenos que uma pessoa que fuma um maço de cigarro por dia.

A fumaça da maconha e do tabaco provavelmente mudam os tecidos que cobrem o sistema respiratório. Também é possível que em algumas pessoas a fumaça da maconha contribua para o desenvolvimento cedo do câncer da cabeça e do pescoço.

Sistema reprodutivo

O abuso da maconha pode afetar os hormônios masculinos e femininos e, portanto, as características e função sexual. As doses altas da droga podem adiar a puberdade dos meninos e ter efeitos contrários na produção de esperma.

Entre as mulheres, a maconha pode modificar o ciclo menstrual normal e inibir a produção de óvulos dos ovários.

Sistema imune

O sistema imune protege o corpo de muitos elementos que podem causar doenças. Não sabemos se a maconha afeta este sistema, mas existem estudos em animais e humanos que mostram que a droga impede a função normal das células T, quando se trata de defender o sistema respiratório de certos tipos de infeções. As pessoas que têm o vírus HIV e cujos sistemas imunes não funcionam adequadamente, devem evitar o uso da maconha.

Fato: Os fumantes de maconha têm muito dos mesmos problemas respiratórios dos fumantes de tabaco, como a bronquite e a sinusite.

Sistema respiratório

As pessoas que fumam maconha freqüentemente desenvolvem os mesmos problemas respiratórios daquelas que fumam cigarros. Têm sintomas como uma tosse crônica (bronquite crônica), mais resfriados. O uso contínuo da maconha pode resultar em função anormal dos pulmões e das vias respiratórias. Encontramos evidências de que a fumaça da maconha pode destruir ou danificar o tecido pulmonar. Infecções por fungos presentes na maconha podem ocorrer em usuários freqüentes.


 
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O QUE ACONTECE SE A MÃE FUMA MACONHA DURANTE A GRAVIDEZ?
 
 



Os médicos recomendam que as mulheres grávidas não usem nenhum tipo de drogas porque o seu consumo pode afetar o desenvolvimento do feto ainda no útero.

Alguns estudos científicos indicam que os bebês de mães que fumam maconha nascem pesando e medindo menos, e com menores dimensões de cabeças que os bebês de mães que não usam drogas. Os bebês menores têm maior tendência para sofrer problemas de saúde. Outros estudos descobriram que os efeitos da maconha nos bebês são similares aos que se encontram com síndrome fetal de álcool. Também há evidências que as crianças de mães que fumam maconha têm problemas de sistema nervoso.


 
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O QUE ACONTECE SE A MÃE FUMA MACONHA DURANTE A AMAMENTAÇÃO?
 
 

Quando a mãe fuma maconha e amamenta seu filho, passa para ele o THC através do leite de peito. Isto é delicado, porque a concentração do THC no leite de peito da mãe é muito maior que aquela que se encontra no seu sangue. Um estudo indica que o uso da maconha durante o primeiro mês de amamentação, pode causar impedimentos no seu desenvolvimento motriz (controle dos movimentos dos músculos).


 
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COMO A MACONHA AFETA O CÉREBRO?
 
 



O THC afeta as células nervosas na parte do cérebro onde se formam as memórias. Isto faz com que o indivíduo tenha dificuldades para se lembrar de eventos recentes, e é difícil, para o indivíduo, aprender enquanto esteja sob a influência da droga. Para poder aprender e desempenhar tarefas que requerem mais de uma etapa, é necessário que o indivíduo tenha a capacidade normal da memória a curto prazo.

Alguns estudos demonstraram que a maconha tem efeitos na função mental das pessoas que a fumam muito e por muitos anos. Em um grupo de fumantes crônicos na Costa Rica, verificamos que as pessoas tinham muita dificuldade em lembrar uma lista curta de palavras (que é uma prova básica de memória). As pessoas em estudo também tiveram grande dificuldade em prestar atenção às provas que lhes foram apresentadas.

Provavelmente a maconha destrói células de algumas regiões do cérebro. Os cientistas têm observado em estudos com ratos de laboratório que estes quando recebem altas doses de THC apresentaram redução do número de neurônios (células cerebrais), condição semelhante que é vista em animais anciãos que não são expostos à maconha. Isto significa que ocorre um "envelhecimento" do cérebro do consumidor. Os cérebros dos ratos com idade de 11 e 12 meses (aproximadamente a metade de suas vidas) tinham a mesma aparência que a dos animais com 2 anos. Os pesquisadores ainda estudam os efeitos que poderiam causados no cérebro humano pela maconha.

FATO: Fumar maconha afeta o cérebro e resulta em empecilho da memória a curto prazo, a percepção, o raciocínio e a habilidade motriz.


 
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A MACONHA PODE CAUSAR DOENÇAS MENTAIS?
 
 



Os cientistas ainda não sabem de que maneira se relacionam o uso da maconha e as doenças mentais. Alguns pesquisadores na Suécia relatam que o uso regular e prolongado do THC (da Cannabis) pode aumentar o risco de desenvolver certas doenças, tais como a esquizofrenia.

Outros cientistas afirmam que o uso regular da maconha pode resultar em estados de ansiedade crônica, mudança de personalidade e depressão.


 
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AS PESSOAS QUE FUMAM MACONHA, PERDEM SUA MOTIVAÇÃO?
 
 

Alguns fumantes freqüentes e prolongados da maconha mostram indícios de falta de motivação (síndrome amotivacional). Os problemas incluem em não se interessar no que acontece na sua vida; não ter desejo de trabalhar regularmente; fadiga; e falta de interesse em sua aparência pessoal. Como resultado, a maioria deles tem mal desempenho escolar e no trabalho. Os pesquisadores ainda estudam estes problemas.


 
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AS PESSOAS QUE FUMAM MACONHA PODEM TORNAR-SE VICIADAS?
 
 



Sim, apesar que nem todos os que fuma tornam-se dependentes, quando uma pessoa sente que necessita da droga para sentir-se normal, dizemos que é dependente da substância. Em 1993 nos Estados Unidos, mais de 100.000 pessoas que procuraram ajuda em programas de tratamento apontavam o seu uso de maconha como causa da necessidade do tratamento.

Alguns consumidores crônicos, também evidenciam sua dependência ao apresentar sintomas de abstinência ao deixar de usá-la. Em um estudo, os sujeitos apresentaram ansiedade, perda de apetite, dificuldade para dormir, perda de peso e mãos trêmulas.


 
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O QUE É "TOLERÂNCIA" À MACONHA?
 
 

Desenvolver uma "tolerância" quer dizer que a pessoa necessita de maiores doses de droga a cada vez para obter os mesmos resultados que antes. Alguns dos consumidores freqüentes podem desenvolver tolerância à droga; frequentemente o usuário relata um aumento progressivo da quantidade de maconha que consome.


 
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EXISTEM TRATAMENTOS PARA AJUDAR OS FUMANTES DE MACONHA?
 
 



Sim, existe. Há alguns anos atrás era muito difícil encontrar programas especificamente desenhados para pessoas dependentes da maconha. Os tratamentos para a dependência da maconha eram muitos similares aos que eram usados para outros tipos de drogas, incluindo: desintoxicação, terapia de comportamento e assistência regular a reuniões de grupos de apoio, tais como Narcóticos Anônimos.

Recentemente, os pesquisadores experimentaram vários métodos de atrair aos consumidores da maconha a programas de tratamento que lhes ajudem a abster-se. Até o momento, não há medicamentos para o tratamento da dependência de maconha, os programas se concentram nos conselhos e grupos de apoio.

O progresso nos tratamentos deve incluir programas especificamente traçados para ajudar os adolescentes. A maioria destes programas é levado a cabo nas universidades, onde a maioria dos pacientes relata que a maconha é sua droga favorita. Outros se situam em instalações independentes de tratamento para adolescentes. Os médicos de família também são uma boa fonte de ajuda para assistir aos jovens com problemas causados pela maconha.


 
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EM ALGUMAS OCASIÕES A MACONHA É USADA COMO MEDICAMENTO?
 
 



Não. Tanto no Brasil como nos Estados Unidos (neste último desde 1970), a maconha é uma substância controlada, ou seja, a droga não é aceita como um medicamento.

Ao considerar seu possível uso como medicamento, é importante distinguir entre a maconha e o THC puro, ou outros químicos específicos derivados da Cannabis. A maconha pura contém centenas de elementos químicos, alguns dos quais são claramente prejudiciais à saúde.

Nos Estados Unidos o THC é utilizado para algumas doenças, usado em forma de uma pílula para consumo oral (não é fumado). Como medicamento pode ser usado em tratamento de náuseas e vômito associados com o tratamento de certos tipos de câncer. Outro elemento químico relacionado com o THC (nabilone) foi autorizado pela "Food and Drug Administration" norte-americana para o tratamento dos pacientes com câncer que sofrem de náuseas. Na sua forma oral, o THC também é usado no tratamento de pacientes com AIDS naquele Pais, porque tem a capacidade de abrir o apetite dos doentes ajudando a manter o seu peso.

Os cientistas estudam a possibilidade de que o THC e outros elementos químicos relacionados com a maconha tenham certos valores medicinais. Alguns pensam que estes elementos químicos poderiam ser usados em tratamentos de dores graves, mas é necessário ter mais evidências antes de usa-lo para tratamento de problemas médicos.


 
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COMO POSSO EVITAR QUE MEU FILHO SE ENVOLVA COM ESTA DROGA?
 
 



Não existe uma resposta mágica para evitar que os jovens usem drogas. Os pais podem ter impacto se conversarem com seus filhos sobre os perigos do uso da maconha e outras drogas, e se estiverem ativamente envolvidos na vida de seus filhos. Inclusive quando os filhos cursam a escola secundária, os pais podem estar envolvidos em suas tarefas escolares, em suas atividades sociais e de recreio, e com seus amigos.

A pesquisa demonstra que a vigilância adequada dos pais pode reduzir a probabilidade do uso futuro de drogas, inclusive entre jovens que têm tendência para usar maconha; tais como os que são rebeldes que não podem controlar suas emoções e têm conflitos emocionais.


 
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FALE COM SEU FILHO SOBRE A MACONHA
 
 



Como podemos observar nesta publicação, a maconha evidentemente é uma droga perigosa para a saúde e bem-estar das crianças, adolescentes em um ponto crítico de suas vidas: quando estão crescendo, aprendendo, amadurecendo, e construindo o que será de sua vida adulta. As crianças necessitam de seus pais para que os ajudem a resolver problemas e tomar decisões, incluindo a decisão de não usar drogas. Como modelo, sua própria decisão de não fumar maconha ou usar outras drogas ilícitas reforça esta mensagem para seus filhos.

Existem muitos recursos, inclusive em sua própria comunidade, para dar assistência e obter informação de como falar com seus filhos sobre as drogas. Para encontrá-los pode ir à biblioteca pública, à escola de seu filho, ou uma organização de serviço para a comunidade.

A SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas vem produzindo uma série de publicações e materiais educativos em conjunto com diversos parceiros. A SENAD possui uma linha direta (0800614321) pela qual estes materiais em português podem ser solicitados. A solicitação pode também ser realizada por carta para:

Subsecretaria de Prevenção e Tratamento
SENAD - Secretaria Nacional Antidrogas
Palácio do Planalto - Anexo II - sala 235
CEP - 70150-900 Brasília DF

A "National Clearinghouse for Alcohol and Drug Information" (Centro de informação sobre o álcool e drogas) dos Estados Unidos da América oferece uma extensa coleção de publicações, videotapes e materiais educativos em inglês e em espanhol para ajudar os pais a falar com seus filhos sobre o uso das drogas. Para mais informação sobre a maconha e outras drogas, consulte a National Clearinghouse on Alcohol and Drug information, P.O. Box 2345, Rockville, MD 20847, USA.


 
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BIBLIOGRAFIA
 
 


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  • Schwartz, R.H.; Gruenewald, P.J.; Klitzner, M.; and Fedio, P. Short-term memory impairment in cannabis-dependent adolescents. American J. of Diseases of the Child 143:1214-1219, 1989.
  • Tashkin, D.P.; Coulson, A.H.; Clark, V.A.; et al. Respiratory system and lung function in habitual, heavy smokers of marijuana alone, smokers of marijuana and tobacco, smokers of tobacco alone, and nonsmokers. Am Rev Respir Dis 135:209-216,1987.

 
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RECOMENDAÇÕES AOS PAIS
 
 


  • Escute seus filhos;
  • Seja claro e firme sobre o fato que não se deve usar drogas e álcool;
  • Ajude seu filhos a resistir às pressões de amigos a provar a droga;
  • Conheça os amigos e pais dos amigos de seus filhos;
  • Vigie seus filhos e lugares onde vão;
  • Supervise as atividades de seus adolescentes; e
  • Mantenha uma comunicação com seus filhos.

Fato: Quase 40% dos adolescentes provam a maconha antes de terminar sua escolaridade.

Fato: A idade média dos jovens que provam a maconha nos Estados Unidos é de 13.5 anos.

Fato: Existem modalidades mais potentes da maconha agora, do que as existiam nos anos 1960.

Fato: Fumar maconha afeta o cérebro e leva a impedimentos na memória a curto prazo, de percepção, de juízo e das capacidades motoras.


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IMPORTANTE

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