Vacina/Vacinação - Vacinação e ações básicas em saúde
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Vacina/Vacinação

Vacinação e ações básicas em saúde

26/02/2007

Eduardo Fonseca Lima

 

A vacinação é uma das quatro  ações básicas em saúde mais importante para melhoria da saúde pública. Com exceção do Saneamento Básico,  nenhum outro avanço, nem mesmo os antibióticos, apresentaram o mesmo impacto na redução da mortalidade e no crescimento da população mundial.
 
Na verdade, a redução de doenças através da imunização representa um dos grandes avanços médicos do século XX. A varíola foi erradicada, e doenças tais como poliomielite, sarampo e difteria são atualmente extremamente raras em muitos países desenvolvidos.
 
A vacinação em adultos, embora necessária, é frequentemente negligenciada. Um exemplo é que 90% dos casos de tétano, em São Paulo, ocorrem entre adultos, apesar da vacina ser eficaz  e está disponível no serviços  públicos de saúde. Estima-se que ocorrem 45 mil óbitos anuais no Brasil em adultos por doenças previníveis através de vacinas.
 
A possível razão da ocorrência deste quadro é o entendimento equivocado, quase um senso comum, de que apenas as crianças e os idosos precisam de vacinas.
Na vacinação do adulto, além do aspecto da prevenção pessoal pode co-existir, ainda, um caráter estratégico, ou seja, ela funciona como uma arma eficaz para prevenir  a transmissão de certas doenças às crianças. Exemplo disso é a coqueluche, cujo registro entre bebês com menos de 06 meses vem crescendo em todo o mundo. Por não estarem  totalmente imunizados, estes bebês  contraem a doença  dos adultos portadores da Bordetella pertussis.

Apesar da existência do calendário de vacinação do adulto, ainda é baixa  a cobertura vacinal para essa faixa etária.  Esta realidade levou o Ministério da Saúde a criar em abril de 2004,  a portaria n° 597 que estabelece como exigência para a contratação de funcionários  e o recebimento de benefícios, a comprovação do cumprimento  do calendário vacinal.

Portanto, o calendário vacinal tem com objetivo principal servir de orientação para a primeira imunização  ou atualização das vacinas  daqueles que, durante a infância, não foram corretamente protegidos, nem contraíram, de forma inequívoca, doenças que poderiam ser prevenidas, como sarampo, catapora, hepatite A e B etc.

VACINAÇÃO EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Por estarem mais expostos a certas doenças transmissíveis, os profissionais de saúde devem estar adequadamente imunizados além de obviamente utilizar corretamente as técnicas de proteção individual para minimizar o risco de aquisição de certas doenças infecciosas:
O profissional de saúde está exposto a diversas doenças infecciosas em sua prática diária: transmissíveis por via aérea (tuberculose, varicela, rubéola, sarampo, influenza, viroses respiratórias, doença meningocócica), transmissíveis pela exposição a sangue e fluidos orgânicos (HIV, hepatite B, hepatite C, raiva), de transmissão fecal-oral (hepatite A,  gastroenterite, cólera) e transmitidas pelo contato com o paciente (escabiose, pediculose, colonização por estafilococos etc).

A manutenção de imunidade adequada  dos profissionais de saúde é um aspecto importante não só para protegê-los, mas também para reduzir o risco de transmissão  de doenças  para pacientes  que são atendidos por estes profissionais .

As orientações  não se limitam   aos profissionais que trabalham em ambiente hospitalar , mas deve ser aplicadas a todos aqueles que tem contato direto com pacientes. As principais vacinas recomendadas para os profissionais de saúde são: hepatite B, influenza, sarampo, caxumba, rubéola e BCG.

A seguir, comentaremos algumas vacinas que fazem parte do calendário vacinal do adulto de uma forma geral , com destaque especial para os profissionais de saúde.

1. Tétano-Difteria (dT)

      A vacina dupla adulto está recomendada como reforço, a cada dez anos para todos os adultos que tenham o esquema vacinal básico realizado com três doses.
      Caso o adulto não tenha sido vacinado previamente ou desconheça o seu histórico vacina, recomenda-se iniciar o esquema básico de três doses da seguinte forma: a primeira e a segunda doses devem ter intervalo de quatro a oito semanas e a terceira dose após seis a 12 meses da segunda dose.
      Os adultos que receberam previamente apenas uma ou duas doses não é necessário reiniciar o esquema, mas apenas completá-lo.

2. Vacina dupla ou tríplice viral ( Sarampo, Caxumba e Rubéola)

Todos adultos sem comprovação vacinal ou sorológica , são  considerados suscetíveis.No Brasil, em uma epidemia de 1997,  39% dos casos de sarampo ocorreram em adultos
Salientando ainda a maior morbidade e mortalidade nessa faixa etária.
 Em relação à rubéola, a vacina em todas as mulheres suscetíveis é a única prevenção da rubéola congênita.

 A vacina  deve ser administrada em mulheres de 12 a 49 anos que não tiveram comprovação de vacinação anterior.

Os profissionais da saúde com risco aumentado de aquisição de rubéola são aqueles que trabalham com crianças ou mulheres grávidas. Todos os profissionais da saúde que não tenham comprovação de vacinação contra rubéola com pelo menos uma dose após um ano de idade ou que não tenham sorologia comprovando imunidade, devem ser vacinados. É importante lembrar que diagnóstico clínico prévio de rubéola não é considerado indicador de imunidade.

3.   Influenza (Gripe)

      Esta vacina deve ser administrada anualmente , idealmente, nos meses que precedem o inverno.
      Esta vacina pode estar indicada para qualquer adulto que deseje se prevenir contra a gripe.     
      A vacina contra a gripe está formalmente indicada para:
      - todas as pessoas com idade acima de 50 anos (no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda naqueles maiores de 60 anos)
      - pacientes com doenças crônicas cardíacas, pulmonares, renais ou metabólicas.
      - pacientes com hemoglobinopatias (p.ex. anemia falciforme).
      - pacientes imunodeprimidos.
      - pacientes infectados pelo vírus HIV assintomáticos ou com poucos sintomas e contagem adequada de CD4.
      - profissionais que cuidam de pacientes de risco (p.ex.: aqueles que trabalham com idosos).

Todos os profissionais da saúde  que têm contato direto com pacientes, especialmente aqueles que têm contato com pacientes de risco,como os funcionários de UTI  e berçários, são considerados grupo prioritário para vacinação.

4. Vacina Pneumocócica
      A vacina contra a infecção pneumocócica está formalmente indicada para:
      - todas as pessoas com idade acima de 60 anos.
      - portadores de doença crônica pulmonar.
      - portadores de doença cardiovascular.
      - portadores de diabetes mellitus.
      - portadores de doença hepática crônica, inclusive cirrose alcoólica, insuficiência renal crônica ou síndrome nefrótica.
      - pacientes com anemia falciforme ou outras hemoglobinopatias.
      - pacientes com imunodeficiências congênitas
      - pacientes com fístula liquórica.
      - pacientes esplenectomizados (se possível, a vacina deve ser administrada duas semanas antes da retirada do baço).
      - pacientes com infecção pelo HIV.
      - pacientes com leucemia, linfoma, mieloma, doença de Hodgkin, neoplasia sólida, quimioterapia, uso de corticóide sistêmico por tempo prolongado e transplantados de órgãos e da medula óssea.
     
5. Hepatite B

Estima-se que existem no mundo 350 milhões de pessoas com  infecção crônica pelo HBV e que ocorra 500 a 1 milhão de óbitos anuais relacionados a doença.
A doença pode ocasionar importantes complicações como : Hepatite crônica ativa, cirrose e hepatocarcinoma.
 A hepatite B tem maior mortalidade e é  bem mais contagiosa do que a AIDS. Existe  necessidade premente de conscientização da população jovem. A vacina está  disponível na rede pública para todos os adolescentes até 19 anos.
A  melhor estratégia para controle da doença, seria a imunização universal . Entretanto, ela  está formalmente indicada, além das pessoas com risco ocupacional, nas seguintes situações:
            - pacientes e equipe de profissionais de instituições para pessoas com deficiência mental.
      - pacientes em hemodiálise.
      - pacientes com alteração da coagulação que necessitam transfusões de derivados do sangue.
      - contatos familiares e parceiros sexuais de pacientes infectados pelo vírus da hepatite B.
      - viajantes para áreas endêmicas de hepatite B.
      - usuários de drogas injetáveis.
      - homossexuais e bissexuais masculinos.
      - pessoas com múltiplos parceiros sexuais.
      O esquema é composto por 3 doses (1ª dose: na data escolhida; 2ª dose: um mês após a primeira dose; e 3ª dose: seis meses após a primeira dose).

Os profissionais de saúde que têm contato com sangue ou secreções estão sob alto risco de exposição à hepatite B. de maneira geral, não é necessária sorologia  para hepatite B prévia à vacinação.
Entretanto, os profissionais de  alto risco, como  por exemplo os que trabalham em hemodiálise , devem fazer teste sorológico um a dois meses após  a vacinação para confirmar  a imunidade.

6.  Hepatite A
      A vacina contra a hepatite A pode ser utilizada para todos os adultos suscetíveis, sem história prévia de vacinação.
      A vacina contra a hepatite A está formalmente indicada:
      - viajantes para áreas endêmicas de hepatite   
      - homossexuais e bissexuais masculinos.
      - usuários de drogas injetáveis.
      - portadores de doenças hepáticas crônicas.
      - pacientes com alteração dos fatores de coagulação.
      - profissionais da área de manipulação de alimentos.
      - profissionais que trabalham em instituições para deficientes mentais.
      - pacientes internados em instituições para deficientes mentais.
      - profissionais que trabalham em creche.
      - profissionais que trabalham na rede de esgotos.
      O esquema é composto por 2 doses (1ª dose: na data escolhida; 2ª dose: seis meses após a primeira dose).

 7. Vacina contra a tuberculose (BCG)

 Não é recomendada rotineiramente em adultos. Entretanto em algumas situações especiais poderá ser utilizada.
Para os profissionais da saúde sem vacinação prévia e com teste de tuberculina negativo que trabalham com pacientes com tuberculose ativa ou pacientes com AIDS, especialmente se houver alta prevalência de Mycobacterium tuberculosis resistentes a muitas drogas, está indicada a vacinação.

A vacinação adequada visa  assegurar  e manter imunidade , diminuindo  o risco desses profissionais de saúde  adquirirem  ou transmitirem doenças imunoprevíniveis  e deve ser, portanto, parte essencial  de programas  de prevenção  e controle de infecção. Outro fato  de relevância para justificar a maior preoucupação quanto à vacinação de profissionais de saúde é o risco de reintrodução de patógenos com baixa prevalência   em uma comunidade  a partir  de grupos populacionais  susceptíveis  com maior risco  de exposição  a doenças transmissíveis como profissionais de saúde.

Portanto,  ADULTOS TAMBÉM MERECEM SER VACINADOS!!!

 

http://www.imip.org.br/Ensino/dreduardo/38546%3B34020%3B0524%3B0%3B0.asp


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