Drogas/Vício - Características Clínicas da Dependência de Drogas em Mulheres
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Drogas/Vício

Características Clínicas da Dependência de Drogas em Mulheres

14/03/2007

RESUMO

 

ZILBERMAN, M.L. . São Paulo, 1998, 169p. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

 

A dependência de drogas é um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade, acometendo subgrupos com características heterogêneas e, em conseqüência, determinando aspectos peculiares de prevenção e tratamento. A maioria das pesquisas se concentram no subgrupo de homens; têm-se observado, porém, um aumento significativo do número de mulheres que consomem drogas. O objeto deste trabalho é o estudo das características sócio-demográficas e clínicas de mulheres dependentes de drogas que procuram tratamento em um hospital público universitário. Para tanto, 66 mulheres dependentes de drogas foram comparadas com 66 homens com o mesmo diagnóstico e 99 mulheres dependentes de drogas foram comparadas com 162 mulheres alcoolistas. Observou-se que as mulheres, em comparação com os homens, eram mais instruídas, tinham migrado com maior freqüência de outros estados ou países, tinham mais antecedentes familiares de problemas pelo uso de álcool e menos antecedentes familiares de problemas pelo uso de outras drogas, bem como relatavam mais tentativas de suicídio e tinham mais transtornos psiquiátricos associados à dependência (o mais freqüente foi o transtorno depressivo para ambos). Também, iniciaram e aumentaram o uso de drogas mais tarde, assim como procuraram tratamento mais tarde do que os homens, com igual tempo de uso de drogas. Notou-se que as mulheres tinham  tendência para usar, proporcionalmente, mais drogas lícitas, com maior tendência ao abuso/dependência de álcool. Não houve diferença quanto à freqüência/via de uso, à ocupação, à situação familiar e ao lazer no início do tratamento, bem como na aderência ao  tratamento padrão para dependência química (que não leva em conta necessidades específicas das mulheres). Verificou-se, em relação às mulheres alcoolistas, que as dependentes de drogas, no início do tratamento, eram mais jovens, mais instruídas, com maior porcentagem de desempregadas e de solteiras, e menos freqüentemente donas-de-casa; tinham menos antecedentes familiares de problemas pelo uso de álcool e mais antecedentes familiares de problemas pelo uso de outras drogas e, em maior proporção, procuraram o tratamento por iniciativa própria; também relatavam mais tentativas de suicídio. Iniciaram o uso de substância psicoativa com a mesma idade, no entanto, desenvolveram a dependência de forma mais rápida. As alcoolistas tinham, em maior freqüência, outros transtornos psiquiátricos além da dependência, especialmente os depressivos; tinham, também, situação mais comprometida em relação à ocupação e ao lazer, enquanto que as dependentes de drogas tinham pior situação familiar no início do tratamento. Observou-se que o desenvolvimento de um programa específico para o tratamento de dependência química entre mulheres favoreceu a procura destas para o tratamento. Este programa, também, esteve associado à maior aderência das mulheres alcoolistas, o que não ocorreu em relação às mulheres dependentes de drogas. Os resultados apontam diferenças entre homens e mulheres dependentes de drogas, bem como entre estas e as mulheres alcoolistas, sugerindo que as dependentes de drogas sejam um subgrupo com características específicas. O detalhamento destas peculiaridades contribuirá para o aprimoramento de abordagens terapêuticas para mulheres, de modo a tornar o tratamento mais eficaz.

SUMMARY

 

ZILBERMAN, M.L. Clinical Characteristics of Drug Dependency in Women. São Paulo, 1998, 169p. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

CLINICAL CHARACTERISTICS OF DRUG DEPENDENCY IN WOMEN

 

 

                   At present, drug dependency is one of the most serious problems concerning public health. It affects heterogeneous subgroups, thus demanding specific prevention and treatment. Mostly, researchs are concentrated on male subgroups. However, it has been observed a significant increase in the number of addicted women. For this reason, this work aims at studying clinical and social-demographic characteristics of female drug addicts who search a public university hospital for treatment. For this purpose, 66 female drug addicts were compared to 66 male drug addicts and 99 female drug addicts were compared to 162 alcoholic women. It was observed that, in comparison with men, women presented a higher education level, a more frequent familiar history of alcohol problems, a less frequent familiar history of other drug-related problems, and usually came from other states or countries. They also reported more suicide attempts and more psychiatric disorders besides dependency (depressive disorders were most commonly reported for both male and female groups). Both male and female groups have taken drugs for the same amount of time, although women initiated and intensified drug consumption at a later age. It was also observed that women had a higher tendency to use licit drugs. They also showed a higher tendency to alcohol abuse/dependence. No differences could be found concerning frequency, pattern of use, job situation, family condition and leisure activities between men and women in the beginning of the treatment. The groups equally adhered to the standard treatment for chemical dependence (which does not take into account women’s specific needs). In the beginning of the treatment it was observed that, compared to alcoholic women, drug addicts were younger and had a higher education level (although frequently unemployed). Most of them were single and few were housewifes; they presented a less frequent family history of alcohol problems and a more frequent family history of other drug-related problems. Most of them searched treatment by their own initiative and reported more suicide attempts. Both groups started to use psychoactive substances at the same age but drug addicts developed dependence faster. Alcoholic women, in turn, presented more frequently other psychiatric problems besides dependence, mainly depressive disorders. They also were more committed to work and leisure activities while drug addicts presented a worse family condition in the beginning of the treatment. We could observe that the development of a specific program for treating chemical dependence in women has increased the number of women who searched for treatment. It was also noticed that the adherence of alcoholic women to this program was higher than that observed in the standard treatment. This was not the case regarding drug addicts. The results show differences between male and female drug addicts as well as differences between drug-addict and alcoholic women, thus indicating that women drug addicts are a subgroup with specific characteristics. A better knowledge of such characteristics will help to improve therapeutic approaches for this subgroup, thus increasing therapeutic effectiveness.

 

http://www.sedese.mg.gov.br/antidrogas/sosdrogas/Teses/Monica.doc


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