(Ismar Caetano Monteiro Junior)
"É o acidente provocado por serpentes, peçonhentas ou não”.
Animal peçonhento – é o animal que produz o veneno e causa intoxicação por inoculação do veneno em sua vítima. Ex: cascavel, jararaca, surucucu, corais, escorpiões, etc.
Animal venenoso – é aquele que produz o veneno e provoca intoxicação quando ingerido. Ex: Baiacú.
Existem, principalmente, 4 grupos de serpentes peçonhentas:
- Bothrops – jararaca (família viperidae)
- Lachesis – surucucu (família viperidae)
- Crotallus – cascavel (família viperidae)
- Micrurus – corais (família elapidae)
O maior parte dos acidentes ofídicos é provocado por jararacas e acometem mais os adultos. Os acidentes por coral são raros, já que estas vivem em locais subterrâneos (buracos) e não dá "bote". Na Amazônia a principal espécie que produz acidente é a Bothrops atrox.
- Classificação das serpentes quanto à presença e posição das presas:
- Áglifas – não possuem presas, portanto não são peçonhentas. Ex: jibóia e sucuri
- Opstóglifas – possuem presa na parte posterior da boca; só inoculam o veneno raramente já que a abertura da sua boca é pequena, por isso podem ser consideradas como não peçonhentas. Ex: Philotria (cobra cipó)
- Proteróglifas – possuem presas na parte anterior da boca, que são imóveis. Ex: coral. Na Coral verdadeira o diâmetro do olho é menor do que a distância entre a base do olho e a abertura bucal.
- Solenóglifas – possuem presas móveis na parte anterior da boca; apresentam fosseta loreal ou lacrimal. Ex: Bothrops, Crotallus e Lachesis.
Obs: olho em fenda é característico de animal que apresenta hábito noturno
· A partir da cauda da serpente pode-se estabelecer a diferença entre as espécies:
· Com chocalho – cascavel
· Escamas eriçados (arrepiadas) no final da base da cauda e sem chocalho-surucucu
· Escamas lisas e sem chocalho – jararaca
· Epidemiologia:
As jararacas e corais podem ser encontradas em qualquer parte do país, isto é, são encontradas em matas primárias (virgens), secundárias e nas cidades. Já as surucucus são encontradas em locais onde existe floresta primária ou bem próxima a estes locais. As cascavéis aparecem em alguns focos no país.
- Crotallus – efeito neurotóxico, miotóxico e coagulante;
- Bothrops – proteolítico, coagulante e hemorrágico;
- Lachesis – proteolítico, coagulante, hemorrágico e neurotóxico;
- Micrurus – neurotóxico;
As serpentes pertencentes aos gêneros Micrurus e Crotallus apresentam efeito neurotóxico por bloqueio das sinapses nervosas, em contrapartida, a Lachesis provoca efeito neurotóxico por estimulação do nervo vago.
· Classificação dos acidentes provocados por jararacas:
- Leve – edema presente somente no local da picada;
- Moderada – edema no local da picada e ascendente;
- Grave – moderado + presença de bolhas, necroses, sangramentos abundantes, insuficiência renal, choque, etc.
Obs: a gravidade do acidente ofídico depende da quantidade de veneno inoculada.
As manifestações sistêmicas, como cefaléia, diarréias e outros, pode estar presente em qualquer tipo de acidente ofídico. Quanto mais rápido o atendimento ao paciente acidentado, menores são as possibilidades de complicações; geralmente, quando o atendimento é realizado com um período superior às 6h, após o acidente ofídico, estão presente complicações como abscesso, necrose e insuficiência renal aguda.
· Diagnóstico:
Antigamente fazia-se o teste intradérmico para verificar se o paciente era alérgico ao soro que seria utilizado no tratamento, porém este teste não tem valor preditivo para verificar a presença de reação. O teste de ELISA é utilizado em pesquisa com o objetivo de identificar a espécie de serpente que foi responsável pelo acidente.
· Tratamento:
· Pedra negra – pedra porosa de origem africana (tratamento folclore)
· PAU-X – espécie de solução (tratamento folclore)
· Específico pessoa - espécie de solução (tratamento folclore)
CLASSIFICAÇÃO E Nº DE AMPOLAS
|
GÊNERO |
ACIDENTE
LEVE |
ACIDENTE
MODERADO |
ACIDENTE
GRAVE |
TIPO DE SORO |
|
Bothrops |
4 |
8 |
12 |
SAB, SABL ou SABC |
|
Crotallus |
5 |
10 |
20 |
SAL ou SABC |
|
Micrurus |
X |
X |
10 |
SAE |
|
Lachesis |
X |
10 |
20 |
SABL ou SAL |
Obs: a quantidade de soro aplicada na criança é a mesma em relação à do adulto. Em gestantes não é abortivo.
· Pré-medicação:
· Prometazina 25mg – 1 amp. IM (bloqueador de H1 – anti-histamínico)
· Hidrocortisona 500mg – 1 amp. EV (bloqueia os leucotrienos)
· Cimetidina 300mg – 1 amp. + água destilada EV (bloqueador de H2)
Fazer a pré-medicação 20min antes da utilização do soro com o objetivo de se evitar os efeitos indesejáveis da reação de hipersensibilidade. Hoje em dia vem sendo discutido o uso dessa pré-medicação. O soro é administrado por via EV, puro ou diluído (geralmente 100ml de soro fisiológico ou glicosado), de 30 a 40 gts/min e o paciente deve ficar sob rigorosa observação para que qualquer tipo de reação de hipersensibilidade possa ser diagnosticada o mais rápido possível.
· Como proceder em caso de acidente ofídico:
· Manter a vítima deitada;
· Não se deve fazer o uso de torniquetes;
· Se a picada for no membro, este deve ficar erguido e estendido;
· Evitar a ingestão, por parte do paciente, de substâncias como pinga, querosene ou outros, somente pode ser feita a ingestão de água;
· Não cortar a ferida e nem aplicar produtos como café ou folhas;
· Encaminhar a vítima à assistência médica rapidamente;
· Prevenção:
- Uso de botas;
- Proteção para as mãos;
- Eliminação dos roedores;
- Preservação dos predadores;