Orlando Jorge Gomes da Conceição e Roberto Focaccia
Instituto de Infectologia Emílio Ribas
Em diversos estudos publicados tem sido relatada positividade de anti-VHC em gestantes variando entre 0,7% a 4,4%.(1-6) Esta prevalência variável do VHC em gestantes reflete a heterogeneidade dessa população,(7) existindo a necessidade de investigar a presença de fatores epidemiológicos de risco, como antecedente de transfusão sangüínea ou uso de drogas injetáveis.
Os dados até o momento indicam que a história natural da hepatite C adquirida durante a gestação não é diferente daquela quando adquirida fora do período gestacional. No entanto, existem indícios de que o curso clínico da doença pode ser mais brando durante a gestação.(6)
A infecção pelo VHC, aguda ou crônica, durante a gravidez, não parece aumentar o risco de anormalidades fetais e de complicações perinatais, quando comparado com as mulheres não infectadas.(8)
A proporção de transmissão vertical do VHC apresenta percentuais que variam entre 4% a 7%.(5,6,9) Nos diversos estudos realizados não foram encontradas evidências para a contra-indicação de parto vaginal ou aleitamento materno em relação a gestantes portadoras de hepatite C (9,10), a menos que o mamilo apresente inflamação ou soluçnao de continuidade da pele.
A realização de triagem sorológica para a hepatite C no pré-natal de todas as gestantes pode ser indicada no sentido de permitir o diagnóstico precoce de casos com orientação adequada a essas pacientes. Em muitos casos o pré-natal pode ser a única oportunidade de identificar uma mulher portadora permitindo sua orientação e avaliação para tratamento. As drogas utilizadas atualmente para tratamento da hepatite C são contra-indicadas durante a gravidez. Também não existe nenhuma forma eficaz de realizar profilaxia para reduzir o risco de transmissão vertical.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Marcellin P et al. Prevalence of hepatitis C virus infection in asymptomatic anti-HIV1 negative pregnant women and their children. Dig Dis Sci 1993;38(12):2151-5.
2. Marranconi F et al. Prevalence of anti-HCV and risk factors for hepatitis C virus infection in healthy pregnant women. Infection 1994;22(5):333-7.
3. Leikin EL et al. Epidemiologic predictors of hepatitis C virus infection in pregnant women. Obstet Gynecol 1994;84(4):529-34.
4. Hillemanns P et al. Prevalence and follow-up of hepatitis C virus infection in pregnancy. Z Geburtshilfe Neonatol 1998;202(3):127-30.
5. Resti M et al. Mother to child transmission of hepatitis C virus: prospective study of risk factors and timing of infection in children born to women seronegative for HIV-1. Tuscany Study Group on Hepatitis C Virus Infection. BMJ 1998;317(7156):437-41.
6. Conte D et al. Prevalence and clinical course of chronic hepatitis C virus (HCV) infection and rate of HCV vertical transmission in a cohort of 15,250 pregnant women. Hepatology 2000;31(3):751-5.
7. Yeung LT, SM King, Roberts EA. Mother-to-infant transmission of hepatitis C virus. Hepatology 2001;34(2):223-9.
8. Lima MPJS. Hepatite C e gravidez. In: Focaccia R (ed). Tratado de hepatites Virais. Rio de Janeiro: Atheneu 2002;253-8.
9. NIH Consensus statement on management of Hepatitis C. NIH Consens State Sci Statements 2002 Jun 10-12;19(3):1-46.
10. Roberts EA, Yeung L. Maternal-infant transmission of hepatitis C infection. Hepatology 2002;36(Suppl): S106-S113.
http://www.infectologia.org.br/anexos/SPI_II%20Consenso%20tratamento%20hepatite%20C%202004.pdf