Reuters Health - Por Charnicia E. Huggins
NOVA YORK (Reuters Health) - Muitos pacientes cardíacos idosos, principalmente as mulheres, não recebem informações adequadas dos cardiologistas sobre as limitações e possibilidades da vida sexual, mostrou um estudo recente. Muitos deles gostariam de ter oportunidade para discutir o assunto, segundo a equipe de Susanna E. Bedell, da Harvard Medical School, em Brookline (Massachusetts). "Sem diálogo, as pessoas terão problemas e preocupações relacionados ao sexo e podem até abandonar uma parte de suas vidas que pode ter sido importante", disse Bedell à Reuters Health.
As conclusões do estudo tiveram como base uma pesquisa realizada com 236 pacientes sexualmente ativos, incluindo 188 homens, na faixa etária de 70 anos, e 48 mulheres cuja média de idade era de 75 anos. Para 64 por cento das mulheres e 81 porcento dos homens, o médico deveria discutir a função sexual com os pacientes. Cerca de 42 por cento das mulheres e 73 por cento dos homens disseram que se sentiam bem falando sobre o assunto, informaram os autores na edição de agosto do American Heart Journal. Entretanto, apenas 18 por cento das mulheres e 3 por cento dos homens disseram que os médicos ofereceram informações adequadas sobre a função sexual, após o diagnóstico de doença cardíaca, indicou o estudo. Apenas cerca de metade (52 por cento) dos homens e 28 por cento das mulheres achavam que os médicos estavam à vontade ao discutir assuntos relacionados à vida sexual, observou a equipe. Isso foi particularmente constante para questões como satisfação ou disfunção sexual relacionado às mulheres, acrescentaram os pesquisadores. Os médicos fizeram perguntas sobre função sexual para 25 por cento dos pacientes homens e sobre a satisfação sexual a 33 por cento deles.
Enquanto isso, apenas 4 por cento das mulheres foram solicitadas a dar informações sobre a atividade sexual e nenhuma foi questionada sobre satisfação. Esses resultados poderiam ser conseqüência do fato das mulheres serem menos propensas dos que os homens a receber tratamentos efetivos para doença cardíaca. Também poderia ser porque os cardiologistas, que eram todos homens, estavam menos acostumados ou ficavam menos à vontade para conversar com mulheres sobre assuntos relacionados a sexo, acreditam os pesquisadores.
A partir desses resultados, "até os médicos sejam retreinados nesta área, infelizmente, os pacientes precisam ser os que iniciam (as conversas sobre sexo)", disse Bedell. Por exemplo, "quando alguém pergunta que nível de atividade física posso ter?`, a questão seguinte deve ser `que nível de atividade sexual posso ter?"`, explicou a pesquisadora. As conversas médico-paciente sobre sexualidade deveriam esclarecer que é improvável que a atividade sexual provoque enfarte, além de apresentar "detalhes relevantes sobre função sexual, disfunção erétil e satisfação sexual", concluíram os pesquisadores. As discussões sobre assuntos relacionados a sexo "não vão surgir a menos que o médico ou o paciente tome a iniciativa", disse Bedell.
Fonte: American Heart Journal 2002;144:239-242.